Efeito Master: Tarcísio se cala e cancela ato com Ciro Nogueira após PF colocar aliado no centro do escândalo
Fonte: revistaforum.com.br | Data: 08/05/2026 13:39:32
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- Operação Compliance Zero da PF colocou Ciro Nogueira (PP‑PI) no centro das investigações do caso Master.
- O governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos‑SP) cancelou o ato conjunto com Nogueira e Antônio Rueda (União Brasil), previsto para 4 e adiado para 11 de abril.
- Em declaração ao Estadão, Tarcísio qualificou o caso como “escândalo grave” que deve ser investigado, sem comentar Nogueira.
- Nogueira foi tratado como persona non grata e ocultado na divulgação da candidatura ao Senado marcada para 15 de abril, gerando temores sobre a união da direita.
A hecatombe causada pela operação Compliance Zero, que colocou Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), no centro das investigações sobre o caso Master, causou turbulência também na pré-campanha eleitoral de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) em São Paulo.
Assim como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do grupo político à Presidência, Tarcísio se calou sobre Ciro Nogueira e tratou a ação da PF no Caso Master de forma genérica em breve declaração ao Estadão.
“É um escândalo grave precisa ser apurado, precisa ser investigado, doa a quem doer”, disse Tarcísio. “Todas as pessoas que tem envolvimento precisam ser investigadas”, emendou o governador paulista, sem tocar no nome do aliado.
A ação da PF por pouco não causou um estrago maior na pré-campanha do governador paulista. Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, e Antônio Rueda, que comanda o União Brasil, estariam no ato de apoio à campanha que havia sido marcado para a segunda-feira (4), mas acabou sendo adiado para o próximo dia 11.
Diante da ação da PF, no entanto, Tarcísio, PP e União Brasil cancelaram, até segunda ordem, a agenda conjunta.
Colega de ministério e aliado do governador paulista, Ciro Nogueira tornou-se persona non grata até no PP paulista e foi escondido pelo ex-secretário de Segurança Pública e deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) na divulgação do ato de lançamento da candidatura ao Senado, marcado para o próximo dia 15.
Na arte divulgada nas redes sociais, Derrite coloca apenas Tarcísio e Flávio Bolsonaro, esquecendo de Ciro Nogueira, presidente da própria sigla.
Silêncio
Nas redes, Tarcísio e Flávio Bolsonaro sequer tocam no nome de Ciro Nogueira e temem que a ação da PF avance sobre Rueda, do União Brasil, dificultando ainda mais a “união da direita” em torno do bolsonarismo.
Segundo interlocutores, a campanha de Tarcísio cancelou a locação do espaço de eventos Vila JK, na zona oeste da capital, onde ocorreria o ato.
O governador paulista ainda deve antecipar uma viagem à Brasília para usar como justificativa para cancelamento do evento.
Tarcísio já havia confirmado a presença na posse do ministro Kássio Nunes Marques como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que acontece na terça-feira (12). No entanto, agora deve embarcar para Brasília no dia anterior.
Devassa
A ação da PF que provocou uma devassa na relação criminosa entre o ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), Ciro Nogueira (PP-PI) e o banqueiro Daniel Vorcaro, causou uma hecatombe na aliança em torno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está em pânico com possível nova ação policial contra outro aliado que recebeu mais de R$ 6 milhões no esquema do Banco Master.
Trata-se do presidente do União Brasil, partido de Davi Alcolumbre (União-AP), Antônio Rueda que recebeu R$ 6,4 milhões do banqueiro por meio de escritório de advocacia.
Em nota, Rueda afirma que seu escritório fez “dezenas de pareceres e centenas de reuniões” para justificar o polpudo pagamento recebido do Banco Master, dois dias após afirmar em entrevista que não tinha qualquer relação com Vorcaro.
No texto, o presidente do União, que estava na lista de contatos do celular do banqueiro, admite “contatos sociais eventuais, como ocorre com diversas pessoas do meio político e empresarial”.
No entanto, transcrição de conversas entre o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e Daniel Vorcaro que estão nas mãos dos investigadores mostram que o banqueiro mantinha contato direto com Rueda.
O presidente do União viajou, ao lado de Ciro Nogueira, em helicóptero de Vorcaro para assistir ao Grande Prêmio de São Paulo, evento da Fórmula 1, segundo e-mail interceptado pela PF
Rueda teria sido apresentado a Vorcaro pelo ex-presidente do BRB, que teria intermediado uma conversa entre os dois, segundo troca de mensagens flagrada pela PF.
A interlocutores, segundo o jornal O Globo, Rueda teria dito que ganharia bilhões para ajudar a concretizar a venda do BRB, banco estatal que foi pivô das investigações, ao caso Master.
Além de Rueda, o vice-presidente do União, ACM Neto – atual representante da longeva oligarquia baiana – recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag, empresa de Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha e cunhado do banqueiro.
Os recursos foram repassados ao ex-prefeito de Salvador logo após as eleições de 2022, entre março de 2023 e maio de 2024. ACM Neto diz que os valores são referentes a serviços de consultoria.
Líder do PP sai escondido da casa de Ciro Nogueira
Líder do PP na Câmara, deputado Dr. Luizinho (RJ), foi flagrado se escondendo ao sair da residência de Ciro Nogueira (PP-PI) na tarde desta quinta-feira (7), logo após a ação de busca e apreensão da Polícia Federal.
Embora não seja alvo da operação, Dr. Luizinho foi visto saindo da casa abaixado dentro de um carro, aparentemente para evitar ser identificado. A manobra, no entanto, foi registrada por jornalistas e cinegrafistas, que capturaram a imagem do deputado no interior do veículo.
O deputado bolsonarista Doutor Luizinho, líder do PP, foi flagrado tentando sair escondido da casa do senador Ciro Nogueira após a operação da Polícia Federal.
E, sinceramente, esse tipo de comportamento covarde dele já era esperado. Falo isso como alguém da mesma cidade, Doutor… pic.twitter.com/31IY9Ml670
— Beta Bastos (@roberta_bastoss)
Após a divulgação das imagens, Dr. Luizinho se manifestou nas redes sociais, afirmando que não estava tentando se esconder, mas não explicou a razão pela qual se encolheu dentro do carro.
“Visitei hoje à tarde o presidente Ciro Nogueira em sua residência p/levar minha solidariedade, não apenas como correligionário, mas também como amigo. Entrei e saí no carro dele, pelo portão principal da residência (com vários jornalistas na frente da casa), em um veículo praticamente sem insulfilm. O fato de eu ter decidido não comentar ou conceder entrevista na porta da residência não significa que tenha entrado ou saído escondido, até pq não haveria qualquer necessidade ou motivo para isso”, escreveu o líder do PP.
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