Daniel Vorcaro e Augusto Lima, ex-sócios do Banco Master. Foto: reprodução

O empresário Augusto Lima trocou mensagens com Daniel Vorcaro que indicam a manutenção da proximidade entre os dois mesmo após o fim da sociedade no Banco Master. As conversas foram obtidas pela Polícia Federal nos celulares dos ex-sócios. Ele é pivô da nova fase da Operação Compliance Zero que atingiu o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Em diálogo de 29 de janeiro de 2025, acessado pelo Globo, Vorcaro se dirigiu a Lima em tom pessoal. “Irmão, na minha vida só sobrou você mesmo. De todas as pessoas que passaram e que fiz bem, não quero saber de mais ninguém. São decepções”.

Augusto Lima respondeu na mesma linha. “A recíproca é verdadeira. Como lhe disse, não é quanto, é com quem… Estou, estamos e estaremos juntos. Hoje, amanhã e sempre. Que nosso senhor do Bonfim e São Jorge iluminem nosso caminho. Vamos vencer. Beijo no coração”. Em seguida, encerrou o diálogo com “Te amoo”.

Vorcaro e Lima deixaram de ser sócios em maio de 2024, quando Augusto saiu do Banco Master. Para a PF, porém, o empresário continuou atuando em parceria com o ex-dono do banco, especialmente na tentativa frustrada de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), operação considerada fraudulenta pelos investigadores.

Daniel Vorcaro está preso na superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Augusto Lima, por sua vez, é monitorado por tornozeleira eletrônica. Ele foi um dos alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira (18), sob suspeita de ter repassado benefícios financeiros ao senador Jaques Wagner.

Augusto Lima e Daniel Vorcaro no Banco Master. Foto: reprodução

A PF afirma que mensagens, áudios e chamadas de voz indicam uma relação de “elevado grau de confiança pessoal” entre Lima e o líder do governo no Senado. Segundo os investigadores, essa proximidade teria aberto espaço para “tratativas em prol da defesa de interesses privados” do Banco Master.

Dois meses depois da troca de mensagens com Vorcaro, Augusto Lima também enviou elogios a Wagner. “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”.

A declaração, de acordo com a PF, ocorreu em março de 2025, quando o ex-sócio do Master explicava ao senador os termos da operação de compra do banco de Vorcaro pelo BRB. Os investigadores apontam possível relação entre parte de “vantagens indevidas” atribuídas ao parlamentar e sua atuação na fiscalização da operação no Senado.

A defesa de Augusto Lima afirmou que ele está “há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração” e classificou as diligências da Polícia Federal como “desnecessárias”.

Também declarou que “os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos” e que Lima “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.

Em nota, Jaques Wagner afirmou que “não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados” e que acompanha as apurações com tranquilidade.

O senador também declarou que o apartamento apontado como suposta propina “jamais integrou seu patrimônio como parlamentar”. Ele nega qualquer atuação em favor do Banco Master ou de outra instituição financeira.