Lula defende investigação do caso Banco Master “doa a quem doer” e cobra atuação do STF e da PGR
Fonte: jurinews.com.br | Data: 04/09/2026 08:48:24
Presidente classificou o episódio como o maior roubo da história do país e criticou a ocorrência de vazamentos seletivos de informações sigilosas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, na quinta-feira (3), uma investigação ampla sobre o caso envolvendo o Banco Master, afirmando que eventuais envolvidos devem ser responsabilizados “doa a quem doer”. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Lula afirmou que há suspeitas envolvendo políticos e agentes públicos e cobrou do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) a condução de um processo capaz de preservar a credibilidade das apurações.
Segundo Lula, ninguém deve ser protegido durante as investigações. Ele classificou o episódio envolvendo o Banco Master como o “maior roubo da história do Brasil” e afirmou que Daniel Vorcaro, fundador da instituição, mantém relações com pessoas influentes. O presidente também criticou a divulgação de informações sigilosas de investigações. Para Lula, os vazamentos têm ocorrido de maneira “seletiva”, o que poderia comprometer a confiança no andamento das apurações. Ele não citou nominalmente nenhuma autoridade durante o pronunciamento.
A manifestação ocorre em meio à crise provocada pelas relações entre Vorcaro e integrantes do Judiciário. Nos últimos dias, o Palácio do Planalto passou a acompanhar com maior atenção as repercussões do caso, especialmente diante das tentativas de adversários políticos de associar Lula ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A equipe do presidente considera falsa a tentativa de estabelecer uma relação política direta entre Lula e Moraes. A mesma lógica, segundo a avaliação da campanha petista, poderia ser aplicada ao ministro André Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesse entendimento, a associação de Mendonça ao grupo político de Bolsonaro poderia levar a uma tentativa de vinculação do magistrado ao Partido Liberal e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa eleitoral. A crise também levou Lula a se reunir com ministros do Supremo. Na noite de terça-feira (1º), o presidente recebeu Edson Fachin e Gilmar Mendes no Palácio do Planalto.
Embora tenha evitado mencionar diretamente Alexandre de Moraes em seu pronunciamento, Lula reforçou que as investigações precisam alcançar todos os envolvidos, independentemente de posição política ou influência. A cobrança por uma apuração sem blindagens busca também preservar a confiança nas instituições responsáveis pelo caso.
Ao defender que o processo seja conduzido pelo Supremo e pela PGR, o presidente colocou a atuação das duas instituições no centro da resposta às suspeitas. Lula afirmou que o momento exige uma investigação capaz de garantir a integridade das apurações e a confiança da sociedade nos resultados.
LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA:
“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos Estados e municípios. O banqueiro líder do esquema tem relações com muita gente poderosa e foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos.
Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria Geral da República lidere um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações. Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência, vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira.
É chegada a hora que as pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual. A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas.
Fica claro que o nosso sistema político e Judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade.”