Caso Master: Jaques Wagner deixa a liderança do governo no Senado
Fonte: gpsbrasilia.com.br | Data: 24/06/2026 17:53:01
O senador Jaques Wagner (PT-BA) pediu, nesta quarta-feira (24), licença do cargo de líder do governo no Senado Federal. O petista ocupava o posto desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ainda não há uma definição sobre quem irá substitui-lo no cargo.
A saída ocorre após o senador se tornar alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). Diante das revelações que o colocam no centro do caso Master, sua permanência na liderança já era considerada insustentável nos bastidores.
O parlamentar vinha sendo pressionado a deixar a função, inclusive por integrantes do governo, que temiam os reflexos do episódio na campanha de reeleição de Lula.
Operação Compliance Zero
A Polícia Federal deflagrou na última quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras, corrupção e tráfico de influência relacionado ao Banco Master. A nova etapa das investigações tinha como alvo o então líder do governo no Senado e foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, além da imposição de medidas cautelares como monitoramento eletrônico, suspensão de passaportes e proibição de contato entre investigados.
Segundo a PF, a investigação aponta uma relação próxima e antiga entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e apontado como um dos principais articuladores dos interesses do Banco Master junto ao meio político. Para os investigadores, essa proximidade teria favorecido negociações reservadas voltadas à defesa de interesses privados do grupo financeiro dentro do Congresso Nacional.
As suspeitas ganharam força após a análise de mensagens, áudios, contratos, registros bancários e documentos encontrados em celulares apreendidos em fases anteriores da operação. De acordo com a PF, o material sugere que Wagner teria atuado em pautas legislativas de interesse do Banco Master, incluindo propostas relacionadas à ampliação do crédito consignado e à chamada “Emenda Master”, que alterava regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Os investigadores afirmam que, em contrapartida, o senador e pessoas ligadas ao seu núcleo familiar teriam recebido benefícios indevidos. Entre eles estão um apartamento de alto padrão no bairro do Horto Florestal, em Salvador, avaliado em mais de R$ 2,4 milhões, além de repasses financeiros que somariam cerca de R$ 3,5 milhões. Também são investigados o uso de aeronaves particulares e o pagamento de ingressos para eventos no exterior destinados a familiares do parlamentar.