Telemedicina avança com foco em acesso e segurança
Fonte: mundorh.com.br | Data: 21/06/2026 09:56:34
Expansão dos atendimentos remotos no Brasil impulsiona debate sobre humanização, segurança digital e critérios clínicos para uso da tecnologia.
A telemedicina vem consolidando seu espaço no sistema de saúde brasileiro como uma alternativa para ampliar o acesso a consultas, diagnósticos e acompanhamento médico. Regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) por meio da Resolução nº 2.314/2022, a prática engloba diferentes modalidades de atendimento mediadas por tecnologia, incluindo teleconsulta, telediagnóstico, telemonitoramento e telecirurgia.
Os números refletem o avanço dessa modalidade no país. Apenas no Sistema Único de Saúde (SUS), mais de 4,6 milhões de atendimentos remotos foram realizados desde o início de 2023, evidenciando o crescimento da utilização de recursos digitais para assistência médica, especialmente em um país com dimensões continentais e desafios relacionados à distribuição de profissionais e serviços de saúde.
Apesar da expansão, especialistas destacam que a telemedicina deve ser entendida como uma ferramenta complementar ao atendimento tradicional. Para o médico Alexandre Eduardo Franzin Vieira, docente da Escola da Saúde da UniFacens, o atendimento presencial continua sendo a principal referência para a prática médica.
“O presencial permanece como o padrão ouro. A telemedicina funciona como um recurso importante para ampliar o acesso e facilitar o acompanhamento dos pacientes, mas não substitui a avaliação presencial quando ela é necessária”, afirma.
Critério clínico continua sendo decisivo
Uma das discussões recorrentes sobre o tema envolve a definição de quais situações podem ser conduzidas remotamente e quais exigem atendimento presencial. Segundo os especialistas, essa decisão depende da avaliação individual de cada caso.
De acordo com a médica Maria Tereza Verrone Quilici, também docente da UniFacens, não existe uma classificação rígida que determine previamente quais condições podem ser tratadas exclusivamente por teleconsulta.
“O critério central é o julgamento clínico associado à segurança do paciente. Sempre que o profissional identificar uma complexidade que exija exame físico ou investigação complementar imediata, o paciente deve ser encaminhado para atendimento presencial”, explica.
O desafio da humanização digital
Além das questões técnicas, a telemedicina também levanta debates sobre a qualidade da relação entre médico e paciente em ambientes virtuais.
Para Maria Tereza, manter vínculo, empatia e comunicação efetiva através de uma tela exige atenção especial dos profissionais de saúde. Segundo ela, a construção de confiança não depende apenas da presença física, mas também da forma como a consulta é conduzida.
“Consultas podem ser frias tanto no ambiente presencial quanto no digital. Existem estudos e práticas voltadas justamente para aprimorar a comunicação médica em diferentes cenários, incluindo o atendimento remoto”, observa.
Especialistas apontam que recursos tecnológicos, registros digitais, protocolos estruturados e ferramentas baseadas em inteligência artificial podem auxiliar nesse processo, sem substituir a interação humana.
Como tornar a teleconsulta mais eficiente
Para que os pacientes aproveitem melhor as consultas virtuais, profissionais recomendam alguns cuidados prévios.
Entre as orientações estão a preparação de uma lista de dúvidas e sintomas, a organização de informações relevantes sobre o histórico de saúde e a manutenção de registros atualizados, como pressão arterial, frequência cardíaca, peso, altura e medicamentos em uso.
Outra recomendação é registrar as orientações médicas recebidas durante a consulta para facilitar o acompanhamento posterior do tratamento.
“A atenção plena durante o atendimento é essencial. O paciente deve dedicar aquele momento exclusivamente à consulta para garantir melhor aproveitamento da conversa com o profissional”, destaca Alexandre Vieira.
Segurança digital exige atenção redobrada
O crescimento da telemedicina também aumenta a necessidade de cuidados com a segurança digital.
Segundo Eliney Sabino, coordenador dos cursos de Tecnologia da UniFacens, pacientes devem priorizar plataformas oficiais de hospitais, clínicas e instituições reconhecidas, evitando links enviados por fontes desconhecidas ou atendimentos realizados sem identificação institucional adequada.
“O ideal é verificar a procedência da plataforma utilizada e desconfiar de solicitações incomuns de pagamento ou compartilhamento de informações pessoais”, orienta.
O especialista recomenda ainda o uso de autenticação em dois fatores, redes seguras de internet e meios de pagamento protegidos. Receitas e atestados digitais, por exemplo, contam atualmente com mecanismos de validação como assinatura eletrônica certificada e QR Codes para autenticação dos documentos.
Para Sabino, a tecnologia oferece mecanismos robustos de proteção, mas a conscientização dos usuários continua sendo fundamental.
“Muitos golpes exploram justamente a desatenção das pessoas por meio de mensagens falsas, perfis clonados e páginas fraudulentas. A segurança depende tanto das plataformas quanto do comportamento dos usuários”, afirma.
Tendência de crescimento
Especialistas avaliam que a telemedicina deve continuar avançando nos próximos anos, impulsionada pela digitalização dos serviços de saúde, pela ampliação da conectividade e pela busca por maior eficiência nos atendimentos.
Ao mesmo tempo, o consenso entre profissionais é de que a tecnologia não substitui a medicina tradicional, mas amplia as possibilidades de acesso e acompanhamento, desde que utilizada de forma responsável, segura e alinhada aos critérios clínicos necessários para cada paciente.
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