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Suspender vacina contra dengue demonstra seriedade, diz ministro da Saúde

Fonte: opovo.com.br | Data: 21/06/2026 12:44:23

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Vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan teve aplicação suspensa no começo deste mês; imunizante Qdenga, do laboratório Takeda, segue em aplicação no SUS e na rede privada
Vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan teve aplicação suspensa no começo deste mês; imunizante Qdenga, do laboratório Takeda, segue em aplicação no SUS e na rede privada


Resumo

Vacinação contra dengue foi suspensa após duas mortes terem suspeita de ligação com o uso do imunizante;

Imunização já foi aplicada em mais de 500 mil pessoas;

Segundo ministro da Saúde, 42 pacientes tiveram sintomas não descritos nos estudos clínicos da vacina;

Governo está investigando efeitos colaterais, inclusive óbitos, e não há previsão de retomada da campanha de vacinação;

Além da vacina produzida pelo Instituto Butantan, Ministério da Saúde adquiriu 18 milhões de doses de imunizante fabricado por laboratório japonês.

A interrupção temporária da aplicação de vacinas contra a dengue demonstra a “seriedade” do Governo Federal com a segurança do imunizante, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A afirmação foi feita em entrevista ao jornal O Globo publicada neste domingo, 21.

Segundo Padilha, o Ministério da Saúde tem “um sistema de vigilância sério”. Por este motivo, de acordo com ele, o órgão decidiu suspender a campanha de vacinação após identificar efeitos colaterais não apresentados nos estudos clínicos.

Efeitos da vacina contra a dengue: 42 pacientes tiveram reações inesperadas

O ministro pontuou que, até o momento, mas de 500 mil pessoas foram imunizadas contra a dengue no Brasil. Destas, 42 apresentaram efeitos colaterais não descritos nos estudos clínicos feitos antes da aprovação da vacina.

Entre os casos estão dois óbitos. Um deles é de uma mulher de 48 anos, de Paranapanema (SP), que desenvolveu sintomas de dengue grave, com complicações neurológicas, 19 dias após tomar o imunizante. A outra morte foi de um homem de 58 anos, em Santo André (SP), que também faleceu após apresentar sintomas de dengue grave.

Um terceiro caso considerado de alta gravidade também foi informado pelo Ministério da Saúde. Uma mulher de 39 anos, moradora de Fortaleza, começou a apresentar sintomas de dengue seis dias após a imunização. Ela passou por internação e chegou a ser encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas se recuperou e recebeu alta.

De acordo com Padilha, a suspensão indica que o Ministério e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não permitem a aplicação de vacinas que possam “significar um risco para a população brasileira”. Ele pontuou ainda que não há previsão de volta da imunização, mas que o órgão espera retomar a campanha “o mais rápido possível”.

Ao determinar a interrupção da campanha, o órgão reforçou que as ocorrências de efeitos colaterais inesperados correspondem a 0,008% do total de doses aplicadas. Segundo o Ministério, ainda não foi comprovada correlação entre o uso da vacina e as reações adversas, e os casos seguem sob investigação.

Governo comprou “quase toda a produção” mundial de vacinas contra a dengue

Ainda segundo o ministro, o Governo Federal adquiriu praticamente todas as vacinas contra a dengue produzidas globalmente. “Só existem duas vacinas contra dengue, e a gente comprou as duas”, pontuou.

A primeira, produzida pelo Instituto Butantan, é a que teve a aplicação suspensa. Há ainda outro imunizante, produzido pelo laboratório japonês Takeda. Padilha afirma que o Ministério da Saúde comprou “quase toda a produção da Takeda no mundo”, totalizando 18 milhões de doses.

Vacinas contra a dengue estão disponíveis no SUS e na rede privada

A vacina Qdenga, produzida pelo Takeda, também é ofertada na rede particular. Segundo dados do Ministério da Saúde, até outubro de 2025, mais de 7 milhões de doses do imunizante já haviam sido aplicadas no Brasil, sendo mais de 6 milhões pelo sistema público de saúde.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a Qdenga é usada desde 2024. Ela é destinada a crianças e adolescentes, com a o calendário vacinal recomendando a aplicação entre os 10 e os 14 anos.

A vacina Butantan-DV, por sua vez, estava sendo aplicada em profissionais que atuam na atenção primária à saúde, além de uma fase de testes em três cidades: Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape. Nestes locais, a vacina era oferecida à população de 15 a 59 anos.

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