Diretor do BC, do caso Master assinou processo Campos Neto
Fonte: grupoportaldenoticias.com.br | Data: 13/05/2026 06:11:40
Por Cleber Lourenço
O avanço das investigações envolvendo o Banco Master começou a produzir novos desdobramentos políticos em Brasília e passou a ampliar a pressão sobre a diretoria de Fiscalização do Banco Central. No centro desse movimento está o diretor Ailton de Aquino Santos, que aparece em diferentes episódios sensíveis ligados ao sistema financeiro nos últimos meses.
Além de integrar a área responsável pela supervisão do conglomerado de Daniel Vorcaro, Ailton também presidia o Comitê de Decisão do Processo Administrativo Sancionador (Copas), colegiado que homologou o acordo que extinguiu a punibilidade do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em um processo administrativo envolvendo operações cambiais estimadas em US$ 338 milhões.
O caso voltou ao centro do debate político após o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, encaminhar à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado o “Termo de Compromisso” firmado por Campos Neto em junho de 2025.
Pelo acordo, Roberto Campos Neto pagou R$ 300 mil ao Banco Central e teve extinta a punibilidade no processo administrativo sancionador relacionado a operações cambiais realizadas quando ainda atuava como diretor do Banco Santander.
Segundo os documentos enviados à CAE, o processo administrativo apontava supostas irregularidades em operações de câmbio envolvendo dezenas de pessoas jurídicas. O material menciona inconsistências em documentos de qualificação e falhas em verificações relacionadas a operações que somariam US$ 338 milhões.
O Banco Central afirma, contudo, que o termo de compromisso não representa confissão de culpa nem reconhecimento de irregularidades por parte de Campos Neto.
O documento enviado ao Senado mostra que o Copas responsável pela análise do caso era presidido por Ailton de Aquino Santos, que assinou o arquivamento do processo após a celebração do acordo.
A presença de Ailton em diferentes episódios ligados ao sistema financeiro passou a chamar atenção de parlamentares em meio ao avanço do caso Master.
Como diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton ocupava uma das posições mais estratégicas da supervisão bancária quando o conglomerado de Daniel Vorcaro passou a enfrentar o avanço das investigações.
A diretoria chefiada por ele era responsável por acompanhar a situação prudencial das instituições financeiras, analisar riscos de liquidez, monitorar operações consideradas atípicas e encaminhar medidas administrativas em casos considerados graves.
Documentos e reportagens publicados ao longo da investigação mostram que Ailton participou diretamente de reuniões relacionadas ao Banco Master e também integrou discussões sobre a situação do conglomerado antes da decretação da liquidação extrajudicial.
Em novembro de 2025, por exemplo, o diretor participou de uma videoconferência com Daniel Vorcaro e outros integrantes ligados ao sistema financeiro para tratar de “assuntos de supervisão”. O encontro ocorreu poucas horas antes da prisão do banqueiro e da intervenção no banco.
A reunião acabou se tornando peça importante da estratégia da defesa de Vorcaro, que utilizou o encontro para argumentar que o empresário mantinha interlocução institucional com o Banco Central e não apresentava comportamento de fuga.
Além da reunião, Ailton também foi ouvido pela Polícia Federal como uma das principais autoridades técnicas do Banco Central capazes de detalhar o quadro financeiro do Master antes da intervenção.
Na ocasião o diretor afirmou que o banco apresentava um quadro crítico de liquidez e possuía disponibilidade financeira muito inferior ao esperado para uma instituição daquele porte.
Caso Master amplia pressão política sobre o BC
A atuação da diretoria de fiscalização também passou a ser observada por parlamentares e integrantes do mercado após reportagens sobre operações entre o BRB e o Banco Master.
Em meio às investigações, surgiram relatos sobre mensagens atribuídas a integrantes do Banco Central relacionadas à compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB. O Banco Central negou irregularidades e afirmou que a própria área de fiscalização identificou inconsistências nas operações investigadas, comunicou os fatos às autoridades competentes e defendeu medidas prudenciais contra o conglomerado.
O nome de Ailton é visto como peça central para compreender o nível de conhecimento que a autoridade monetária possuía sobre a situação do Master antes da liquidação extrajudicial.
O diretor de Fiscalização do Banco Central participou, por exemplo, de uma reunião por videoconferência com Daniel Vorcaro em novembro de 2025, na véspera da liquidação extrajudicial do Banco Master e da prisão do banqueiro.
A reunião foi posteriormente mencionada pela defesa de Vorcaro ao questionar a tese de risco de fuga apresentada pela investigação.
Nos bastidores do Senado, parlamentares passaram a cruzar episódios envolvendo a supervisão do Banco Master, operações do BRB e decisões internas do Banco Central. O avanço do caso ampliou o desgaste institucional da autoridade monetária junto à Comissão de Assuntos Econômicos, especialmente após Gabriel Galípolo faltar a uma sessão em que era aguardado por senadores.