MP-GO denuncia ex-assessor de Pablo Marçal por execução de delator do PCC
Fonte: diariodocentrodomundo.com.br | Data: 01/05/2026 10:22:45

O Ministério Público de Goiás denunciou o tenente-coronel Edson Luís Souza Melo, ex-assessor de segurança de Pablo Marçal, e o major Renyson Castanheira Silva pela morte do piloto de helicóptero Felipe Ramos Morais, delator do PCC. Os dois integrantes da Polícia Militar de Goiás também foram denunciados pelas mortes dos mecânicos Nathan Moreira Cavalcante e Paulo Ricardo Pereira Bueno.
Melo atuou na segurança de Marçal durante a campanha do influenciador à Prefeitura de São Paulo em 2024. O crime ocorreu em 17 de fevereiro de 2023, às margens da BR-060, na divisa entre Goiânia e Abadia de Goiás. Segundo a denúncia, os policiais foram ao local sob a justificativa de apurar uma denúncia anônima sobre tráfico de drogas com uso de helicópteros.
O MP-GO afirma que as vítimas estavam perto de três aeronaves e de uma caminhonete quando os denunciados passaram a atirar, sem agressão prévia. De acordo com a Promotoria, Melo efetuou 12 disparos com uma pistola 9 mm, enquanto Renyson fez três disparos com uma carabina calibre 5.56.
A denúncia sustenta que a prova pericial derruba a versão de confronto apresentada pelos policiais. Os laudos apontaram que as vítimas foram atingidas por disparos pelas costas. No caso de Felipe e Paulo, o MP diz que os tiros tiveram trajetória ascendente, indicando que eles foram alvejados quando já estavam caídos e rendidos.
Os promotores também afirmam que os policiais alteraram a cena do crime para simular legítima defesa. Segundo a acusação, eles recolheram cápsulas, movimentaram corpos e atribuíram armas às vítimas, embora os armamentos estivessem intactos, sem sinais de disparo e longe dos mortos.
Felipe Ramos Morais era a principal testemunha da Polícia Federal na Operação Rei do Crime, deflagrada em 2020 para apurar lavagem de dinheiro da cúpula do PCC em imóveis e postos de gasolina. A investigação chegou ao bloqueio de R$ 800 milhões em bens supostamente ligados à família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
A delação de Morais tinha 36 anexos e aguardava homologação na Justiça Federal de São Paulo quando ele foi morto. Após o assassinato, a Justiça não homologou o acordo e anulou a Operação Rei do Crime e a Operação Tempestade, que havia mirado um banco digital usado pela facção para lavagem de dinheiro.
A PM de Goiás afirmou que ainda não foi notificada sobre a denúncia e que, após a notificação, adotará as providências necessárias. O MP-GO pediu que a Justiça suspenda os acusados das funções públicas e proíba os dois de portar armas.