Renda dos mais ricos cresce 3 vezes mais que a dos pobres e desigualdade volta a subir no Brasil, diz IBGE
Fonte: goias246.com.br | Data: 08/05/2026 16:50:46
O Globo
Reprodução
O cenário da distribuição de riqueza no Brasil apresentou uma nova dinâmica em 2025. Embora o país tenha registrado recordes nos rendimentos, a desigualdade de renda voltou a crescer, interrompendo a tendência de queda observada no ano anterior, quando havia atingido seu menor patamar histórico. O fenômeno é explicado por um avanço mais expressivo nos ganhos das camadas mais ricas da população em comparação aos estratos de menor renda entre 2024 e 2025.
Os números constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de Rendimento de todas as fontes 2025, apresentada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O comportamento das faixas de rendimento
De acordo com o levantamento, a renda per capita por domicílio dos 10% mais pobres registrou uma elevação de 3,1% no período, subindo de R$ 260 para R$ 268. Em contrapartida, os 10% mais ricos viram seus rendimentos saltarem 8,7%, atingindo a média de R$ 9.117 — um ritmo de crescimento quase três vezes superior ao da base da pirâmide.
Essa disparidade impactou diretamente o Índice de Gini, que mede a concentração de renda. O indicador subiu de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025. “O índice vai de zero a 1, e quanto mais próximo de 1, mais desigual.”
Perspectiva histórica e recordes
Apesar da oscilação recente, a análise de longo prazo revela um crescimento robusto para a população economicamente mais vulnerável. No intervalo entre 2019 e 2025, o rendimento dos 10% mais pobres acumulou uma alta expressiva de 78,7%, enquanto o topo da pirâmide (os 10% mais ricos) registrou avanço de 11,9% no mesmo período.
Adicionalmente, o grupo que compõe os 40% da população com os menores rendimentos atingiu seu maior valor histórico em 2025. Na comparação anual com 2024, este grupo teve alta de 4,7%, enquanto na comparação acumulada desde 2019, o crescimento médio nacional foi de 37,6%.
Análise dos fatores econômicos
Especialistas e dados do IBGE apontam que o mercado de trabalho dinâmico e os reajustes no salário mínimo foram fundamentais para sustentar os ganhos nas faixas inferiores. Contudo, a aceleração da renda no topo em detrimento da base entre 2024 e 2025 pode ser atribuída às condições macroeconômicas. Enquanto as altas taxas de juros tendem a aumentar o endividamento das classes mais baixas, o estrato mais rico da sociedade acaba beneficiado por rendimentos mais elevados em aplicações financeiras.