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No Rio, violência urbana afetada saúde mental de motoristas de ônibus

Fonte: tvbrasil.ebc.com.br | Data: 03/09/2026 22:23:45

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No Rio de Janeiro, somente em 2026, 126 ônibus do transporte público foram tomados por criminosos e depois usados como barricadas para impedir a passagem em ruas e avenidas. A violência urbana tem afetado a saúde mental dos motoristas profissionais do transporte coletivo, que precisam trabalhar todos os dias e que acabam vítimas da criminalidade.

Ônibus incendiados, passageiros e motoristas indefesos; coletivos sequestrados e usados como barricadas. Essa prática tem sido comum no Rio de Janeiro nos últimos tempos. Criminosos param os ônibus, retiram as chaves e os deixam no meio da rua para atrapalhar a chegada da polícia ou bandidos de outras facções. Isso tem espalhado medo generalizado entre os cerca de 18 mil motoristas de ônibus da cidade do Rio. O resultado é uma verdadeira epidemia de problemas psicológicos na categoria.

Antônio Bustamante (diretor do Sindicato dos Rodoviários do Rio): “Muitos já tiveram ameaça direta de agressões, até com armas apontadas para a cabeça. E aí abala o psicológico de todo mundo, criando esse estresse. Se inicia com esse processo, pedir para trocar de linha. E quando não alcança esse objetivo, até porque, muitas vezes, não é reconhecido esse agravamento até da doença psicológica, não é muito reconhecida, aí acaba o profissional, às vezes, pedindo até demissão.”

De acordo com a entidade que representa as empresas de ônibus da capital fluminense, Rio Ônibus, entre janeiro e o início de setembro deste ano, 126 coletivos foram usados como barricadas. Somente no mês de agosto, 46 ônibus acabaram sequestrados para bloquear o trânsito. No ano passado, segundo o Instituto de Segurança Pública, a cidade do Rio de Janeiro registrou 4.449 assaltos a ônibus.

As estatísticas mostram: o medo é um passageiro frequente dos motoristas de ônibus. Eles saem de casa, mas nem sempre sabem se voltam. É o caso deste motorista. Em quase 30 anos de profissão, ele já foi vítima da criminalidade durante o trabalho diversas vezes, algumas em assaltos com armas apontadas contra a sua cabeça.

Carlos Eduardo (motorista de ônibus): “A vida passa em segundos. Porque você não sabe qual é a reação do bandido que vem ali. Ele vem cinquenta a cinquenta, ou ele vai matar ou ele vai morrer. Então a gente está nessa alça de mira dele. A gente continua com aquele medo constante. Principalmente eu, que trabalho aqui nessa via já há mais de 30 anos. Amparado simplesmente com Jesus e minha Nossa Senhora Aparecida. Porque é só na fé, cara.”

O Rio Ônibus, entidade que representa as empresas, informou que, em situações de conflito, risco de violência, barricadas ou vandalismo, a prioridade é preservar a integridade de todos, e uma das medidas preventivas é alterar os itinerários das linhas dos coletivos quando não há condições seguras de circulação. Já a Secretaria de Estado de Polícia Militar afirmou que, em casos de ameaças aos trabalhadores do setor rodoviário, esses casos são monitorados pela corporação com o objetivo de reduzir esse tipo de crime e prender os criminosos.

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