Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Elmano diz que complexo logístico na Floresta do Aeroporto tem exceção legal para funcionar

Fonte: opovo.com.br | Data: 04/09/2026 18:48:17

🔗 Ler matéria original

ÁREA de desmatada na Floresta do Aeroporto Internacional Pinto Martins
ÁREA de desmatada na Floresta do Aeroporto Internacional Pinto Martins


Resumo

    Em sabatina ao jornal O POVO, o governador Elmano de Freitas defendeu a legalidade das obras do complexo logístico da Aerotrópolis na área da antiga Floresta do Aeroporto, alegando que a Lei da Mata Atlântica prevê exceções de interesse público para sítios aeroportuários.
    O projeto de R$ 1 bilhão prevê a construção de galpões logísticos e centro de serviços no entorno do Aeroporto Pinto Martins, com estimativa de gerar 7,5 mil empregos. Marcas como Amazon e DHL já firmaram contratos de operação.
    O projeto enfrenta disputas judiciais. O laudo da Semace classificou a vegetação em estágio inicial/médio de regeneração, enquanto parecer do Ibama apontou estágio avançado e presença de curso d’água (APP).
    O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) garantiu a manutenção do licenciamento estadual pela Semace, derrubando a liminar da Justiça Federal que havia paralisado as obras a pedido do MPF e MPCE.

A validade do licenciamento ambiental emitido para a construção do complexo logístico da Aerotrópolis no terreno da antiga Floresta do Aeroporto, em Fortaleza, foi defendida pelo governador e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT).

O chefe do Executivo estadual sustenta que o Poder Judiciário abre exceção na aplicação da Lei da Mata Atlântica para casos de interesse público, como a expansão de um aeroporto.

“A lei de proteção da Mata Atlântica diz que quando tinha Mata Atlântica, salvo onde tinha anteriormente construção de aeroportos, aquela lei não se aplica”. E continua: “O Poder Judiciário autorizou, porque a lei brasileira o protege. Garante a ele, por ser uma área de aeroporto, de fazê-lo”.

Elmano de Freitas, governador e candidato a reelição do Ceará, defende projeto de complexo logístico onde ficava a Floresta do Aeroporto Crédito: AURÉLIO ALVES

Elmano enfatiza que o gestor público e os técnicos da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) devem aplicar estritamente o que prevê a lei e não suas vontades ou preferências pessoais, destacando ainda que projeto decorre do alto potencial do Ceará no desenvolvimento logístico-industrial.

As afirmações ocorreram durante mais uma edição da sabatina O POVO com os candidatos ao Governo do Ceará, realizada nesta sexta-feira, 4 de setembro. Elmano respondeu aos questionamentos dos jornalistas Beatriz Cavalcante, Ítalo Coriolano e Érico Firmo.

Conforme O POVO acompanha desde novembro de 2025, a derrubada da chamada Floresta do Aeroporto, localizada no entorno do Aeroporto Internacional Pinto Martins, gerou a supressão de cerca de 50 hectares de Mata Atlântica e Restinga, área equivalente a cerca de 70 campos de futebol.

No local está sendo construído um complexo de galpões logísticos, postos de combustível e serviços de apoio pela empresa Aerotrópolis Empreendimentos, com investimento estimado de R$ 1 bilhão e promessa de geração de até 7.500 empregos entre fase de obras e início da operação.

Os trabalhos chegaram a ser suspensos pela Justiça Federal após ações civis públicas movidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do Ceará (MPCE), apontando irregularidades no licenciamento e sustentando que o projeto não teria conexão direta com serviços aeroportuários essenciais e poderia ser instalado em outro local.

Em março deste ano, a Justiça Federal do Ceará chegou a determinar a paralisação da obra. A decisão liminar caiu no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) após três dias e os trabalhos foram retomados.

A primeira etapa do hub logístico contou com aporte de R$ 200 milhões e grandes multinacionais do setor logístico e de comércio eletrônico, como DHL e Amazon, possuem contratos para operar do local.

Elmano afirma que o potencial logístico do Aeroporto de Fortaleza é expandido com o investimento e o impacto econômico do empreendimento é um diferencial.

“O Ceará, o Aeroporto de Fortaleza, é o único do Brasil que tem possibilidade de expansão para o transporte de passageiros e de cargas. E é importante o investimento de mais de R$ 1 bilhão para gerar milhares de empregos numa área de aeroporto”, continua.

Questionado sobre divergências entre os pareceres da Semace e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o governador afirmou que está tomando postura cautelosa. “Não posso ficar todo tempo suspeitando do técnico que foi contratado por concurso”.

Segundo o laudo da Semace, a classificação da vegetação seria de estágio inicial ou médio de regeneração. Já o Ibama constatou em relatório técnico fragmento de Mata Atlântica em estágio avançado de regeneração com presença de um curso d’água (riacho ou nascente) dentro do perímetro.

De acordo com a Lei da Mata Atlântica, florestas nativas em estágio avançado dentro do perímetro urbano não podem ser desmatadas. O texto federal também regula o entorno de corpos hídricos como Área de Preservação Permanente (APP), o que tornaria a licença estadual ilegal.

Conforme O POVO mostrou em abril, o Tribunal Regional Federal (TRF-5) entendeu que o órgão estadual detinha a competência legal para o licenciamento daquela área específica, o que enfraqueceu a aplicação direta do parecer do Ibama e permitiu a liberação das obras do complexo logístico.



Dúvidas, Críticas e Sugestões?
Fale com a gente



Tags