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“Tem mais carro do que gente”: Paraí tem 7.194 habitantes e 7.245 veículos emplacados na cidade

Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 02/05/2026 09:51:17

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Neimar De Cesero / Agencia RBS
Paraí tem 51 veículos a mais do que habitantes, conforme os últimos dados do Detran/RS e do IBGE.

“Depois das 13h30min, já não tem mais lugar para estacionar no Centro“: é o que dizem os moradores de Paraí, município que, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem 7.194 habitantes e que, conforme o Detran/RS, tem 7.245 veículos emplacados na cidade. São 51 carros a mais do que pessoas que moram na cidade.

O trânsito no município é, de forma geral, organizado, mas não há sinaleiras. Há gargalos, sim, o que já preocupa o prefeito Gilberto Zanotto, que aguarda por um estudo sobre a mobilidade urbana, que deve ser produzido em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS), para ajudar a solucionar os problemas nas ruas. 

— No início da semana, (o trânsito) ainda é bom, mas quando é quinta, sexta-feira, é uma loucura com os carros aqui na cidade. Falta estacionamento. Com o estudo da UCS vamos entender melhor a viabilidade de mãos únicas, por exemplo — adianta Zanotto.

Paraí não tem estacionamento rotativo e por isso também o prefeito analisa utilizar terrenos que são do município, ou até mesmo alugar áreas para que sirvam como opções de estacionamento:

— Vamos estudar pagar um aluguel ou isentar o IPTU do proprietário do terreno que estiver disponível.

Apesar de contar com o transporte público urbano, que leva a população para áreas de interior, é cultural do paraiense utilizar carro para se locomover, segundo Zanotto.

— Tem uma particularidade aqui que os salários são altos, ninguém ganha pouco. E o que acontece é que todo mundo tem condições de comprar um veículo — afirma.

Conforme o último levantamento do IBGE, de 2023, o salário médio mensal dos trabalhadores formais é de 2,2 salários mínimos, pouco mais de R$ 3,5 mil. O carro-chefe da economia de Paraí é a suinocultura, mas também há quem trabalhe com a mineração de basalto — que, segundo Zanotto, tem salário inicial de R$ 8 mil no município:

— O salário te permite ter um carro próprio. Tem empresa que tem 100 funcionários e, às vezes, tem 80 carros no estacionamento. A gente tem aquele programa do passe livre um dia por semana no transporte coletivo, mas nunca enche — observa o prefeito. 

O curioso é que, em Paraí, não há nenhuma concessionária ou revenda de carros. Para comprar um veículo, é preciso ir, pelo menos, até Nova Prata ou Marau, as cidades mais próximas.

— Eu arrisco falar que 30 a 40% da população compra o carro zero e emplaca em Paraí. O diferencial mesmo daqui é que sempre sobra carro em casa, tem mais carro do que gente: tem aquele carrinho para trabalhar, outro para sair, o do filho… — diz o prefeito. 

Ainda segundo Zanotto, não há nenhum tipo de incentivo para que a população compre mais carros ou emplaque em Paraí. Mas o alto número de veículos garante um bom repasse do valor do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) aos cofres do município.

No trânsito pelo trabalho

Neimar De Cesero / Agencia RBS
“Velho Chico”, taxista em Paraí.

Nas ruas de Paraí, quem circula diariamente é o taxista Velho Chico, como é conhecido Francisco Migliorini. Bancário aposentado do Banrisul, se mudou para o município com a família em 2011 e, desde 2019, trabalha com transporte de passageiros na cidade. 

— Eu faço, em média, 60 mil quilômetros por ano rodando. A cada dois anos a gente tem troca de carro. Mas o trânsito aqui do Paraí já está bem complicado, é difícil encontrar lugar para estacionar — afirma. 

Migliorini diz que grande parte da clientela é de venezuelanos, que imigraram para a cidade e ainda estão se adaptando, mas ele também transporta muitos idosos do município:

— Em torno de 40% dos clientes são mulheres ou pessoas idosas que não dirigem e que têm os filhos que trabalham fora.

Mas as corridas também são para fora da cidade, seja para tratamentos de saúde em Nova Prata, Veranópolis, ou até Caxias do Sul, ou para ir até uma agência da Caixa Econômica Federal, já que Paraí não possui uma.

Veículos por necessidade

Neimar De Cesero / Agencia RBS
Sabrina Comin tem uma empresa de frutas no município de Paraí.

A empresária Sabrina Comin é um caso de paraiense que possui mais de um carro em casa, além dos que utiliza para a sua empresa de frutas, às margens da RS-324. 

É por necessidade, porque o meu marido viaja muito. Eu fico aqui e nós temos uma outra filial lá em Santa Catarina. Então, ele precisa de um veículo pra ir e eu preciso de um aqui. É por necessidade pessoal, mas também por trabalho. Aqui na empresa a gente tem um veículo que fica aqui parado para quando alguém precisa sair — explica.

Além dos veículos pessoais, Sabrina tem a frota de caminhões da empresa e duas vans que fazem transporte dos funcionários para ir e voltar do trabalho — há colaboradores de Paraí e do município vizinho de Nova Araçá.

— Aqui é uma cidade rica. As famílias têm um poder aquisitivo alto, então a maioria tem dois carros. Eu costumo dizer que ninguém mais sai a pé, é só de carro — observa a empresária.