Consórcio Nordeste avança na criação de fundo para financiar bioeconomia e recuperação da Caatinga
Fonte: paraibabusiness.com.br | Data: 18/06/2026 19:53:20

Os nove estados que integram o Consórcio Nordeste estão estruturando o Fundo Caatinga, mecanismo voltado à captação de recursos para financiar ações de regeneração ambiental, fortalecimento da resiliência climática e desenvolvimento sustentável no Semiárido brasileiro.
O anúncio foi feito durante o Seminário Internacional de Combate à Desertificação, realizado em Brasília, quando representantes do consórcio apresentaram a iniciativa como parte da estratégia regional de “recaatingamento”, conceito que busca recuperar as capacidades ecológicas, produtivas e sociais da Caatinga.
A proposta é direcionar recursos para projetos de restauração produtiva, bioeconomia, manejo sustentável, inovação tecnológica e adaptação às mudanças climáticas. Segundo o Consórcio Nordeste, o fundo também deverá estimular a cooperação entre governos, setor privado, universidades e organizações da sociedade civil.
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Durante o evento, o chefe de gabinete do Consórcio Nordeste, Glauber Piva, destacou que o Semiárido precisa ser visto como um território de soluções para os desafios climáticos e econômicos do país.
“O Semiárido brasileiro não é um problema. O Semiárido brasileiro é uma solução a ser compreendida”, afirmou.
De acordo com o gestor, a região abriga cerca de 28 milhões de habitantes e reúne experiências consolidadas de convivência com o clima semiárido, desenvolvidas por agricultores familiares, povos indígenas, comunidades quilombolas, universidades e institutos de pesquisa.
Nova política fortalece investimentos
A estruturação do Fundo Caatinga ocorre em um momento de fortalecimento da agenda ambiental para o bioma, impulsionada pela recente aprovação da Política Nacional de Recuperação da Caatinga.
Segundo o Consórcio Nordeste, a nova política cria bases para ampliar investimentos voltados à recuperação de áreas degradadas, à segurança hídrica e à geração de renda para populações do Semiárido.
Além da dimensão ambiental, a desertificação é apontada como um desafio econômico e social, com impactos diretos sobre a produtividade rural, a disponibilidade de água e os meios de subsistência das comunidades locais.
Bioeconomia e transição energética
O Nordeste também pretende associar a agenda de recuperação da Caatinga ao protagonismo regional na transição energética. A região lidera a geração de energia eólica no país e vem ampliando rapidamente a produção de energia solar.
Durante os debates, especialistas defenderam que o enfrentamento da desertificação deve ser tratado como uma estratégia de desenvolvimento econômico, segurança alimentar e inclusão social.
Dados apresentados no seminário apontam que a degradação do solo afeta cerca de 18% do território brasileiro e compromete diretamente a produtividade de aproximadamente 1,7 milhão de estabelecimentos da agricultura familiar.
Representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Gustavo Kananca afirmou que a recuperação de áreas degradadas é fundamental para reduzir desigualdades e aumentar a resiliência climática.
“Restaurar a terra não é apenas uma agenda ambiental, é uma agenda de produção de resiliência, de justiça territorial e de futuro”, declarou.
Tecnologia e financiamento
Os participantes do seminário também defenderam a ampliação dos investimentos públicos voltados à recuperação do Semiárido, incluindo recursos de instituições como o BNDES e fundos regionais.
A inovação tecnológica apareceu como um dos pilares da estratégia regional. Entre os exemplos apresentados está o Sistema de Saneamento Ambiental e Reúso de Água (SARA), desenvolvido pelo Instituto Nacional do Semiárido (INSA), que recebeu investimentos de R$ 21 milhões para expansão.
Outro tema discutido foi a criação de mecanismos de remuneração para comunidades que preservam a vegetação nativa, incluindo iniciativas ligadas ao mercado de crédito de carbono.
As experiências desenvolvidas no Semiárido deverão ser apresentadas pelo Consórcio Nordeste durante a COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, prevista para ocorrer na Mongólia, reforçando a estratégia de internacionalização das soluções desenvolvidas na região.
Com informações do Movimento Econômico