Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Seguro “barato”: preço é o único fator que deve ser considerado?

Fonte: sindsegsc.org.br | Data: 01/10/2026 16:27:25

🔗 Ler matéria original

Na hora de contratar um seguro, o preço costuma aparecer entre os primeiros critérios de escolha. Para quem está começando a buscar proteção para o carro, a casa, a renda ou a própria família, encontrar uma opção que caiba no orçamento é importante. Mas o valor do prêmio, sozinho, não mostra o tamanho da proteção oferecida.

A diferença entre dois produtos pode estar justamente nas coberturas, nos limites de indenização, nas franquias e nos riscos excluídos. Por isso, antes de escolher o seguro de menor preço, é importante entender qual risco está sendo protegido e em quais condições.

A discussão ganha relevância em um mercado que movimenta valores expressivos. Segundo o boletim mais recente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), divulgado em setembro com dados até julho de 2026, o setor supervisionado registrou R$ 244,96 bilhões em receitas de janeiro a julho. No mesmo período, indenizações, resgates, benefícios e sorteios somaram R$ 149,78 bilhões.

O cenário mostra a dimensão do mercado, mas também coloca em evidência uma questão prática: como escolher uma proteção adequada sem transformar o preço no único critério?

O que significa um seguro “barato”?

O valor pago pelo segurado é chamado de prêmio. Ele corresponde ao valor necessário para manter a cobertura contratada, de acordo com as condições previstas no contrato.

Esse valor pode variar conforme características do risco, coberturas escolhidas e outros critérios utilizados na contratação. Por isso, dois seguros da mesma modalidade podem apresentar preços diferentes.

Na prática, um produto com prêmio menor pode oferecer uma cobertura mais restrita, enquanto outro, com valor maior, pode incluir mais situações ou limites de indenização diferentes.

Isso não significa que o seguro mais caro seja necessariamente mais adequado. A questão é entender o que cada produto oferece em relação ao risco que se pretende proteger.

O próprio Notícias do Seguro já explicou que o prêmio é o valor pago para manter a cobertura ativa e que fatores como características do segurado e valor da cobertura podem influenciar esse preço.

Por onde começar?

Antes de pesquisar preços, uma pergunta pode ajudar: qual situação poderia causar um impacto financeiro difícil de absorver?

Para uma pessoa que depende do carro para trabalhar, por exemplo, um acidente ou roubo pode representar uma perda importante. Para uma família que depende da renda de uma única pessoa, situações que afetem a capacidade de trabalho podem ter consequências diferentes.

No caso de uma residência, os riscos relacionados ao imóvel e aos bens que estão dentro dele podem orientar a escolha das coberturas.

Não existe uma combinação única de proteção que sirva para todos os consumidores. A necessidade depende da realidade financeira, dos bens e dos riscos aos quais cada pessoa está exposta.

A lógica é semelhante à apresentada em levantamento da CNseg publicado pelo Notícias do Seguro em julho de 2026. O estudo mostrou que apenas 29% dos automóveis e 17% das residências brasileiras possuem seguro, indicando espaço para ampliar o acesso à proteção securitária no país.

Comparar só o preço pode esconder diferenças

Imagine duas propostas para proteger o mesmo automóvel. Uma apresenta um prêmio mensal menor, mas possui limites de cobertura diferentes da segunda opção.

Se a comparação considerar apenas o preço, uma parte importante da informação fica de fora.

Entre os pontos que podem ser analisados estão:

  • Coberturas: quais eventos estão protegidos;
  • Capital segurado ou limite de indenização: qual é o valor máximo previsto para determinada cobertura;
  • Franquia: qual participação financeira pode caber ao segurado em determinadas situações;
  • Riscos excluídos: quais situações não estão cobertas;
  • Carência: quando houver, qual é o período necessário para determinadas coberturas começarem a valer;
  • Vigência: quando a proteção começa e termina;
  • Condições para acionamento: quais procedimentos e documentos são necessários em caso de sinistro.

A Susep orienta que produtos sejam comparados considerando o mesmo tipo de cobertura e o mesmo capital segurado. A autarquia também recomenda a leitura das condições contratuais antes da contratação.

A Susep orienta que produtos sejam comparados considerando o mesmo tipo de cobertura e o mesmo capital segurado. A autarquia também recomenda a leitura das condições contratuais antes da contratação.

