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A solução para um emaranhado de problemas

Fonte: poder360.com.br | Data: 10/06/2026 07:20:22

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Poste de rua

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Articulista afirma que o grande problema é que algumas empresas de telecomunicações operam na clandestinidade e passam a ocupar postes ilegalmente; na imagem, postes de energia elétrica com cabos de internet e TV, na Vila Planalto, em Brasília

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Quem passa pelas ruas de qualquer cidade brasileira conhece bem a cena: postes repletos de cabos entrelaçados, fios soltos, instalações improvisadas que se acumularam ao longo dos anos sem nenhuma regra clara. Esse cenário não é só feio. É perigoso, caro e prejudica diretamente a qualidade da energia elétrica e da internet que chega às casas e empresas de todo o país.

O Brasil tem mais de 53 milhões de postes. Eles carregam a energia elétrica que chega a 99,8% dos lares brasileiros e, ao mesmo tempo, sustentam os cabos de internet e telefone que conectam milhões de pessoas.

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O problema é que a ocupação, muitas vezes desordenada e clandestina, por parte de empresas de telecomunicações –as chamadas telecoms–, se dá sem regras claras para regularizar esse emaranhado de problemas. O resultado, visível em qualquer avenida do país, são cabos desordenados e enrolados, sob risco de incêndio, sobrecarga nos postes e facilidade para o furto de fios. O Congresso tem agora a oportunidade de mudar isso, com a aprovação do projeto de lei 3.220 de 2019.

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O projeto em questão, aprovado pelo Senado e tramitando em regime de urgência na Câmara, é fruto de anos de debates e consensos entre os setores envolvidos, buscando contemplar os diferentes interesses. A Abradee defende que o texto seja aprovado sem alterações no mérito, preservando o trabalho já realizado até aqui.

Hoje, os postes são ativos das distribuidoras de energia elétrica, mas elas compartilham esses espaços com as empresas de telecomunicações. O valor arrecadado pelas empresas de energia por esse “aluguel” vai também para a chamada modicidade tarifária, ou seja, para reduzir a conta de energia. O grande problema é que algumas empresas de telecomunicações operam na clandestinidade, e passam a ocupar ilegalmente esses postes, sem que as distribuidoras tenham instrumentos regulatórios suficientes para combater tal irregularidade.

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Um dos ganhos mais concretos do projeto é a organização do cenário atual. Cabos irregulares e abandonados pelos clandestinos poderão ser retirados com respaldo legal, e as empresas que hoje ocupam os postes sem autorização poderão se regularizar em um prazo razoável. Isso é bom para todos: para as empresas que querem atuar na legalidade, e que passam a competir em igualdade de condições, e para os consumidores, que recebem serviços mais confiáveis e seguros.

Do ponto de vista financeiro, o projeto propõe atribuições claras para que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) possam atuar nas questões regulatórias mais importantes. Entre elas, está a manutenção de parte da receita obtida, que permanecerá sendo usada para reduzir a conta de energia, e o estabelecimento de um valor máximo a ser cobrado das telecoms.

O projeto também estabelece às distribuidoras de energia o direito de decidir como os postes serão administrados: diretamente por elas ou por empresas especializadas. Isso é importante porque são as distribuidoras que constroem, mantêm e respondem por essa infraestrutura. As distribuidoras, que empregam mais de 220 mil pessoas, têm equipes de campo que conhecem profundamente os territórios nos quais operam.

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Na contramão do projeto de lei, outras propostas defendem a criação de uma figura, o chamado “posteiro”, para cuidar dessas infraestruturas. O problema é que nenhuma empresa opera sem custos, e a margem de lucro e os custos dessa nova entidade recairão sobre o consumidor. Tecnicamente, a ideia pode trazer complicações operacionais. Um 3º, que não é distribuidor de energia nem de telecom, não conhece a realidade das áreas de atuação em um país de dimensões continentais como o Brasil.

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O texto que aguarda votação na Câmara é o resultado de um longo esforço de construção legislativa. Reabrir esse debate agora seria desmontar um trabalho criterioso e adiar, mais uma vez, uma solução de que o Brasil precisa com urgência. O país merece postes organizados, serviços mais seguros e regras que funcionem para toda a sociedade.

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