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Curitiba registra 78 internações involuntárias de pessoas em situação de rua em 2026

Fonte: gazetadoparana.com.br | Data: 08/05/2026 11:19:30

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Balanço dos primeiros quatro meses do ano aponta que medida, baseada em nova portaria municipal, é aplicada em casos críticos de saúde mental ou dependência química com acompanhamento do Ministério Público

A Prefeitura de Curitiba realizou 78 internações involuntárias de pessoas em situação de rua entre janeiro e abril de 2026. Os dados foram divulgados pela administração municipal com base na aplicação da portaria conjunta nº 2, que atualizou os critérios de atuação do município em casos considerados críticos envolvendo essa população.

Segundo a prefeitura, a internação involuntária ocorre apenas em situações extremas e depende exclusivamente de avaliação médica. O procedimento é utilizado quando há risco à vida da própria pessoa ou de terceiros e após esgotadas outras alternativas terapêuticas disponíveis.

O prefeito Eduardo Pimentel afirmou que a medida é tratada como exceção dentro da política de atendimento à população em situação de rua.

“A internação involuntária é uma exceção, adotada em momentos críticos, em que a vida da pessoa ou de outros está em risco”, declarou.

Além das 78 internações involuntárias, Curitiba contabilizou no mesmo período 35 internações voluntárias e duas compulsórias. As compulsórias dependem de decisão judicial baseada em laudo médico. Já as involuntárias são determinadas exclusivamente pelo médico responsável pelo atendimento e precisam ser comunicadas ao Ministério Público em até 72 horas.

De acordo com a secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, os pacientes atendidos apresentam, em muitos casos, quadros crônicos relacionados à saúde mental e dependência química, exigindo acompanhamento contínuo.

Ela afirmou que, após a estabilização clínica, cada paciente passa a receber um plano terapêutico individualizado, com alternativas voltadas à retomada da autonomia e reinserção social.

Comitê acompanha casos de internação

A prefeitura informou que um comitê intersetorial formado por representantes da Secretaria Municipal da Saúde, Fundação de Ação Social (FAS) e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano acompanha os casos de internação involuntária.

As reuniões ocorrem mensalmente, ou sempre que necessário, para discutir a evolução dos pacientes e definir encaminhamentos relacionados ao tratamento e acolhimento social.

Primeiro caso segue em comunidade terapêutica

Segundo a administração municipal, a primeira pessoa internada involuntariamente após a entrada em vigor da nova portaria, em janeiro deste ano, atualmente vive em uma comunidade terapêutica conveniada ao município.

A permanência no local, no entanto, passou a ocorrer de forma voluntária após a paciente aceitar continuar o tratamento.

Durante o acompanhamento, equipes da prefeitura localizaram familiares da mulher e promoveram a reaproximação com a família. Segundo o município, ela participa de atividades terapêuticas, oficinas de capacitação e ações de lazer, além de utilizar serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) quando necessário.

Prefeitura ampliou vagas em comunidades terapêuticas

Desde março, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano ampliou a oferta de acolhimento temporário em comunidades terapêuticas para pessoas em recuperação da dependência química. A ação integra o Programa de Atenção às Pessoas em Situação de Uso Prejudicial de Álcool e Outras Drogas, previsto na legislação estadual.

As vagas destinadas a Curitiba e municípios da Região Metropolitana estão distribuídas em dez instituições conveniadas, com capacidade para até 178 acolhimentos mensais.

O período máximo de permanência pode chegar a nove meses por pessoa.

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Humano, Carlos Eduardo Pijak Júnior, a ampliação das vagas busca fortalecer as ações de reinserção social e tratamento da dependência química.

Mais de 17 mil abordagens sociais foram realizadas

A identificação das pessoas em situação de rua ocorre principalmente por meio das equipes da Fundação de Ação Social de Curitiba, que atuam nas ruas em parceria com outras áreas da prefeitura.

Entre janeiro e abril deste ano, foram registradas 17.569 abordagens sociais na capital paranaense, média de 146 atendimentos por dia.

As equipes atuam principalmente em regiões de grande circulação e locais conhecidos pela concentração de pessoas em situação de rua, além de atender solicitações feitas pela população por meio da Central 156.

Segundo a prefeitura, os encaminhamentos são feitos conforme a necessidade identificada em cada situação, respeitando a aceitação da pessoa abordada.