Fiep questiona índices na revisão tarifária da Copel
Fonte: dcmais.com.br | Data: 01/05/2026 09:44:49
A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) questionou, durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (29), em Curitiba, os índices de reajuste que estão sendo propostos para as tarifas de energia elétrica da Copel Distribuição.
A audiência faz parte do processo de Revisão Tarifária Periódica 2026 da companhia paranaense, que prevê reajuste médio de 19,2% às diferentes classes de consumidores, chegando a mais de 50% para alguns segmentos de alta tensão, o que causará impactos expressivos nos custos de diversas atividades industriais.
Caso sejam confirmados, os índices propostos entram em vigor a partir de 24 de junho.
Questionamento da Fiep
Durante o encontro, que foi promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o superintendente da Fiep, João Arthur Mohr, explicou que a energia é, atualmente, o terceiro item que mais pesa nas planilhas de custos das indústrias, atrás somente dos gastos com matérias-primas e mão de obra.
Por isso, ressaltou que a revisão tarifária nos patamares propostos – que, além dos 19,2% médios previstos para este ano, ainda indica uma projeção de mais 7% de aumento ficando para 2027, totalizando assim 26% de reajuste – será extremamente prejudicial para a indústria e para a economia paranaenses.
Medidas
Diante desse cenário, a Fiep propôs à ANEEL algumas medidas para reduzir ou tornar mais justos os índices de reajustes. Uma delas é a busca por maior equilíbrio entre os percentuais previstos para diferentes níveis de consumidores do chamado Grupo A, de alta tensão, que inclui a indústria.
“Esse grupo tem um reajuste de 45% para empresas do Grupo A3 (que recebe energia em 69 kV) e de 51% para o Grupo A2 (que recebe energia em 138 kV). Como essas empresas vão justificar isso? Como é que ela vai repassar isso para o preço do produto? Impossível, nós perderíamos competitividade”, disse Mohr. “Por isso sugerimos um rateio melhor (dos índices de reajuste) dentro do Grupo A”, acrescentou.
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Expurgo de investimentos
Outro ponto questionado pela Fiep diz respeito ao peso que a compensação de investimentos realizados pela Copel nos últimos anos tem nos índices de reajuste propostos.
Conforme Mohr indicou na audiência, somente em medidores inteligentes instalados nas unidades consumidoras, que teriam o propósito de reduzir o tempo de resposta da Copel em casos de problemas de fornecimento, a empresa teria investido quase R$ 1 bilhão.
“Mas o que aconteceu na prática? O indicador que a própria ANEEL monitora, que é o tempo médio de resposta entre a Copel receber a ligação e disparar a equipe, passou de 159 minutos em 2021 para 238 minutos em 2025, um aumento 50% nesse período. Mesmo com um medidor inteligente, o tempo de resposta aumentou, mas devia ter diminuído”, explicou.
Representantes de setores da indústria e de cooperativas agroindustriais que participaram da audiência reforçaram o impacto que o reajuste nos patamares propostos vai representar para as atividades.
Informações da FIEP