Por isso, a pergunta “qual é o seguro mais barato?” pode ser substituída por outra: “qual proteção faz sentido para o risco que eu preciso administrar e cabe no meu orçamento?”

A resposta pode ser diferente para cada pessoa.

Uma nova regra reforça a importância da clareza

A discussão sobre entender o que está sendo contratado ganhou um novo elemento regulatório em 2026.

A Resolução CNSP nº 496, de 17 de agosto de 2026, estabeleceu regras gerais para os contratos de seguros de danos. Entre as determinações, estão diretrizes para que as condições contratuais sejam elaboradas em linguagem clara, objetiva e de fácil entendimento.

A norma também determina que os contratos especifiquem os riscos cobertos, os riscos e interesses excluídos e as situações que podem resultar em perda de direitos do segurado.

A resolução estabelece ainda regras para a regulação, liquidação e pagamento de indenizações. Para os seguros abrangidos pelas disposições gerais, a seguradora terá prazo máximo de 30 dias para regular o sinistro e se manifestar sobre a existência de cobertura, após a apresentação da reclamação acompanhada dos documentos essenciais previstos no contrato.

As novas disposições serão aplicadas obrigatoriamente aos contratos de seguros de danos formados ou renovados a partir de 5 de janeiro de 2027. Os planos registrados anteriormente deverão ser adaptados até 4 de janeiro de 2027, conforme as regras de transição.

Começar pelo essencial pode ser uma alternativa

Para quem tem orçamento limitado, a contratação de seguros pode envolver escolhas de prioridade.

Em vez de buscar diversas proteções simultaneamente, o consumidor pode identificar os riscos que teriam maior impacto sobre seu orçamento e pesquisar produtos que ofereçam coberturas relacionadas a essas situações.

Essa lógica também aparece em conteúdos publicados pelo Notícias do Seguro sobre planejamento financeiro e contratação de seguros: a ideia é avaliar os riscos que poderiam comprometer o orçamento e comparar coberturas, franquias e exclusões, e não apenas o preço.

Assim, o seguro mais acessível pode ser aquele que consegue equilibrar proteção necessária e capacidade de pagamento, considerando as condições do contrato.

Em um mercado que ainda apresenta espaço para ampliar a cobertura de bens e famílias brasileiras, entender como funcionam os produtos é parte importante do processo de acesso ao seguro.

Proteção precisa fazer sentido para cada realidade

O seguro não elimina a possibilidade de um imprevisto. A função do contrato é estabelecer uma proteção financeira para determinados riscos, dentro das condições e dos limites acordados.

Por isso, a pergunta “qual é o seguro mais barato?” pode ser substituída por outra: “qual proteção faz sentido para o risco que eu preciso administrar e cabe no meu orçamento?”

A resposta pode ser diferente para cada pessoa.

Em um mercado que ainda apresenta espaço para ampliar a cobertura de bens e famílias brasileiras, entender como funcionam os produtos é parte importante do processo de acesso ao seguro.

Perguntas e respostas

O seguro mais barato é sempre a melhor opção?

Não. O preço precisa ser analisado junto com coberturas, limites de indenização, franquias, carências e riscos excluídos. A comparação deve considerar produtos equivalentes.

É possível contratar somente as coberturas mais importantes para mim?

Isso depende das características e opções oferecidas em cada produto. Por isso, é importante verificar quais coberturas estão disponíveis e como elas podem ser combinadas.

Como saber se uma seguradora está autorizada a funcionar?

A consulta pode ser feita nos canais oficiais da Susep. A autarquia disponibiliza informações sobre as empresas supervisionadas e orienta o consumidor a verificar a situação da seguradora antes da contratação.

O seguro mais barato é sempre a melhor opção?

Não. O preço precisa ser analisado junto com coberturas, limites de indenização, franquias, carências e riscos excluídos. A comparação deve considerar produtos equivalentes.

É possível contratar somente as coberturas mais importantes para mim?

Isso depende das características e opções oferecidas em cada produto. Por isso, é importante verificar quais coberturas estão disponíveis e como elas podem ser combinadas.

Como saber se uma seguradora está autorizada a funcionar?

A consulta pode ser feita nos canais oficiais da Susep. A autarquia disponibiliza informações sobre as empresas supervisionadas e orienta o consumidor a verificar a situação da seguradora antes da contratação.

Fonte: CNseg | Notícias do Seguro