Com seis anúncios de apelo a um mês do pleito, Lula eleva ‘canetadas’ eleitorais a patamar inédito no século
Fonte: oglobo.globo.com | Data: 28/09/2026 03:47:55
Novidade mais recente foi a assinatura, na última sexta-feira, de uma medida provisória que proíbe plataformas de apostas on-line de operarem no Brasil
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Pressionado pelas diferentes pesquisas que o colocam em empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apostou, ao longo de setembro, em medidas de apelo eleitoral na tentativa de impulsionar a campanha às vésperas do primeiro turno. A quantidade, a variedade e o recorte temporal das movimentações, embora repitam expediente empregado por outros ocupantes do Planalto, levam a sequência de anúncios — que vão do fim das bets ao aumento do Bolsa-Família — a um patamar inédito neste século.
Levantamento do GLOBO listou pelo menos seis decisões com forte apelo tomadas pelo petista desde o início do mês passado. Para especialistas, apesar da estratégia direcionada ao humor do eleitor, a tática pode ter tanto “fôlego curto” quanto efeitos tardios, sentidos só após o primeiro turno a ser realizado no próximo domingo ou mais tarde.
A novidade mais recente foi a assinatura, na última sexta-feira, de uma medida provisória que proíbe plataformas de apostas on-line de operarem no Brasil. Na mesma data, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou uma nova edição do Desenrola, programa de renegociação de dívidas lançado em 2023. A expectativa do governo é que R$ 150 bilhões em débitos de famílias sejam adquiridos pelo estado. O primeiro leilão, no entanto, só deve acontecer em novembro, depois das eleições.
A lista inclui também o reajuste de 15% no Bolsa Família, o primeiro concedido por Lula neste mandato. O aumento no benefício em ano eleitoral não é inédito, tendo ocorrido sob diferentes presidentes, como Dilma Rousseff (PT) em 2014 e Michel Temer (MDB) em 2018. Ainda que acréscimos inclusive superiores já tenham ocorrido no passado — caso de Jair Bolsonaro (PL), que em 2022 deu R$ 200 a mais aos beneficiários do programa, rebatizado de Auxílio Brasil —, é a primeira vez que isso ocorre a menos de um mês do primeiro turno.
Em setembro, Lula também usou um decreto e uma MP para reduzir o preço da gasolina e do diesel. Dias antes, ele sancionou a lei que põe fim à “taxa das blusinhas”, regra de tributação criada pelo próprio governo em 2024. Mais recentemente, o Ministério da Saúde solicitou a inclusão das canetas emagrecedoras no SUS à comissão responsável. A medida veio após um anúncio do presidente durante ato de campanha em Minas Gerais.
— O governo dedicou muito espaço a temas de difícil tradução eleitoral, como soberania, terras-raras e inteligência artificial — analisa o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), que vê um uso “apressado” das “ferramentas da incumbência”. — Os efeitos poderão ter um fôlego curto. E é possível que sejam tardios, a serem sentidos apenas ao longo de outubro.
Como foi no passado
Historicamente, a maior parte das decisões com esse perfil tende a ser tomada em meses anteriores. Em 2006, quando também disputava uma reeleição, Lula anunciou apenas dois pacotes após setembro: um para o setor de habitação e outro para reduzir os juros. Meses antes, no entanto, o Bolsa Família havia ampliado o seu alcance e passado a atingir 11,1 milhões de pesosas. Em 2010, tendo Dilma favorita para sucedê-lo, o petista foi ainda mais comedido, divulgando apenas o acesso de estudantes ao Fies mesmo sem fiador já tão em cima da votação.
Bolsonaro, por sua vez, apostou, às vésperas do primeiro turno de 2022, na entrada de novas famílias no Auxílio Brasil, na regulamentação do empréstimo consignado no benefício e na redução dos preços de combustíveis e do gás de cozinha. Na época, a Caixa também lançou linhas de produtos com vantagens para mulheres — segmento no qual as pesquisas eleitorais indicavam um ponto fraco do então presidente.
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