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Doenças crônicas, síndromes respiratórias e alta demanda: o que causa superlotação nas emergências de Porto Alegre

Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 10/06/2026 13:24:31

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Em um cenário de superlotação nos últimos meses, emergências de alta complexidade que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Porto Alegre projetam que a procura pode aumentar ainda mais ao longo do inverno devido a doenças respiratórias.

As internações por quadros respiratórios aumentaram 12,3% em Porto Alegre entre a última semana de maio e a primeira de junho, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde.

Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, nesta quarta-feira (10), gestores de três instituições afirmaram que parte da demanda é de pacientes com doenças crônicas que apresentam complicações.

Operando com 257% da capacidade

O adjunto clínico da Diretoria Médica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Marcelo Gonçalves, afirmou no Gaúcha Atualidade que a emergência recebia nesta manhã 144 pacientes em uma estrutura de 56 leitos, ou seja, operava com 257% da capacidade.

Gonçalves apontou que a busca pelo setor devido a síndromes respiratórias ainda está dentro do esperado, mas que há um quantitativo significativo de atendimento de pessoas que passaram por transplantes ou são pacientes oncológicos:

— Esses pacientes crônicos que agudizam, e o agudizar pode ser gripe ou alguma descompensação da sua doença de base, faz com que procurem (a emergência). A procura desses pacientes que já são acompanhados no próprio hospital também tem se mantido alta.

Emergência em reforma

O diretor técnico do Hospital São Lucas da PUCRS, Fabiano Ramos, também salientou a demanda de pacientes com doenças crônicas:

— A gente tem recebido muitos que agudizaram ou que complicaram, especialmente pela dificuldade desses pacientes terem um atendimento ou um acompanhamento na rede básica de saúde, tanto em Porto Alegre quanto na Região Metropolitana. Então, doenças cardiovasculares, neurológicas, tumores são o carro-chefe hoje da emergência.

Passando por reforma, o setor emergencial da instituição recebe apenas pacientes graves encaminhados pela regulação do município e do Estado. Mesmo assim, há 190% de ocupação, com pessoas sendo atendidas em cadeiras e no espaço de convênios.

— Só em pacientes que aguardam leitos de UTI (unidade de tratamento intensivo), a gente já tem muito mais do que a nossa capacidade permitiria — frisou Ramos.

Aposta no giro de leitos

Enfrentando uma média de superlotação neste ano em torno de 150%, o gerente de internação do Hospital Conceição, Gabriel Hey, avaliou que a elevação ainda não está relacionada necessariamente às síndromes respiratórias agudas graves e aos casos virais, mas à entrada grande e constante de pacientes todos os dias.

— Naturalmente, com a chegada do inverno, a gente vai ver um aumento nesses casos. A gente já tem evidenciado uma curva de casos semelhante em ascendência com o ano passado, mas ainda inferior em número de casos, mortalidade e gravidade — avaliou.

Hey aposta em uma melhoria na qualidade do giro dos leitos para agilizar a espera por vagas. Segundo ele, a média de tempo de internação na emergência é de 1,8 dia.

— A gente tenta acelerar o processo com aceleração de exame pendente para alta, com estratégias que não envolvam necessariamente a internação hospitalar, como cuidado com a atenção domiciliar, vínculo ambulatorial, vínculo com rede básica de saúde. Isso nos permite ter um giro de leitos um pouco mais eficiente do que a gente vinha tendo há alguns anos — exemplifica.

Quantidade de leitos ocupados por atendimento

Veja dados consultados no painel da  Secretaria de Saúde de Porto Alegre nesta quarta-feira (10)

  • Oncologia – 384 leitos
  • Doenças respiratórias – 353 leitos
  • Psiquiatria – 303 leitos
  • Infectologia – 257 leitos
  • Gastroenterologia – 238 leitos
  • Cardiologia – 176 leitos