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Flávio Bolsonaro não apaga caso Master com ataque a Wagner

Fonte: esmaelmorais.com.br | Data: 18/06/2026 16:23:27

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Flávio Bolsonaro tentou usar, nesta quinta-feira (18), a operação da Polícia Federal contra Jaques Wagner para transferir ao PT o centro do escândalo Master; o problema político é que a ofensiva não elimina os áudios e mensagens que ligam o pré-candidato do PL a Daniel Vorcaro.

Flávio Bolsonaro não saiu do caso Master porque Jaques Wagner entrou na mira da Polícia Federal. Uma coisa é a operação deflagrada nesta quinta-feira (18) contra o líder do governo no Senado. Outra coisa é a crise aberta pelos áudios e mensagens em que o pré-candidato do PL aparece negociando dinheiro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. O fato novo atinge Wagner. O passivo anterior continua atingindo Flávio Bolsonaro.

A Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, em nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura, em tese, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, estão entre os alvos. Isso é grave, exige apuração e não comporta blindagem partidária.

Mas a operação contra Wagner não transforma Lula em alvo direto da Polícia Federal. O alvo é o senador petista da Bahia. A decisão mencionada pelo Blog do Esmael aponta elementos suficientes para busca e apreensão, mas não equivale a denúncia formal nem a abertura de ação penal contra Wagner. A distinção importa porque Flávio Bolsonaro tenta converter uma investigação lateral ao núcleo presidencial em escudo para sua própria crise eleitoral.

Flávio Bolsonaro afirmou em São Paulo que “o PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal” e disse que a ação seria um “péssimo dia para o PCC, para o CV e também para o PT”. Antes, nas redes, cobrou uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. A fala tem alvo político claro: deslocar o caso do terreno dos áudios de Vorcaro para o campo da disputa PT contra PL.

O problema da estratégia é que ela cobra coerência do próprio Flávio Bolsonaro. Ao celebrar a Polícia Federal quando o alvo é Wagner, o pré-candidato do PL legitima o método de investigação que também alcança personagens da direita no caso Master. O Blog do Esmael registrou que o escândalo já afetou Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira, além de agora chegar ao entorno de Lula no Senado. O caso deixou de ser patrimônio narrativo de um campo político e passou a testar a simetria de todos os lados.

No caso de Flávio Bolsonaro, o ponto central não desapareceu: o Intercept Brasil revelou registros segundo os quais Daniel Vorcaro teria se comprometido a repassar US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. A reportagem apontou ainda pagamentos de pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, entre fevereiro e maio de 2025, além de mensagens e cobranças feitas pelo senador.

Em setembro de 2025, segundo a mesma reportagem, Flávio Bolsonaro enviou áudio a Vorcaro cobrando o saldo pendente e alertando que a produção poderia perder contratos, elenco, direção e equipe. O Blog registrou, depois da divulgação dos áudios, que Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, pediu ao STF apuração sobre o vazamento do material, não sobre a inexistência das conversas.

A diferença eleitoral é objetiva. Jaques Wagner é líder político do PT, ex-governador da Bahia e aliado histórico de Lula, mas não é o nome projetado para disputar o Planalto em 2026. Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência e aparece como principal adversário de Lula na leitura nacional sobre a corrida presidencial. Por isso, a aparição de Wagner no caso Master cria desgaste para o governo, mas não substitui a cobrança direta sobre o presidenciável do PL.

Lula e Flávio Bolsonaro estão no centro do Fla-Flu presidencial. Wagner, neste episódio, é personagem relevante para o governo e para o Senado, mas lateral na urna. A oposição vai explorar a operação contra o senador baiano para tentar colar o Banco Master no PT. O governo e o PT terão de responder com transparência, preservação institucional e distância de qualquer blindagem automática. Flávio Bolsonaro, porém, não ganha salvo-conduto porque outro campo político passou a sangrar no mesmo caso.

A pergunta que fica para a campanha de 2026 é simples: quem vai defender investigação integral sobre Banco Master, sem escolher alvo por conveniência eleitoral? Se a Polícia Federal serve quando mira Wagner, também serve quando alcança Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, aliados do Centrão ou qualquer outro personagem da rede de influência de Vorcaro. O escândalo Master não pode virar peneira partidária.

Leia também no Blog do Esmael a cobertura sobre Banco Master, Flávio Bolsonaro, Jaques Wagner, Lula e a disputa presidencial de 2026.