PF tentou proteger provas do Master antes de crise entre Moraes e Mendonça
Fonte: economicnewsbrasil.com.br | Data: 04/09/2026 09:21:03
Disputa entre Moraes e Mendonça alcança as provas do Banco Master, enquanto declaração anterior da PF revela preocupação com cadeia de custódia e anulação.
A disputa entre Alexandre de Moraes e André Mendonça abriu uma nova frente na investigação Banco Master: a segurança processual das provas. Dois meses antes de a controvérsia chegar à Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, já dizia que evitar a anulação de provas era uma “grande preocupação” da corporação.
O novo capítulo avança sobre uma questão diferente daquela discutida inicialmente no confronto entre os ministros. Na quinta-feira (3), o Economic News Brasil mostrou que Moraes encaminhou a Fachin o pedido contra Mendonça e que o episódio expôs uma disputa sobre o rito a ser seguido quando uma investigação alcança integrante do próprio STF. Agora, o foco se desloca para determinados atos, materiais e procedimentos adotados na apuração do caso Master.
PF já tentava proteger provas do Master contra questionamentos
A preocupação com a segurança das provas antecede a crise atual. Em 3 de julho de 2026, Andrei Rodrigues afirmou que a PF adotava cautelas para preservar a cadeia de custódia, garantir a integridade do material coletado e reduzir o risco de questionamentos futuros na investigação.
Entre as medidas mencionadas pelo diretor-geral estava a compartimentação das informações, com acesso aos dados restrito aos agentes envolvidos em cada etapa da investigação. Rodrigues também citou uma busca e apreensão realizada contra um perito da própria PF ao explicar os cuidados adotados pela corporação.
Dois meses depois, a cadeia de custódia passou a integrar a controvérsia no Supremo. Moraes usou relatórios da PF para questionar a atuação de Mendonça nas operações Compliance Zero e Sem Desconto e apresentou acusações sobre a condução das investigações. As afirmações são acusações de Moraes, e não irregularidades reconhecidas pelo STF.
Em outra frente, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a nulidade da apuração relacionada a Moraes e Daniel Vorcaro e a extinção daquele procedimento. A distinção é essencial: questionar atos ou materiais específicos não significa, neste momento, invalidar toda a investigação Banco Master.
Master já produziu impacto bilionário no FGC
A dimensão econômica ajuda a explicar a relevância do que está em discussão. Segundo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), as liquidações do Banco Master, Master de Investimentos e Letsbank levaram à provisão de R$ 40,6 bilhões ao fim de 2025 para pagamento de garantias aos credores, iniciado em 17 de janeiro de 2026.
O FGC encerrou 2025 com patrimônio líquido de R$ 123,2 bilhões e déficit de R$ 17,1 bilhões no exercício, decorrente da provisão para pagamento de garantias. Esses valores não representam impacto financeiro da controvérsia atual no STF, mas dimensionam a escala econômica alcançada pelo caso Master.
Fachin terá quatro manifestações antes de decidir
Fachin determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues se manifestem em até cinco dias. Entre os pontos a esclarecer estão o cumprimento pela PF das regras para investigações envolvendo autoridades com foro no STF, circunstâncias de determinações de Mendonça e as medidas adotadas pela PGR no controle externo da atividade policial.
A questão que permanece aberta para a investigação Banco Master é o alcance dessas contestações. Fachin terá de avaliar as informações recebidas, enquanto segue sem decisão a discussão sobre se os questionamentos permanecerão restritos a atos e materiais específicos ou alcançarão outras provas da apuração.
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