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Brasil luta para se destacar em inteligência artificial, aponta CEO do SoftBank

Fonte: diariodoestadogo.com.br | Data: 01/05/2026 10:15:11

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O Brasil enfrenta obstáculos significativos para se tornar um player relevante no campo da inteligência artificial (IA), conforme destacam especialistas do setor. Durante uma entrevista no programa É Negócio, da CNN, Alex Szapiro, CEO do SoftBank para a América Latina, enfatizou que o país tem potencial energético, mas carece de investimentos bilionários e capital humano especializado para competir com gigantes como OpenAI e Anthropic.

A indústria global de IA está dominada por empresas de grande porte que investem consideráveis quantias em pesquisa e desenvolvimento. Szapiro afirmou que a criação de chips para IA demanda “bilhões e bilhões de dólares”, um valor que raramente é mobilizado por países em desenvolvimento como o Brasil. Apesar de dispor de um potencial energético, a atual capacidade de geração de energia brasileira ainda está longe de atender à demanda necessária para suportar uma infraestrutura avançada em IA.

Além disso, o CEO do SoftBank destacou que, nas áreas de data centers e modelos fundamentais de IA, a situação se complica ainda mais devido à escassez de capital humano qualificado. “Vai ser muito difícil ter o capital humano e também os bilhões de dólares para desenvolver uma nova empresa com modelos fundamentais como os LLMs (Large Language Models)”, explicou. As empresas globais como Meta, X (de Elon Musk) e OpenAI dominam esse espaço, tornando ainda mais desafiadora a entrada de novos concorrentes.

Quais oportunidades o Brasil pode explorar na IA?

Apesar dessas limitações, Szapiro acredita que há uma grande oportunidade para as empresas brasileiras na chamada “camada de aplicações”, que representa o topo da pirâmide tecnológica da IA. Nessa área, as empresas que detêm dados têm uma vantagem competitiva significativa. Um exemplo positivo é o investimento na Blip, uma plataforma que permite comunicação e transações entre grandes empresas e consumidores, utilizando principalmente o WhatsApp.

Essas soluções são mais avançadas do que chatbots comuns, oferecendo sistemas complexos que resolvem problemas e facilitam vendas para as empresas. O desenvolvimento de aplicações que considerem as especificidades locais pode ser um caminho para o Brasil encontrar nichos no avanço da IA.

Além disso, a inteligência artificial está progredindo rapidamente ao redor do mundo, e o Brasil poderia adotar novas estratégias para embarcar nessa tendência. As empresas podem explorar dados específicos de seus mercados para desenvolver soluções personalizadas, o que pode fazer a diferença em um cenário competitivo dominado por grandes players.

Como o Brasil se compara a outros países em IA?

Ao olhar para a realidade internacional, o Brasil não está sozinho em seus desafios. Outros países em desenvolvimento também enfrentam barreiras significativas para inserir-se nos segmentos mais intensivos em capital da IA, como a fabricação de semicondutores e a criação de LLMs. Entretanto, enquanto países como a China investem massivamente em tecnologia, o Brasil continua atrasado na mobilização de recursos necessários.

Esse histórico de investimento em tecnologia poderia ser um divisor de águas. Nos últimos anos, dados mostram que o investimento em tecnologia na América Latina ainda está aquém do necessário, com muitas startups lutando para levantar o capital necessário para crescer. Para investidores brasileiros, isso implica em tomar decisões estratégicas sobre onde e como alocar recursos, especialmente em um ambiente global competitivo.

Os diferentes perfis de investidores devem se preparar para essa realidade. Aqueles que buscam mais segurança podem optar por investimentos em empresas de tecnologia com maior maturidade, enquanto os mais arrojados podem se aventurar em startups locais que exploram a camada de aplicações. Essa diversificação pode ser uma estratégia inteligente para mitigar riscos.

O que vem a seguir para a inteligência artificial no Brasil?

Em suma, o panorama atual indica que, apesar das dificuldades, o Brasil ainda pode se reinventar no campo da IA. Szapiro conclui que, mesmo com as limitações, as empresas que conseguirem alinhar investimento e inovação poderão se destacar. Os próximos passos serão cruciais: o país precisa se concentrar em desenvolver o capital humano e captar investimentos significativos.

Analistas do setor indicam que, para os próximos anos, é fundamental que o governo e o setor privado colaborem para potencializar esse movimento. Isso inclui fomentar a educação em tecnologia, criando programas que formem profissionais qualificados para a indústria. A conjuntura atual exige reflexão sobre as iniciativas e a importância de apoiar empresas que buscam inovar no segmento, especialmente na camada de aplicações.

As perspectivas, portanto, são de desafios, mas também de oportunidades. Com um esforço conjunto, o Brasil pode se tornar um player ativo no cenário global de IA, explorando suas especificidades e dados em aplicações que atendam ao mercado local.