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Flávio ganha espaço para reagir após PF mirar Jaques Wagner no caso Banco Master

Fonte: goias246.com.br | Data: 19/06/2026 09:26:49

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O GLOBO

Flávio ganha espaço para reagir após PF mirar Jaques Wagner no caso Banco Master Reprodução

A operação da Polícia Federal que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), mudou o clima no entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Depois de semanas sob desgaste pelos desdobramentos do caso Banco Master, incluindo reflexos em pesquisas de intenção de voto, aliados do pré-candidato à Presidência avaliam que, pela primeira vez desde o início do escândalo, ele deixou de carregar sozinho o custo político da crise.

O desgaste de Flávio cresceu após a revelação de sua atuação na busca de recursos para o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Agora, a avaliação de pessoas próximas ao senador é que a operação abriu espaço para uma disputa de narrativas considerada mais favorável.

Embora Flávio continue afirmando publicamente que sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro se limitou à busca de financiamento privado para uma produção audiovisual, interlocutores admitem, reservadamente, que o tema se tornou um dos principais passivos de sua pré-campanha.

Operação muda cálculo político

A preocupação no entorno de Flávio era especialmente grande diante da perspectiva de debates, entrevistas e sabatinas durante a corrida presidencial. Aliados reconheciam que adversários usariam o episódio para questionar a idoneidade do senador, obrigando-o a gastar parte relevante da campanha se defendendo de acusações.

A operação contra Jaques Wagner não elimina esse problema. Ainda assim, na avaliação de pessoas próximas ao pré-candidato, ela altera o cálculo político.

Pela primeira vez desde o caso Dark Horse, Flávio não precisaria apenas se defender, mas também poderia atacar na “mesma moeda”.

Poucas horas após a ação da PF, o senador passou a explorar publicamente esse caminho. Em publicação nas redes sociais, defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o Banco Master.

“Escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder. CPMI do Banco Master já!”, escreveu.

Apesar da insistência no assunto, interlocutores do senador afirmam que já está claro que uma comissão não será instalada tão cedo se depender da vontade do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Com isso, a defesa da CPMI tende a ser mais retórica do que uma medida com efeitos práticos imediatos de investigação parlamentar.

Flávio tenta vincular caso Master ao PT

Durante evento em São Paulo para lançar pontos de seu programa voltado à segurança pública, Flávio voltou ao tema e tentou associar o escândalo ao PT.

“O PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal com operação contra o líder do governo do PT no Senado Federal, Jaques Wagner. Isso é um alento de que a impunidade vai ser combatida. Como nós sempre dizemos, o cerne de todo esse problema era o PT da Bahia”, afirmou.

Nos bastidores, interlocutores relatam que as equipes de comunicação digital da campanha passaram o dia empenhadas em repercutir os desdobramentos da operação e reforçar a associação entre o caso Master e o núcleo político petista na Bahia.

Esse movimento ocorreu, em grande medida, logo nas primeiras horas após as ações de busca e apreensão contra Wagner.

Aliados afirmam que Flávio já vinha defendendo uma CPI e criticando o governo por causa do caso Master. Ainda assim, reconhecem que o discurso era frequentemente neutralizado pelo fato de o próprio senador estar politicamente implicado nas investigações.

Agora, avaliam, a campanha ganhou condições de voltar a explorar o tema da corrupção de forma mais agressiva.

Campanha quer retomar agenda propositiva

Apesar da tentativa de explorar politicamente a operação contra Wagner, o entorno de Flávio afirma que não pretende transformar a campanha em um debate permanente sobre o Banco Master.

Segundo aliados, o objetivo é aproveitar a mudança de cenário para retomar uma agenda considerada mais “propositiva”.

A estratégia ficou evidente nesta quinta-feira. No mesmo dia em que explorou a operação contra Wagner, Flávio lançou o programa “Brasil sem Medo”, conjunto de propostas para a área de segurança pública elaborado com a participação do senador Sérgio Moro (PL-PR) e do deputado Guilherme Derrite (PL-SP).

Entre as medidas defendidas estão a redução da maioridade penal, a castração química de estupradores, a classificação de facções criminosas como organizações narcoterroristas e a criação de presídios inspirados no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

Aliados veem alívio, mas admitem diferenças

Apesar do que descrevem como “breve alívio” provocado pela operação, aliados de Flávio ponderam que as situações não são equivalentes.

Eles reconhecem que o senador continuará submetido a um escrutínio maior por disputar a Presidência da República. Além disso, foi uma conversa sua com Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse que desencadeou a crise política da pré-campanha.

Jaques Wagner, por sua vez, ocupa posição diferente. Embora seja um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder do governo no Senado e figura histórica do PT, ele não disputará a eleição presidencial.

Reservadamente, aliados admitem que o peso eleitoral dos casos é distinto. Ainda assim, avaliam que a entrada de um dos políticos mais próximos de Lula na investigação reduz o isolamento político de Flávio dentro do escândalo e enfraquece a tentativa de associar o caso Master exclusivamente ao entorno bolsonarista.

A avaliação resumida por um interlocutor é que a proporção dos problemas pode ser diferente, mas a tendência é que a investigação passe a colocar personagens de campos políticos distintos dentro da mesma narrativa pública.

Jaques Wagner na mira da PF

A ação da Polícia Federal teve como alvo Jaques Wagner no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master, na nona fase da operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.

O senador é líder do governo no Senado e ocupa posição estratégica na articulação política do Palácio do Planalto no Congresso Nacional.

Durante as ações de busca e apreensão, foi apreendido um montante de US$ 49 mil, o equivalente a R$ 253 mil na cotação atual, em espécie em um endereço ligado ao senador em Brasília.

Wagner afirmou que o valor se refere a diárias recebidas para missões oficiais, mas que não foram gastas.

Segundo a decisão de Mendonça, Wagner foi o “beneficiário central” de “vantagens econômicas” pagas por integrantes do Banco Master em troca de sua atuação no Congresso Nacional em favor da instituição financeira.

Entre os benefícios identificados pela PF estão pagamentos de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, uso de aeronaves particulares e ingressos para um show em Los Angeles que teria custado R$ 63,3 mil.