O senador Jaques Wagne. Foto: Divulgação

A bancada do PT na Câmara dos Deputados defendeu nesta quinta-feira (18) a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o Banco Master. A manifestação ocorreu no mesmo dia em que o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, foi alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero.

Em nota, os deputados petistas afirmaram que a apuração no Congresso deve avançar. “A Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados reitera, mais uma vez, a necessidade de instalação da CPMI do Banco Master no Congresso Nacional”, diz o texto.

A posição adotada pelo PT se aproxima da estratégia usada pelo PL no caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. A sigla também passou a defender a abertura de uma CPI ou CPMI sobre o Banco Master após a divulgação de que ele teria solicitado recursos a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.

Apesar da pressão de parlamentares, a instalação de uma comissão de inquérito é considerada improvável. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), já indicou que não pretende atender aos pedidos para a criação de uma investigação parlamentar sobre o banco.

O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação

O requerimento para abertura da comissão depende de leitura no Congresso. A questão chegou ao Supremo Tribunal Federal e está sob relatoria do ministro Nunes Marques, que ainda não decidiu sobre um pedido para obrigar o presidente do Legislativo a dar andamento ao procedimento.

Jaques Wagner foi alvo da operação após a Polícia Federal analisar mensagens extraídas do celular de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, o material indicaria possível atuação do senador no Congresso em temas de interesse do Banco Master.

Entre os pontos examinados estão uma articulação em defesa da ampliação do crédito consignado e outra proposta conhecida nos bastidores como “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A PF suspeita que Wagner tenha recebido vantagens indevidas em contrapartida. As apurações citam um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões e outras regalias que, segundo a investigação, somariam ao menos R$ 3 milhões.