Wagner nega favorecimento ao Banco Master, confirma disputa à reeleição e descarta saída da liderança de Lula no Senado
Fonte: muitainformacao.com.br | Data: 18/06/2026 17:44:48
Senador afirma que investigação não altera seus planos políticos, nega atuação em favor do Banco Master e diz manter a confiança do presidente Lula
O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou, nesta quinta-feira (18), que manterá sua pré-candidatura à reeleição ao Senado em 2026, mesmo após ter sido alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). Durante entrevista à BandNews FM, o parlamentar também negou ter favorecido o Banco Master, descartou deixar a liderança do governo no Senado e explicou sua relação com executivos da instituição financeira. Segundo Wagner, a operação representa apenas uma etapa inicial das investigações e não altera seus planos políticos.
“Estou muito seguro de tudo que eu fiz. Estou muito seguro da minha vida pessoal”, garantiu o petista.
O senador relembrou que, em 2018, também foi alvo de busca e apreensão e, mesmo assim, foi eleito senador com a maior votação da história da Bahia. Para ele, o episódio atual não compromete sua trajetória política nem sua disposição para disputar um novo mandato.
Senador confirma disputa pela reeleição ao Senado
Ao comentar os reflexos da investigação sobre seu futuro político, Jaques Wagner afirmou que não pretende recuar da disputa eleitoral de 2026. Segundo o parlamentar, sua confiança está baseada na própria atuação pública e na avaliação que o eleitorado faz de sua trajetória.
“Minha candidatura está mantida e eu espero ser eleito, de novo, senador da Bahia”, disse.
O senador ressaltou que os desdobramentos da operação não modificam seu capital político e reforçou que seu objetivo continua sendo buscar a renovação do mandato no Senado Federal.
Wagner nega atuação para beneficiar o Banco Master
Durante a entrevista, o líder do governo no Senado rejeitou qualquer acusação de ter atuado para favorecer interesses do Banco Master em votações realizadas no Congresso Nacional. Segundo Wagner, sua atuação ocorreu em conformidade com a orientação técnica do Poder Executivo, inclusive trabalhando para rejeitar uma emenda que ampliava a atuação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). “O governo foi contra, eu como líder do governo encaminhei contra essa emenda de ampliação do fundo garantidor”, indicou.
O senador explicou que é comum parlamentares serem procurados por representantes de diversos setores interessados na tramitação de projetos legislativos. No entanto, afirmou que esses contatos não influenciam sua posição nas votações. Wagner acrescentou que mantém diálogo com parlamentares da base governista e da oposição em busca da construção de consensos. Para ele, sua atuação contrária à proposta envolvendo o FGC demonstra que não houve qualquer benefício ao banco investigado.
Petista nega relação com executivos do Banco Master
Na ocasião, o parlamentar também negou possuir relação próxima com executivos ou controladores do Banco Master. Segundo Wagner, encontrou o banqueiro Daniel Vorcaro em apenas duas ocasiões e ambas tiveram caráter institucional. “Eu tive com o Daniel apenas duas vezes. Uma vez quando ele veio se apresentar por estar entrando de sócio do Augusto Lima (…) e a segunda vez quando o Augusto Lima me pediu uma indicação para a área jurídica”, esclareceu o senador.
O petista também negou ter intermediado reuniões entre representantes da instituição financeira e o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega. De acordo com Wagner, sua relação sempre foi com o empresário baiano Augusto Lima, responsável pela aquisição da antiga rede estatal Cesta do Povo. O senador afirmou que as referências ao seu nome na investigação não encontram respaldo em vínculos comerciais ou pessoais duradouros.
Liderança do governo permanece inalterada
Questionado sobre uma eventual saída da liderança do governo no Senado após a operação da Polícia Federal, Jaques Wagner afirmou que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) logo após a deflagração da ação.
“Falei com ele hoje, ele sequer tocou nesse tema, então, na minha opinião, ele vai manter”, explicou Wagner.
Segundo o senador, Lula telefonou para prestar solidariedade e pediu que ele permanecesse tranquilo diante da investigação. Wagner destacou que a decisão sobre a liderança cabe exclusivamente ao presidente da República.
O parlamentar enfatizou que o caso permanece em fase de investigação e lembrou que não responde como réu em nenhum processo relacionado à Operação Compliance Zero. Enquanto contar com a confiança do presidente, afirmou que continuará exercendo normalmente a função de líder do governo no Senado.
Indicação de Ricardo Lewandowski para consultoria jurídica
Jaques Wagner também confirmou que sugeriu o nome do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, para prestar consultoria jurídica ao Banco Master. Segundo ele, a indicação foi feita a pedido do empresário Augusto Lima. “O ministro Lewandowski tinha acabado de se aposentar do Supremo por conta dos 75 anos. Eu digo: ‘olha, eu acho que não tem pessoa melhor’”, relatou o senador.
Wagner explicou que entrou em contato com o magistrado por meio de intermediários e informou que Lewandowski aceitou atuar como consultor jurídico, mas recusou integrar o conselho de administração da instituição financeira.
O senador afirmou que a reunião de apresentação do ex-ministro foi a segunda e última ocasião em que esteve pessoalmente com Daniel Vorcaro. Segundo ele, a indicação ocorreu dentro da normalidade e consistiu apenas em uma sugestão profissional, sem qualquer contrapartida ou irregularidade.
Bruno Brito
Formado em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela UFRB, com passagem pelo Jornal A Tarde e experiência em assessoria de imprensa. Apaixonado por esportes, política e boas histórias.