Fitch revisa perspectiva da Equatorial para negativa após aporte bilionário na Copasa
Fonte: energialimpa.live | Data: 19/06/2026 11:55:02
A Fitch Ratings ajustou a perspectiva de crédito da Equatorial Energia para negativa, refletindo o impacto financeiro do recente aporte bilionário na Copasa sobre a alavancagem do grupo.
A estratégia de expansão da Equatorial Energia para além do segmento elétrico trouxe novos desafios aos seus indicadores de crédito. Após a aquisição de uma fatia de 30% na Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), com um aporte de R$ 5,6 bilhões, a agência de classificação de risco Fitch Ratings optou por alterar a perspectiva dos ratings das principais subsidiárias do grupo, passando de estável para negativa.
Apesar deste ajuste na perspectiva, a agência decidiu manter os ratings de longo prazo das distribuidoras, como a Equatorial Goiás e Equatorial Pará, no patamar “AA+(bra)”, além de confirmar a nota “AA(bra)” da Echoenergia Participações. A medida sinaliza que, embora a solidez operacional da companhia permaneça preservada, a estrutura de financiamento utilizada na transação mineira elevou as preocupações com o endividamento.
Impacto na alavancagem e geração de caixa
O uso massivo de dívida para financiar a entrada no setor de saneamento é o ponto central da cautela da Fitch. A agência projeta que a alavancagem líquida da Equatorial atingirá 4,8 vezes o Ebitda em 2026, mantendo-se acima do limite de 4,5 vezes considerado adequado para a manutenção do perfil atual.
“A agência projeta um deficit de caixa de aproximadamente R$ 2,7 bilhões ao ano em 2026 e 2027, resultado do pesado plano de aportes da companhia, estimado em R$ 8,8 bilhões anuais”, aponta o relatório da agência.
Resiliência e novos desafios operacionais
Por outro lado, a diversificação é vista como um movimento estratégico de longo prazo. Ao replicar o modelo adotado na compra de participação na Sabesp, a Equatorial busca garantir receitas em negócios regulados com menor volatilidade. A expectativa é que o saneamento, embora ainda tenha peso limitado no resultado consolidado, funcione como uma âncora de estabilidade financeira.
O cenário é agravado pelo chamado curtailment, que consiste nas restrições operativas impostas pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) aos ativos de energia renovável. Este fator tem reduzido a produção de parques eólicos e solares do grupo, gerando custos adicionais estimados em R$ 370 milhões para compensar déficits de geração nos próximos dois anos.
Apesar destas pressões, o grupo mantém uma liquidez robusta. Com R$ 11,6 bilhões em caixa e aplicações financeiras apurados até março, a empresa possui capacidade suficiente para cobrir seus compromissos de curto prazo. O foco do mercado, a partir de agora, recai sobre a capacidade da companhia em executar sua expansão sem comprometer a sustentabilidade de sua geração de caixa nos próximos anos.