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Greve na Caixa expõe dependência do crédito imobiliário, que domina 67,7% do mercado

Fonte: economicnewsbrasil.com.br | Data: 26/09/2026 09:35:51

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A Caixa concentra 67,7% do crédito imobiliário e mais de 99% dos financiamentos do MCMV; greve reduz operação e afeta etapas de vendas e obras.

A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal atinge o mercado imobiliário justamente onde o financiamento habitacional brasileiro é mais concentrado. O crédito imobiliário da Caixa representa 67,7% do mercado, participação que amplia o alcance dos atrasos na contratação de financiamentos e na liberação de recursos para obras.

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A paralisação começou em 10 de setembro e afeta etapas que dependem das equipes do banco. Com operações acumuladas durante o período, construtoras relatam reflexos sobre vendas financiadas e sobre o fluxo de recursos destinado aos empreendimentos, embora a Caixa ainda não tenha divulgado um balanço nacional dos impactos.

A exposição é ainda maior no Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Segundo dados divulgados pela própria instituição, a Caixa respondeu por mais de 99% dos financiamentos do programa em 2025, tornando a operação do banco especialmente relevante para empreendimentos e compradores ligados ao programa.

Crédito imobiliário Caixa concentra carteira de R$ 938 bilhões

A dimensão financeira ajuda a explicar o alcance de uma desaceleração operacional. A carteira imobiliária da Caixa encerrou 2025 em R$ 938 bilhões, avanço de 13% em um ano. Somente naquele ano, as novas contratações de crédito imobiliário chegaram a R$ 246,4 bilhões.

Durante a greve, os efeitos sobre o crédito imobiliário da Caixa aparecem em diferentes etapas. Correspondentes bancários podem encaminhar procedimentos, mas operações que dependem das equipes da Caixa enfrentam redução da capacidade de processamento.

No caso de imóveis ainda em construção, há outra frente. A Caixa libera os recursos contratados para os empreendimentos conforme a evolução das obras e realiza procedimentos de medição e validação antes de autorizar cada repasse.

TST manda manter 60% dos empregados trabalhando

O funcionamento da Caixa durante a greve mudou de parâmetro na quinta-feira (24/09). O ministro Mauricio Godinho Delgado, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), determinou que pelo menos 60% dos empregados permaneçam em atividade, decisão que também alcança os serviços ligados ao crédito imobiliário da Caixa. O banco havia pedido a manutenção de 80% do quadro.

A liminar não encerra a paralisação nem indica que a Caixa já normalizou os atrasos acumulados. O TST marcou para a próxima terça-feira, 29 de setembro, o julgamento do dissídio coletivo, enquanto os empregados seguem em greve.

Até lá, a concentração do crédito imobiliário da Caixa ajuda a dimensionar a exposição do setor, mas não o prejuízo efetivo. Sem um balanço nacional de contratos represados e liberações atrasadas, ainda não é possível quantificar o volume de operações afetadas pela greve.