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Bets, Master e Nossa Senhora Aparecida: O que vai decidir as eleições nos últimos dias – Revista Fórum

Fonte: revistaforum.com.br | Data: 27/09/2026 11:25:41

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O que vai decidir as eleições nos últimos dias? É a pergunta que todo mundo está fazendo nesta reta final.

E há três assuntos que passaram a ocupar um espaço importante na campanha: o caso Banco Master, a decisão do governo Lula sobre as bets e a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

A pesquisa mais recente do Datafolha mostra que ainda existe um contingente relevante de eleitores sem uma escolha espontânea. Na rodada divulgada em 24 de setembro, Lula apareceu com 36% e Flávio com 27% quando os nomes dos candidatos não são apresentados. Os indecisos somaram 18%.

Quem são esses 18%? Uma parte importante está entre mulheres dos setores populares, especialmente nas periferias das grandes cidades. É um eleitorado que pode olhar para temas muito diferentes antes de definir seu voto.

É um número suficientemente grande para que a última semana de campanha seja marcada por uma disputa intensa pela definição da agenda.

A decisão de Lula de proibir as bets colocou um tema econômico e social diretamente na campanha.

O governo anunciou em 25 de setembro uma medida provisória que proíbe as casas de apostas esportivas e os cassinos on-line, além de estabelecer medidas contra o mercado ilegal. A decisão também prevê o fim de novos aportes e estabelece prazo para que usuários retirem seus saldos.

Não é apenas uma discussão sobre jogo. É uma discussão sobre endividamento, consumo, publicidade, regulação e o papel do Estado diante de uma atividade que se espalhou rapidamente pelo país.

Quem conhece alguém afetado pelo endividamento provocado pelas apostas pode enxergar o problema de uma maneira muito diferente de quem vê as bets apenas como entretenimento ou oportunidade de ganhar dinheiro.

E uma eleição, no fim das contas, também é uma disputa sobre quais problemas da vida real conseguem entrar no centro da conversa pública.

O Banco Master é outra frente.

Aqui a natureza da discussão é diferente. Estamos falando de um caso que envolve investigações, relações políticas e personagens que passaram a ocupar o noticiário durante a campanha.

E então apareceu Nossa Senhora Aparecida.

A entrada da Padroeira do Brasil nessa história pode parecer ainda mais inesperada. Mas ela também não aconteceu por acaso.

Flávio Bolsonaro publicou um vídeo recentemente no qual afirmou que, se eleito, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, o contraponto evangélico ao culto católico a Nossa Senhora. Uma afirmação política com linguagem religiosa.

A indicação de André Mendonça ao Supremo durante o governo Jair Bolsonaro é outro exemplo conhecido da relação entre política institucional e identidade religiosa. Bolsonaro havia prometido indicar ao STF um nome “terrivelmente evangélico” e cumpriu a promessa ao escolher Mendonça, pastor presbiteriano, para a Corte.

Portanto, quando a religião aparece novamente na campanha, não é preciso inventar uma ameaça para compreender sua dimensão política.

Mas o eleitor não vota apenas em manchetes.

O eleitor também pensa em sua própria vida. Custo de vida, emprego, educação, saúde, endividamento, perspectivas para os filhos, programas sociais, serviços públicos, segurança.

É por isso que uma campanha pode falar simultaneamente de Banco Master, bets e Nossa Senhora Aparecida e ao mesmo tempo debater o país.

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