Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Calor extremo: o que é, por que está se tornando mais frequente e quais são os riscos para a saúde e para as cidades

Fonte: umsoplaneta.globo.com | Data: 24/06/2026 15:08:35

🔗 Ler matéria original

O calor extremo já é considerado um dos eventos climáticos mais perigosos do planeta. Diferentemente de furacões, enchentes ou terremotos, seus impactos costumam ser silenciosos: ele agrava doenças cardiovasculares e respiratórias, aumenta casos de desidratação, sobrecarrega hospitais, compromete o funcionamento de cidades e pode levar à morte.

Nos últimos anos, ondas de calor recordes atingiram Europa, Ásia, América do Norte e América do Sul, reforçando um consenso científico: a crise climática está tornando esses episódios mais frequentes, intensos e duradouros. Segundo estudo publicado na Nature Climate Change, o calor extremo já alcança atualmente um bilhão de pessoas a mais do que há 50 anos.

Mas afinal, o que caracteriza um calor extremo? Como ele afeta o corpo humano? E por que noites quentes podem ser tão perigosas quanto temperaturas elevadas durante o dia?

O que é calor extremo?

Calor extremo é uma condição em que temperaturas elevadas, combinadas a fatores como umidade, radiação solar e pouca circulação de vento, aumentam significativamente os riscos para a saúde humana, os ecossistemas, a infraestrutura e a economia.

Embora muitas pessoas associem o fenômeno apenas às ondas de calor, elas representam apenas uma das formas de manifestação do calor extremo.

Não existe uma temperatura universal que defina esse tipo de evento. O risco depende das condições climáticas habituais de cada região e da capacidade de adaptação das pessoas, da infraestrutura e dos ecossistemas.

Por isso, uma temperatura de 30°C pode representar uma situação excepcional no norte da Europa, enquanto é considerada comum em cidades tropicais.

Homem sua sob calor intenso enquanto turistas usam guarda-chuva para se proteger do sol na região do Trocadéro, em frente à Torre Eiffel, durante onda de calor na França, em junho de 2026. — Foto: Jerome Gilles/NurPhoto via Getty Images
Homem sua sob calor intenso enquanto turistas usam guarda-chuva para se proteger do sol na região do Trocadéro, em frente à Torre Eiffel, durante onda de calor na França, em junho de 2026. — Foto: Jerome Gilles/NurPhoto via Getty Images

O que é uma onda de calor?

Uma onda de calor ocorre quando temperaturas excepcionalmente altas persistem durante vários dias consecutivos em relação ao padrão esperado para determinada região.

Mais importante do que o pico de temperatura é o acúmulo de calor ao longo dos dias e das noites.

Durante condições normais, as temperaturas caem à noite, permitindo que o corpo humano, os edifícios e o ambiente dissipem parte do calor acumulado ao longo do dia.

Quando as noites permanecem quentes, esse processo de recuperação é interrompido, aumentando o estresse térmico e elevando o risco de adoecimento e mortes.

Assine aqui a nossa newsletter

Por que o calor extremo está aumentando?

Especialistas apontam que vários fatores atuam simultaneamente. O principal deles é o aquecimento global provocado pelas emissões de gases de efeito estufa (associada principalmente à queima massiva de combustíveis fósseis), que elevou a temperatura média do planeta e faz com que novas ondas de calor partam de uma linha de base já mais quente.

Além disso, outros fatores podem intensificar esses episódios:

oceanos mais quentes;
solos ressecados pela falta de chuva;
sistemas de alta pressão atmosférica (“domos de calor”);
fenômenos naturais como o El Niño, que podem potencializar temperaturas em determinadas regiões.

O resultado é uma combinação que favorece eventos cada vez mais extremos.

Meninos se molhando em dia de calor forte no Rio de Janeiro. — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Meninos se molhando em dia de calor forte no Rio de Janeiro. — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Quem corre mais risco?

