Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Segurança Energética foi objetivo do Leilão de Capacidade

Fonte: mais.opovo.com.br | Data: 20/06/2026 02:29:15

🔗 Ler matéria original

Edição Impressa

Tipo

Notícia

O setor elétrico brasileiro vive transformações profundas e paradoxos estruturais, gerando debates, às vezes irracionais, entre térmicas e tecnologias de armazenamento em baterias. Em 2001, o país sofria com escassez de produção e falta de integração da rede, o que resultou no racionamento durante o governo FHC. Hoje, a realidade é outra: após décadas de investimentos, o Brasil consolidou uma matriz limpa e diversificada.

Em 2001, a potência instalada era de 75 GW. Hoje, alcança 216 GW, sem contar a geração distribuída em milhares de sistemas solares residenciais e comerciais. Somadas, essas fontes superam 250 GW. Embora afastem riscos de falta de energia, a maior parte é intermitente, incapaz de atender sozinha aos picos diários, entre 18h e 21h.

O Sistema Interligado Nacional (SIN) tem energia abundância de fonte solar durante o dia, mas enfrenta queda ao entardecer, horário de pico. Para evitar apagões, é necessária “energia firme”, disponível ao ser acionada. Por isso, Aneel e CCEE realizaram, em março, o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), contratando 19 GW para reforçar o SIN.

A contratação de térmicas gerou críticas sobre a ausência de baterias. Mas a dicotomia é falsa: baterias respondem rápido quando acionadas, mas não mantêm oferta prolongada. Estudos do ONS e da EPE mostram que, com mais renováveis, é necessária potência firme para confiabilidade imediata, enquanto se prepara o futuro escalonamento de baterias. O leilão não as excluiu; atendeu à demanda atual. Especialistas estimam que o armazenamento em baterias pode alcançar vários gigawatts, se superados desafios regulatórios
e de remuneração.

A ideia de que o leilão interrompe investimentos em renováveis, especialmente no Nordeste, não se sustenta. A região é polo de geração renovável, e o leilão assegura novos aportes de R$ 64,5 bilhões, com destaque para o Ceará, que se consolida em energia firme e renovável. Petrobras e Eneva reforçam a economia local e a indústria regional.

Persistem desafios, como curtailment, cortes obrigatórios da geração das renováveis quando a oferta supera a demanda ou a capacidade de escoamento. Isso tem sido agravado pela microgeração distribuída, que hoje já equivalente a quatro Itaipus. Esses sistemas baseados em microgeração não podem ser desligados pelo ONS e dessa forma o Operador é obrigado a paralisar a geração dos parques eólicos e solares durante o dia, gerando prejuízo para as renováveis. É uma situação que precisa ser equalizada.

No futuro, todo o excedente será necessário para data centers, frotas elétricas e hidrogênio verde. É preciso compreender que térmicas e baterias são complementares, não concorrentes, e isso é essencial para estabilidade energética e priorização do consumidor. n