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O preço oculto dos anabolizantes: jovens enfrentam problemas de ereção

Fonte: sportlife.com.br | Data: 18/06/2026 15:04:27

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A busca por mais músculos e resultados rápidos continua atraindo muitos praticantes de atividade física. Nas redes sociais, não faltam conteúdos que prometem ganhos acelerados por meio do uso de anabolizantes.

Porém, uma revisão científica publicada em maio de 2026 acende um alerta importante.

Homem que faz uso de anabolizantes
Especialista explica os impactos do uso de anabolizantes à saúde hormonal e sexual – Foto: Divulgação

O trabalho reuniu evidências que associam o uso prolongado dessas substâncias à disfunção erétil e ao hipogonadismo em homens jovens.

Estudo aponta impacto na função sexual

Segundo a revisão, os casos foram observados principalmente em homens entre 28 e 33 anos. A faixa etária chama a atenção por ser normalmente associada ao auge da função sexual masculina.

Além da disfunção erétil, os pesquisadores identificaram associação com o hipogonadismo.

A condição é caracterizada pela redução da produção natural de testosterona.

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Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Queda da libido.
  • Fadiga.
  • Redução do desempenho sexual.
  • Alterações na função reprodutiva.

Como os anabolizantes afetam os hormônios?

De acordo com o médico Dr. Paulo Egydio, PhD em Urologia, o problema está no desequilíbrio hormonal provocado pelo uso indiscriminado dessas substâncias.

“O organismo entende que já existe testosterona em excesso circulando no sangue. Como consequência, o cérebro reduz os estímulos hormonais enviados aos testículos, que deixam de produzir testosterona naturalmente”, explica o especialista.

Esse mecanismo é conhecido como supressão do eixo hormonal. Quando isso acontece, a produção natural de testosterona pode diminuir significativamente.

A testosterona influencia a ereção?

Segundo o Dr. Paulo Egydio, a testosterona participa de diferentes processos relacionados à saúde sexual masculina. O hormônio influencia o desejo sexual e também mecanismos que favorecem a ereção.

“Quando há supressão hormonal importante, o impacto pode atingir tanto a libido quanto a capacidade erétil”, afirma.

Os riscos dos anabolizantes vão além da saúde sexual

Os efeitos do uso indiscriminado de anabolizantes não se limitam à esfera hormonal.

Segundo o release, essas substâncias também estão associadas a:

  • Aumento do colesterol LDL.
  • Redução do colesterol HDL.
  • Maior viscosidade sanguínea.
  • Processos inflamatórios relacionados a doenças cardiovasculares.

Como a ereção depende diretamente de uma boa circulação sanguínea, alterações vasculares também podem contribuir para dificuldades sexuais.

Além disso, há relatos de:

  • Irritabilidade.
  • Ansiedade.
  • Alterações de humor.
  • Sintomas depressivos.

Uso médico é diferente do uso estético

É importante diferenciar o uso terapêutico do uso recreativo ou estético. A terapia hormonal pode ser indicada para homens com deficiência comprovada de testosterona.

Nesses casos, o tratamento exige avaliação clínica, exames laboratoriais e acompanhamento médico. Já o uso estético costuma envolver doses mais elevadas e combinação de substâncias. E, muitas vezes, produtos sem controle adequado de procedência também entram na lista.

A Resolução nº 2.333/2023 do Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes para:

  • Fins estéticos.
  • Melhora de desempenho esportivo em pessoas sem deficiência hormonal comprovada.

É possível recuperar a função hormonal?

Segundo o Dr. Paulo Egydio, muitos pacientes conseguem recuperar parcial ou totalmente a função hormonal após interromper o uso dos anabolizantes. No entanto, a recuperação pode variar bastante.

“O tempo de recuperação depende da idade, do tempo de exposição, das doses utilizadas e do grau de comprometimento testicular”, explica.

Em algumas situações, pode ser necessário recorrer a tratamentos específicos para estimular novamente a produção hormonal e tratar a disfunção erétil.

Quais sinais merecem atenção?

Alguns sintomas devem motivar uma avaliação com um urologista.

Entre eles:

  • Queda importante da libido.
  • Ausência de ereções matinais.
  • Fadiga persistente.
  • Dificuldade frequente para manter a ereção.

Para os especialistas, informação e orientação adequada continuam sendo fundamentais. Afinal, a busca por resultados estéticos rápidos pode trazer consequências que vão muito além da aparência física.