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TikTok investe R$ 50 bilhões em data center no Ceará, o maior já anunciado no Brasil

Fonte: bpmoney.com.br | Data: 18/06/2026 17:18:25

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A ByteDance, dona do TikTok, escolheu o Complexo do Pecém, no Ceará, para instalar seu primeiro data center na América Latina.

O projeto, em parceria com a Omnia, plataforma de data centers do Pátria Investimentos, e a Casa dos Ventos, prevê um investimento inicial de R$ 50 bilhões. Assim, atualmente, já é o maior empreendimento do tipo anunciado no Brasil.

Localizado a cerca de 60 quilômetros de Fortaleza, o Complexo do Pecém ocupa uma área de 190 km² e abriga um dos principais polos industriais do país.

Além disso, as obras do data center começaram em janeiro de 2026, enquanto o início das operações está previsto para o terceiro trimestre de 2027.

Energia é peça-chave para o projeto

Antes de mais nada, a disponibilidade de energia foi um dos fatores decisivos para a escolha do Ceará. Afinal, na fase inicial, o empreendimento terá capacidade elétrica de 300 megawatts, volume de consumo comparável ao de uma cidade com cerca de 2,4 milhões de habitantes.

Além disso, o estado lidera a produção nacional de energia eólica, principalmente em razão dos ventos constantes que atingem o litoral nordestino durante todo o ano.

Nesse sentido, a Omnia assinou um contrato de 20 anos com a Casa dos Ventos, maior geradora privada de energia eólica do país. Como resultado, a empresa investirá R$ 4 bilhões na construção de parques eólicos com capacidade instalada de 700 megawatts.

Por outro lado, a energia gerada não será fornecida diretamente ao data center. Em vez disso, ela será incorporada ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Ao mesmo tempo, o empreendimento consumirá eletricidade da própria rede nacional.

Em outras palavras, a energia produzida pelos parques eólicos entrará no sistema elétrico brasileiro, enquanto o data center utilizará energia disponível na mesma infraestrutura.

Omnia investirá R$ 10 bilhões em infraestrutura

Além dos investimentos na geração de energia, a Omnia prevê aplicar cerca de R$ 10 bilhões na construção e operação da infraestrutura necessária para o empreendimento.

Os recursos irão para a aquisição de terrenos, construção dos prédios, implantação de subestações elétricas, sistemas de refrigeração e demais estruturas exigidas por um data center de grande porte.

O Pátria Investimentos criou a empresa em 2025 com o propósito de concentrar seus projetos de infraestrutura digital. Ademais, o grupo já possui experiência no segmento após criar a ODATA, posteriormente vendida para a americana Aligned em 2023.

“Com a IA, a gente decidiu olhar de novo para o setor, por acreditar que ele passaria a ter uma fase de crescimento diferente. Até então, o foco do desenvolvimento de data center no Brasil era muito voltado à nuvem e ao mercado interno”, afirmou Rodrigo Abreu, CEO da Omnia, em entrevista ao InvestNews.

Segundo o executivo, a expansão da inteligência artificial mudou a dinâmica do mercado. Dessa forma, a demanda por capacidade computacional passou a exigir estruturas maiores e mais robustas.

Demanda garantida viabilizou o empreendimento

Entretanto, energia e infraestrutura não são os únicos pilares de um projeto dessa magnitude. Em primeiro lugar, é necessário haver demanda garantida para justificar os investimentos bilionários.

Por isso, o data center do Pecém só saiu do papel porque a ByteDance assinou previamente um compromisso para ocupar a instalação.

“Esse contato com a ByteDance começou há bastante tempo. Começou porque o Pátria tem uma presença muito forte na Ásia. Boa parte dos nossos investidores são asiáticos”, disse Abreu ao InvestNews.

Embora não tenha detalhado a duração do contrato, o executivo afirmou que o horizonte do acordo está entre 10 e 20 anos.

Brasil entra na corrida global dos data centers

Por fim, o projeto reforça a posição do Brasil na disputa global por investimentos em infraestrutura voltada à inteligência artificial e à computação em nuvem.

De fato, o país reúne características que despertam o interesse das grandes empresas de tecnologia, como oferta de energia renovável, disponibilidade de áreas para expansão e potencial de crescimento da demanda digital.

Nesse cenário, o empreendimento do Pecém surge como um dos principais exemplos dessa tendência. Assim, o Brasil busca consolidar sua participação em um mercado cada vez mais estratégico para a economia digital.