Cuidar do planeta é cuidar da saúde das pessoas
Fonte: dgabc.com.br | Data: 28/09/2026 02:16:28
Setembro foi o mês mais chuvoso na cidade de São Paulo desde a década de 1940. Essa montanha-russa de clima chuvoso, intenso, frio e úmido é uma prévia de possíveis ondas de calor intensas e frequentes previstas com o fenômeno climático El Niño, que farão contraponto a esse período vivido nas últimas semanas.
Por mais que o Brasil seja um País de clima tropical e estejamos acostumados com o calor típico do verão, as ondas de calor que chegam de um dia para o outro, impactam drasticamente a vida das pessoas, principalmente das faixas etárias que mais sofrem, como crianças e idosos. Isso sem contar os trabalhadores que atuam expostos ao clima e a altas temperaturas, como ambulantes e profissionais dos serviços de limpeza e de entregas, seja a pé ou utilizando meios de transporte.
Além disso, durante os períodos de altas temperaturas, em algumas regiões, como o Sudeste, temos as famosas chuvas de verão, que, mesmo curtas, são intensas e provocam alagamentos que destroem os lares das pessoas, destruindo não apenas o local onde residem, mas também sonhos já alcançados e outros ainda em construção. Isso sem contar as vidas levadas pelas enxurradas, que nunca mais voltarão, deixando um vazio que ninguém jamais poderá preencher.
Todos esses fenômenos climáticos, cada vez mais frequentes e intensos, mostram o quanto nosso planeta está sofrendo com a intensa poluição e a emissão de CO2 na atmosfera. Soma-se a isso o consumo desenfreado, que contribui para o acúmulo de resíduos que demoram anos para se decompor e que, muitas vezes, são descartados de forma incorreta, prejudicando os oceanos, a vida marinha e os animais silvestres, além de provocar a contaminação do solo e do ar.
Por mais que os maiores poluentes sejam as grandes indústrias, nós também podemos fazer a nossa parte. A princípio, nossas atitudes podem parecer pequenas, mas, quando adotadas por um grande número de pessoas, podem contribuir para frear os efeitos das mudanças climáticas, não apenas para as futuras gerações, mas também para a população que vive hoje e sofre com todas essas mudanças bruscas.
E, se você estiver se perguntando por que uma médica de família e comunidade está falando sobre mudanças climáticas, as justificativas são muitas. Está cientificamente comprovado, por meio de diversos estudos e pesquisas nacionais e internacionais, que o aquecimento global afeta diretamente a saúde das pessoas. Entre os efeitos, temos o aumento da incidência de doenças transmitidas por vírus, como dengue, zika e chikungunya, além de alterações na pressão arterial, doenças cardiovasculares, entre outros problemas de saúde.
Preservar a saúde do planeta é uma questão de sobrevivência, bem-estar e saúde coletiva. Os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos no nosso dia a dia, impactando diretamente o corpo, a qualidade de vida e as condições de saúde da população. Como médicas e médicos de família e comunidade, reconhecer essa relação é também parte do cuidado.
Diante de mudanças bruscas de temperatura, é importante estar atento aos sinais do organismo e buscar atendimento médico sempre que surgirem sintomas que afetem sua saúde e qualidade de vida. Cuidar das pessoas também significa cuidar do ambiente em que vivemos, porque a saúde humana e a saúde do planeta estão profundamente conectadas.
