Fitch avalia que curtailment e endividamento ainda pressionam Equatorial
Fonte: megawhat.uol.com.br | Data: 19/06/2026 15:28:44

A agência de classificação de risco Fitch Ratings avaliou que os cortes de geração, conhecidos no setor como curtailment, devem seguir pressionando o desempenho dos ativos de geração renovável da Equatorial, contribuindo para a manutenção da perspectiva negativa atribuída aos ratings de subsidiárias do grupo.
Apesar dos desafios enfrentados pelos ativos renováveis, a Fitch ressalta que a Equatorial mantém um perfil de negócios apoiado principalmente na distribuição de energia, segmento que deve continuar representando mais de 90% do Ebitda ajustado consolidado da companhia nos próximos anos.
O cenário traçado pela agência considera uma exposição relevante da companhia, por meio da subsidiária Echoenergia, ao mercado de curto prazo para recomposição de lastro contratual, diante da menor geração efetiva dos empreendimentos renováveis. Em suas projeções, a Fitch espera que os ativos eólicos gerem o equivalente a 88% de suas garantias físicas em cenário P-90, enquanto os ativos solares devem alcançar apenas 59% desse patamar.
Além disso, a Fitch estima desembolsos pela empresa de aproximadamente R$ 370 milhões entre 2026 e 2027 relacionados ao ressarcimento de déficits acumulados de geração eólica no mercado regulado. Como consequência, a contribuição das usinas renováveis para os resultados consolidados do grupo permanece limitada.
A expectativa da agência é que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), do segmento de geração da Equatorial fique em torno de R$ 670 milhões por ano em 2026 e 2027, representando cerca de 5% do Ebitda consolidado do grupo.
Nas premissas utilizadas para a análise, a Fitch considera uma geração efetiva média de aproximadamente 580 MW médios entre 2026 e 2028, frente a um volume anual de vendas contratadas próximo de 725 MW médios. A agência também projeta margem Ebitda média de cerca de 52% para o segmento de geração no período.
A agência ainda considerou um cenário de preços de energia incentivada para a parcela descontratada entre 2026 e 2028 em termos reais de R$ 294/MWh, R$ 253/MWh e R$ 226/MWh, respectivamente. Para o mercado de curto prazo, a agência projeta preços de R$ 326/MWh em 2026, R$ 235/MWh em 2027 e R$ 198/MWh em 2028.
Ao comparar a Equatorial com outros grupos do setor, a Fitch destacou que o segmento de geração de energia tem enfrentado volatilidade adicional em razão dos cortes de geração. No caso da CPFL Energia, por exemplo, a agência observou que os efeitos do curtailment atingem uma parcela relevante da geração de caixa do negócio de geração, que responde por quase 30% do Ebitda do grupo.
Impacto positivo da Copasa
A Fitch ainda vê como positiva a aquisição de participação na Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), avaliando que o ativo possui perfil de crédito robusto e elevada previsibilidade de demanda. A Copasa deve contribuir com aproximadamente 4% do Ebitda ajustado da Equatorial.
No entanto, a compra, estimada em R$ 5,6 bilhões e majoritariamente financiada por dívida, deve pressionar a estrutura de capital da Equatorial e elevar sua alavancagem financeira nos próximos anos.
Na projeção da agência, a relação dívida líquida ajustada/Ebitda deve subir para 4,8 vezes em 2026 e 4,6 vezes em 2027, acima do cenário anterior de 4,4 vezes e 4,2 vezes, respectivamente. Em março de 2026, esse indicador já estava em 4,6 vezes.
No cenário-base, a agência considera o uso de um empréstimo-ponte para financiar a aquisição, posteriormente refinanciado com dívida de longo prazo e potenciais recursos gerados pelos ativos investidos. Em um cenário mais pressionado, com financiamento integral via dívida, a alavancagem poderia atingir entre 4,7 e 4,8 vezes no período analisado.
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