Chimarrão com cannabis medicinal: saiba como é preparada a bebida
Fonte: globorural.globo.com | Data: 02/05/2026 06:44:37
Durante uma visita ao interior do Rio Grande do Sul, o deputado estadual de São Paulo Eduardo Suplicy (PT) experimentou um chimarrão preparado com cannabis, cena que rapidamente repercutiu e despertou curiosidade sobre a bebida. Mas como ela é feita e qual é a proposta por trás da mistura?
A iniciativa partiu da Associação Flor da Cura, organização que atua com cannabis medicinal no noroeste do Estado. O fundador e presidente da entidade, David Thomazi, afirma que hoje cerca de 150 pacientes são acompanhados pela associação, sempre com orientação de profissionais da área da saúde.
“A associação nasceu da necessidade de acesso à planta de forma segura. Hoje a gente acolhe pacientes e também animais, com foco no uso medicinal e na responsabilidade social”, afirma em entrevista à Globo Rural.
Segundo ele, os tratamentos acompanhados envolvem principalmente derivados da planta, como o óleo medicinal. Entre as condições relatadas estão dor crônica, ansiedade, depressão, epilepsia e doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer.
Como é feito o chimarrão com cannabis?
A ideia da bebida surgiu a partir de um hábito já existente entre integrantes da associação: o preparo de chás com a planta.
Chimarrão com cannabis: como se faz a mistura inusitada
Thomazi explica que para preparar a mistura usada na cuia, diferentes partes da planta são utilizadas, como raízes, galhos, folhas e flores. O material passa por um processo de secagem e trituração até atingir uma textura parecida com a da erva-mate. Depois disso, o produto é incorporado ao chimarrão tradicional.
Segundo o presidente da associação, o objetivo do preparo apresentado pela entidade não é produzir efeitos psicoativos. “O preparo não chega a ser psicoativo, mas proporciona relaxamento, bem-estar e pode contribuir para um sono mais profundo.”
Cultivo próprio e sistema agroflorestal
A cannabis utilizada nas preparações vem de cultivo próprio desde 2022. De acordo com David, o plantio é feito em sistema agroflorestal, modelo que integra diferentes espécies vegetais e busca reduzir impactos ambientais.
“O cultivo próprio garante sustentabilidade e permite atender nossos pacientes com um produto 100% nacional, além de dar controle direto de todo o processo”, diz.
A associação afirma atuar com respaldo jurídico e acompanhar normas sanitárias voltadas às entidades que trabalham com cannabis medicinal no país.
Para a associação, a repercussão do chimarrão com cannabis reflete um momento de maior abertura para discutir o uso medicinal da planta.“A reação das pessoas tem sido de muita curiosidade e interesse, e isso ajuda a quebrar preconceitos”, afirma.
Segundo ele, a procura por informações sobre cannabis medicinal também tem crescido nos últimos anos, inclusive entre produtores rurais.
“Existe interesse de produtores, mas ainda é um caminho que depende de avanços na regulamentação.”
Uruguai foi pioneiro
Desde 2017, o Uruguai já comercializa erva-mate com cannabis sem efeitos psicoativos – os produtos não possuem THC (tetraidrocanabinol). Entre as marcas vendidas no país vizinho estão Abuelita, Consentina e BioMate. A produção e venda de cannabis é descriminalizada no Uruguai desde 2013.
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