Embora qualquer pessoa possa sofrer os efeitos do calor extremo, alguns grupos são particularmente vulneráveis. Entre eles estão:

– idosos;
– bebês e crianças pequenas;
– gestantes;
– pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais;
– trabalhadores expostos ao sol;
– atletas;
– pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Nos idosos, o organismo perde parte da capacidade de regular a temperatura corporal e a sensação de sede diminui, aumentando o risco de desidratação. Já bebês possuem mecanismos de controle térmico ainda imaturos, tornando-os mais sensíveis ao calor.

Pesquisas também mostram associação entre temperaturas extremas durante a gravidez e maior risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Como o calor afeta o corpo?

O corpo humano mantém sua temperatura principalmente por meio da transpiração. Quando o ambiente está muito quente — especialmente se houver alta umidade — esse mecanismo perde eficiência.
A consequência pode ser uma sequência de problemas que inclui:

– desidratação;
– exaustão pelo calor;
– agravamento de doenças cardíacas;
– piora de doenças respiratórias;
– sobrecarga dos rins;
– aumento do risco de insolação.

Nos casos mais graves, o organismo deixa de controlar a própria temperatura, situação considerada uma emergência médica.

Idoso atravessando rua em dia de calor no Rio de Janeiro. — Foto: © Tomaz Silva/Agência Brasil
Idoso atravessando rua em dia de calor no Rio de Janeiro. — Foto: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Por que noites quentes são tão perigosas?

Um dos fatores que mais preocupam os especialistas é o aumento das temperaturas noturnas. Sem o resfriamento durante a madrugada, o corpo permanece sob estresse por muitas horas consecutivas.

Esse acúmulo de calor reduz a capacidade de recuperação do organismo e está associado ao aumento da mortalidade durante ondas de calor. Além disso, edifícios, ruas e concreto liberam lentamente o calor absorvido durante o dia, intensificando o efeito nas áreas urbanas.

Os impactos vão além da saúde

O calor extremo também pressiona diversos sistemas essenciais para o funcionamento das cidades. Entre os principais impactos estão:

– aumento do consumo de energia;
– sobrecarga dos sistemas elétricos;
– interrupções no transporte;
– deformação de trilhos e pavimentos;
– maior risco de incêndios florestais;
– perdas na agricultura;
– redução da disponibilidade de água;
– impactos sobre ecossistemas terrestres e marinhos.

Quando ocorre simultaneamente a períodos de seca, o calor intenso pode ampliar ainda mais os riscos para abastecimento de água, produção de alimentos e geração de energia.

Pessoas enfrentam um dia de muito calor em São Paulo em 26 de janeiro de 2025 — Foto: Getty Images
Pessoas enfrentam um dia de muito calor em São Paulo em 26 de janeiro de 2025 — Foto: Getty Images

Como se proteger durante uma onda de calor?

As autoridades de saúde recomendam algumas medidas simples que podem reduzir significativamente os riscos:

– beber água regularmente;
– evitar exposição ao sol nos horários mais quentes;
– procurar ambientes frescos e ventilados;
– usar roupas leves;
– manter cortinas fechadas durante o dia e abrir janelas à noite, quando a temperatura externa estiver mais baixa;
– acompanhar alertas meteorológicos;
– observar idosos, crianças e pessoas que vivem sozinhas.

É importante procurar atendimento médico imediato caso uma pessoa apresente confusão mental, perda de consciência, convulsões ou temperatura corporal muito elevada.

Calor extremo é um desafio de adaptação climática

Embora medidas individuais ajudem a reduzir riscos, especialistas alertam que elas não são suficientes. À medida que eventos extremos se tornam mais frequentes, cresce a necessidade de cidades adaptadas ao calor, com mais áreas verdes, moradias melhor ventiladas, sistemas de alerta precoce, hospitais preparados, proteção para trabalhadores expostos e espaços públicos de resfriamento.