Diante de El Niño, Light antecipa em dois meses Plano Verão – MegaWhat
Fonte: megawhat.uol.com.br | Data: 04/09/2026 07:26:32

A Light, distribuidora que atende 4,3 milhões de unidades consumidoras em 31 municípios do estado do Rio de Janeiro, antecipou de novembro para setembro o início do seu Plano Verão. A decisão foi motivada pela previsão da ocorrência do El Niño, que deve intensificar eventos climáticos extremos em um período em que as temperaturas mais altas já elevam o consumo de energia e pressionam a rede de distribuição.
“A gente planejou esse aumento no volume de ocorrências, para planejar o nosso aumento de recursos, tanto em campo quanto no Centro de Operações Integrado (COI). E, além disso, intensificamos as manutenções preventivas, que é algo que estava registrado em novembro, a gente já está fazendo para setembro e outubro, exatamente para ter essa resiliência de rede mais eficiente”, disse João Paulo Parreira, superintendente de Operações Integradas da Light.
A empresa firmou acordos com diferentes empresas de monitoramento meteorológico que indicam eventos climáticos com antecipação entre 10 dias e seis horas. Assim, a Light consegue antecipar a logística dos atendimentos, deslocando equipes e recursos para as regiões onde possa haver ocorrências significativas.
Além disso, ampliou as equipes em campo e, em dias com maior volume de ocorrências, consegue aumentar em até quatro vezes o número de profissionais mobilizados ao longo do dia. A empresa também aumentou a disponibilidade de geradores para atendimento a situações emergenciais. Segundo os técnicos da companhia, parte importante da demora no restabelecimento da energia em ocorrências que necessitam de geradores se deve ao deslocamento dos equipamentos.
O número de técnicos no COI, que monitora o funcionamento do sistema elétrico, também foi ampliado. Além do COI, a Light mantém equipes dedicadas no Centro de Operações Rio (COR) e no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), de competência municipal e estadual, viabilizando o monitoramento e atendimento integrado com outras equipes governamentais.
Medidas implementadas ao longo do ano pela Light
As ações do Plano Verão se juntam a outras medidas que a concessionária vem adotando ao longo do ano. Segundo a Light, entre 2025 e 2026 houve aumento de 45% nos serviços realizados de forma preventiva na rede. Até julho deste ano, cerca de 11,6 mil quilômetros de rede foram inspecionados. No mesmo período, a concessionária executou 56 mil serviços na rede e instalou 247 novos equipamentos de proteção telecomandados.
Em relação à poda de árvores, a companhia prevê realizar 413 mil serviços até o final de 2026, contra 364 mil podas realizadas em 2025. A concessionária, entretanto, ressalta que o manejo das árvores é atribuição da prefeitura, e que apenas envia suas equipes quando a vegetação está em contato ou prestes a entrar em contato com a estrutura elétrica.
A Light também firmou acordo com a empresa de limpeza urbana do Rio de Janeiro, a Comlurb, para a realização da poda de árvores próximas à rede elétrica sem necessidade de interrupção no fornecimento de energia. A operação utiliza equipamentos especiais que permitem o trabalho com a rede energizada e, até o momento, já resultou na poda de 315 árvores dentro deste cenário.
Investimento de R$ 10 bilhões em cinco anos
Depois de garantir a renovação da concessão da distribuidora por mais 30 anos, a Light planeja investir R$ 10 bilhões nos próximos cinco anos para fortalecer a infraestrutura no longo prazo.
Os recursos serão destinados à modernização e ampliação da infraestrutura e equipamentos, automação de redes e implementação de novas tecnologias para aumentar a confiabilidade, a resiliência e a eficiência do sistema de distribuição.
Segundo a Light, o novo ciclo de investimentos pretende também preparar a empresa para o crescimento da demanda por energia, incluindo a expansão de data centers e de aplicações de inteligência artificial, além de fortalecer a rede para enfrentar eventos climáticos extremos, como ondas de calor intenso e tempestades.
O novo contrato de concessão também prevê tratamento especial para áreas de severa restrição operacional (ASRO). A regulação para estes casos ainda será elaborada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas a distribuidora vê com bons olhos a possibilidade de tratamento diferenciado.
“A possibilidade de uma tarifa específica para áreas de risco, trazida no novo arcabouço contratual, é fundamental para redução de furto e inadimplência”, diz, em nota, Alexandre Nogueira, CEO da Light.
Roubo de cabos já causou prejuízos de R$ 9,4 milhões em 2026
Além das altas temperaturas do verão e dos eventos climáticos do El Niño, outro fator que pressiona a rede da Light são os furtos de cabos e furtos de energia, que sobrecarregam a rede. A Light afirma ter a quarta maior rede subterrânea do mundo, que corresponde a 70% dos cabos enterrados do Brasil.
Boa parte desta estrutura é de cabos de cobre, bom condutor de energia e alvo de furtos em função de seu alto valor agregado.
De acordo com Leonardo Bersot, gerente de Subterrâneo da companhia, somente em 2026 a Light já registrou 718 ocorrências relacionadas ao furto de cabos, com perda de 70 mil metros de fiação, totalizando prejuízos de R$ 9,4 milhões. A empresa também calcula investir cerca de R$ 25 milhões por ano na troca de cabos.
A Light afirma haver em sua área de atuação quadrilhas especializadas no furto de cabos, com maquinário específico e capazes de subtrair centenas de metros em apenas uma ocorrência. Há, ainda, ações pontuais de indivíduos que, mesmo quando não conseguem furtar longas extensões, provocam danos à rede.
A empresa também explica que, em função da redundância da rede subterrânea, nem sempre o furto de cabos resulta em queda imediata de energia.
Na maioria dos casos, a Light substitui os cabos de cobre furtados por cabos de alumínio, que têm menor valor comercial, como forma de desencorajar novos roubos.
Entretanto, o alumínio demanda o dobro de material para conduzir a mesma energia e, por isso, pode ser necessária a realização de obras civis para ampliação do diâmetro dos dutos existentes. “Em alguns casos, vai ser inviável fazer a substituição por conta dos dutos existentes”, diz o diretor de Distribuição da Light, Rodrigo Brandão, mencionando casos que demandam, por exemplo, a interdição de grandes vias para a ampliação do diâmetro dos dutos.
Furto de energia causa prejuízo de R$ 1,3 bilhão por ano
Outro problema da distribuidora é o furto de energia, que causa prejuízo de R$ 1,3 bilhão por ano. A concessionária calcula que, a cada 100 clientes em sua área de concessão, 36 furtam energia.
Somente neste ano, até agosto, a Light regularizou mais de 179 mil ligações clandestinas em residências e comércios e recuperou 259 GWh de energia, volume suficiente para abastecer cerca de 95 mil residências durante um ano.
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