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Medo de calote e juros altos nos EUA derrubam ações de fintechs brasileiras

Fonte: finsidersbrasil.com.br | Data: 25/09/2026 19:20:29

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O PicPay (PICS) teve a maior queda entre as sete fintechs brasileiras listadas nas bolsas norte-americanas entre segunda-feira (21/9) e esta sexta-feira (25/9). A ação recuou 8,53% e fechou a US$ 8,69, perda de US$ 0,81 por papel. A XP Inc. (XP) registrou a única alta do grupo, de 0,89%, e encerrou a semana a US$ 20,51, com ganho de US$ 0,18. As outras cinco empresas também terminaram o período no vermelho.

O tropeço do PicPay começou com as projeções mais fracas que a própria empresa divulgou para o próximo trimestre. A companhia atribui a piora à normalização de benefícios fiscais, ou seja, ao fim de vantagens tributárias que engordavam o resultado. Em seguida, grandes instituições financeiras revisaram para baixo suas estimativas e cortaram o preço projetado para a ação de US$ 18 para cerca de US$ 16.

A notícia chegou pouco depois de um balanço forte. No segundo trimestre, o PicPay lucrou R$ 283 milhões no critério ajustado, alta de 135% em um ano, e faturou R$ 4,1 bilhões, avanço de 67%. Ainda assim, os analistas enxergam recuperação já no próximo trimestre, com apoio da expansão do crédito, de novas aquisições no setor de seguros e com o que chamam de ganhos de eficiência com Inteligência Artificial (IA).

Semana pesada para as fintechs

O PicPay, porém, não caiu sozinho. O grupo inteiro sentiu o peso de três fatores. O primeiro veio dos Estados Unidos (EUA). O Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, elevou os juros para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. Por aqui, o Banco Central cortou a taxa básica de juros, a Selic, para 13,75%.

Quando a distância entre os juros dos dois países diminui, os investidores estrangeiros perdem parte do incentivo para apostar em ativos de países emergentes, como o Brasil. Ao mesmo tempo, juros altos por mais tempo encarecem a captação, isto é, o dinheiro que essas empresas tomam no mercado para depois emprestar aos clientes.

O segundo fator envolve o crédito no Brasil. Com juros elevados, mais gente atrasa o pagamento das dívidas, e isso atinge em cheio quem vive de emprestar dinheiro. O terceiro partiu do Itaú BBA. Na semana anterior, o banco revisou para baixo as expectativas de crescimento do Nubank, o maior nome do setor. A revisão contaminou o humor dos investidores com as demais empresas.

A XP seguiu na contramão porque ganha dinheiro de outro jeito. A empresa concentra suas receitas em investimentos, corretagem, mercado de capitais e gestão de recursos. Por isso, depende bem menos da concessão de crédito ao consumidor do que os bancos digitais, e a desconfiança com a inadimplência pesou menos sobre ela.

Outras fintechs também recuam

O Inter (INTR) registrou a segunda maior queda da semana, de 6,58%, e fechou a US$ 5,11, com perda de US$ 0,36 por ação. Nesta sexta-feira (25/9), o diretor-executivo (CEO) do Inter no Brasil, Alexandre Riccio, afirmou que a inadimplência no varejo ainda deve subir no terceiro trimestre.

Segundo ele, a alta vem da maturação da carteira, fase em que os empréstimos concedidos meses atrás começam a mostrar atrasos, e dos efeitos do longo ciclo de juros altos. A declaração reforçou o temor dos investidores com o crédito.

Logo atrás aparece o Agibank (AGBK), que caiu 5,53% e terminou a semana a US$ 5,89, com perda de US$ 0,345. A queda veio mesmo depois de o banco anunciar, na quarta (23), Rafael Siqueira como novo chefe de tecnologia (CTO, sigla em inglês para Chief Technology Officer). A troca no comando da área não bastou para mudar o humor do mercado.

Enquanto isso, a Stone (STNE) recuou 2,97% e fechou a US$ 9,30, com perda de US$ 0,29. A empresa de maquininhas de cartão sentiu a mesma preocupação com crédito e rentabilidade que atingiu o restante do grupo.

PagBank e Nubank: desempenho e perspectivas

O PagBank (PAGS), por sua vez, caiu 1,63%, para US$ 9,05. A companhia ainda carrega dúvidas sobre a capacidade de ganhar mais dinheiro com os clientes e sobre a qualidade da carteira de crédito. Ao analisar o último balanço da empresa, a XP apontou que o lucro ficou abaixo do esperado e que a recuperação dos resultados deve acontecer de forma gradual.

Já a Nu Holdings (NU), dona do Nubank, teve a menor queda entre as seis que recuaram. A ação perdeu 1,20% e fechou a US$ 13,59, com baixa de US$ 0,165. Mesmo sob efeito da revisão do Itaú BBA, a fintech mostrou mais fôlego que os concorrentes.

No conjunto, os números sugerem uma reprecificação do setor financeiro digital brasileiro. As perdas foram maiores para as empresas mais ligadas a crédito e consumo, o que aponta para uma desconfiança com o setor como um todo, e não para uma série de problemas isolados em cada companhia.

Cenário político e geopolítico global

Na política brasileira, a semana girou em torno da aproximação das eleições e da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Nova York para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na terça (22/9), Lula defendeu o multilateralismo, criticou interferências externas em eleições e pediu saídas diplomáticas para conflitos como as guerras em Gaza e na Ucrânia. No mesmo dia, Donald Trump subiu à tribuna da ONU com tom bem mais duro. O presidente norte-americano ameaçou usar a força contra o Irã e criticou países da América Latina.

Na geopolítica, o grande evento aconteceu na quinta (24/9), com a cúpula entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Washington. Os dois líderes defenderam a continuidade do diálogo entre as maiores economias do mundo. Por outro lado, não anunciaram solução para os principais pontos de atrito, como comércio, IA, Taiwan e a guerra entre EUA e Irã.

Ainda assim, as conversas mantiveram viva a expectativa de prorrogação da trégua comercial entre Washington e Pequim. Ao longo dos dias, o preço do petróleo oscilou conforme surgiam sinais sobre possíveis negociações entre americanos e iranianos e sobre o fluxo da commodity no Oriente Médio.

Nos mercados, a semana começou com forte alta das ações norte-americanas, com as empresas de tecnologia e de IA à frente. No meio da semana, porém, os juros dos títulos de longo prazo dos EUA voltaram a subir e pesaram sobre as bolsas.

Pela média das variações diárias dos cinco pregões, o S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas norte-americanas, avançou 0,25%. O Nasdaq, bolsa conhecida pelas gigantes de tecnologia, subiu 0,42%, e o Dow Jones, que acompanha 30 grandes companhias tradicionais, ganhou 0,06%.