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Cabos soltos em postes de Contagem ‘decoram’ as ruas e assustam moradores: ‘Risco de acidente’

Fonte: otempo.com.br | Data: 01/05/2026 12:16:04

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Emaranhados de fios baixos, cabos pendurados sobre calçadas e postes tomados por fiações irregulares. A paisagem em diferentes regiões de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nem sempre é agradável, tampouco segura. Na avenida Babita Camargos, uma das principais vias da cidade, o cenário chama atenção de motoristas, pedestres e lojistas que convivem diariamente com o risco de acidentes e a sensação de abandono.

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A estudante Adrielly Campos Silva Rocha, de 26 anos, passa semanalmente pela avenida para ir à faculdade e diz que o medo faz parte da rotina. “Além de ser feio visualmente, pode acarretar até um desastre. A gente não sabe se, se encostar, pode levar um choque”, relata. Segundo ela, os cabos baixos próximos a áreas de circulação aumentam a sensação de insegurança. “É um risco para as pessoas e até para os carros estacionados”, observa.

O problema não se restringe à Babita Camargos. Moradora do bairro Colonial, Adrielly diz que o incômodo também chega na rua da casa dela. “Eu ando muito por aí, e em todo canto tem isso. Sem falar nos lugares que são escuros, onde a luz do poste não funciona, e a gente só vê o fio solto quando está em cima dele”, denuncia.

Nessa quinta-feira (30/4), O TEMPO circulou por algumas regiões de Contagem e constatou a frequência do problema. No encontro da avenida José Faria da Rocha com a rua Inglaterra, no bairro Eldorado, a reportagem registrou postes tomados por fios embaralhados. Lojistas da região, que preferiram não se identificar, relataram conviver há meses com o cenário de descaso e reclamaram da poluição visual. “Não era pra ser assim, mas, pra ser sincero, já estou até acostumado”, disse um deles.

Raíssa Oliveira / O TEMPO

Por que tantos cabos soltos?

Embora muitas pessoas associem toda a fiação à rede elétrica, nem todos os cabos pertencem à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Parte dos fios instalados nos postes é usada por empresas de telefonia, internet e TV a cabo, o que torna a fiscalização e a manutenção mais complexas.

Em entrevista anterior, sobre o mesmo problema em BH, o técnico em eletrônica Herbert Abreu explicou que os cabos soltos resultam da troca do cabeamento antigo ou danificado por novos. “Esses fios são cabos de fibra óptica usados pelas empresas de internet e telefonia. O problema é que as empresas não fazem o devido recolhimento e eles acabam se acumulando nos postes”, disse à época.

O compartilhamento entre distribuidoras de energia e empresas de telecomunicações é regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). As normas determinam que as operadoras devem seguir padrões técnicos e manter a ocupação organizada. Na prática, porém, fios abandonados, instalações clandestinas e cabeamentos irregulares continuam se acumulando em diferentes pontos da cidade.

Combate à instalações irregulares cresce em MG, diz Cemig

Em nota, a Cemig informou que intensificou o combate à instalação irregular de cabos em seus postes em Minas Gerais. Segundo a companhia, somente no ano passado foram retiradas 63,5 toneladas de fiação irregular em 143 municípios do estado.

Ainda conforme a empresa, cerca de 13,4 toneladas de fios clandestinos foram removidas apenas na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No período, técnicos vistoriaram aproximadamente 111 mil postes e retiraram cabeamentos ligados a 104 empresas que atuavam de forma irregular.

A companhia informou também que realizou mais de 22 mil notificações para que empresas de telecomunicações adequassem suas instalações. O número, segundo a Cemig, representa aumento de 218% em relação ao ano anterior. A empresa afirmou que, quando identifica risco à população, pode remover diretamente os fios considerados irregulares.

A reportagem procurou a Prefeitura de Contagem que, em nota, afirmou, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU), que os padrões técnicos para a instalação da fiação de telefonia e internet, inclusive quanto à altura mínima dos cabos são definidos e fiscalizados, em conjunto, pelas agências reguladoras federais — a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) — uma vez que os postes pertencem às concessionárias de energia e são compartilhados com as empresas de telecomunicações.

“Ressalta que a responsabilidade direta pela manutenção, organização e correção da fiação é das empresas de telefonia e internet que utilizam os postes. A Cemig, como concessionária de energia, deve fiscalizar o uso de seus postes por essas empresas e notificá-las em caso de cabos irregulares ou em altura inadequada. Assim, reitera que eventuais irregularidades relativas à fiação de telefonia e internet devem ser apuradas pelas agências reguladoras federais. A população pode acionar a Anatel e a Aneel para que cobrem das empresas responsáveis e da Cemig a adequação da fiação aos padrões técnicos existentes. Em situações de risco imediato, a concessionária de energia deve ser acionada”, diz trecho do posicionamento encaminhado.

A Anatel e a Aneel também foram procuradas, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O texto será atualizado caso haja manifestação.

Como denunciar cabos soltos?

Moradores que encontrarem fios soltos, caídos ou instalados em altura inadequada podem denunciar a situação diretamente à Cemig. Segundo a empresa, o registro pode ser feito pelo site oficial da companhia, na seção “canal de denúncia”, onde o cidadão informa o endereço e descreve o problema encontrado.

De acordo com a Cemig, as denúncias são encaminhadas para análise das equipes técnicas. Quando o cabeamento pertence a empresas de telefonia, internet ou TV a cabo, a ocorrência é repassada às operadoras responsáveis ou aos órgãos competentes para regularização. A companhia afirma ainda que os dados dos denunciantes são mantidos em sigilo, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).