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Câncer de mama atinge mulheres jovens; veja sinais de alerta

Fonte: correiodopovo.com.br | Data: 02/10/2026 08:31:12

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Embora o câncer de mama seja mais frequente a partir dos 50 anos, mulheres mais jovens também podem desenvolver a doença. Entre 2018 e 2023, mais de 108 mil brasileiras com menos de 50 anos receberam o diagnóstico, segundo levantamento do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), com base em dados do Painel Oncologia Brasil.

O número corresponde a aproximadamente uma em cada três mulheres diagnosticadas no período e chama a atenção para um cuidado importante: a idade, sozinha, não deve ser motivo para descartar alterações nas mamas.

O câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres brasileiras, depois do câncer de pele não melanoma. Para cada ano do triênio de 2026 a 2028, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 78.610 novos casos no país. Em 2024, foram registradas 20.849 mortes pela doença.

Para o oncologista Jean Coutinho, do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam), acreditar que o câncer de mama ocorre apenas em mulheres mais velhas pode contribuir para atrasar a procura por atendimento. “A idade é um fator importante para o risco, mas não funciona como uma barreira contra a doença. Quando uma alteração é nova, persiste ou foge do padrão habitual daquela mulher, ela precisa ser investigada, mesmo que a paciente seja jovem. O objetivo não é criar alarme, e sim evitar que uma hipótese seja descartada apenas pela idade”, explica.

Quais sinais nas mamas merecem atenção?

Em mulheres jovens, algumas mudanças podem estar relacionadas a oscilações hormonais, ao ciclo menstrual, a cistos ou a outras condições benignas. Ainda assim, alterações novas ou persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • nódulo endurecido, fixo e geralmente indolor;
  • alterações na pele da mama, como retração ou aspecto semelhante à casca de laranja;
  • mudanças no formato ou no tamanho da mama;
  • retração do mamilo;
  • secreção espontânea pelo mamilo;
  • presença de nódulo na axila.

“É importante que a mulher observe suas mamas e reconheça o que é habitual para ela. O aparecimento de uma alteração que persiste ou que evolui deve motivar a procura por atendimento profissional. Quanto antes a investigação começa, mais rapidamente é possível esclarecer a causa e definir a conduta adequada”, orienta Coutinho.

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Mamografia de rotina e investigação são coisas diferentes

Uma dúvida comum envolve a idade indicada para a realização da mamografia. É importante diferenciar o rastreamento de mulheres sem sintomas da investigação de uma alteração já identificada. Para mulheres sem sinais ou sintomas, o rastreamento populacional de rotina recomendado pelo Inca é feito com mamografia a cada dois anos entre os 50 e os 74 anos.

Desde setembro de 2025, mulheres de 40 a 49 anos e aquelas com mais de 74 anos também podem ter acesso à mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo sem sintomas, por demanda, após orientação e decisão compartilhada com o profissional de saúde sobre riscos e benefícios.

Isso não significa, porém, que uma mulher mais jovem com alguma alteração deva esperar chegar à idade recomendada para o rastreamento. “Rastreamento e investigação de sintomas não são a mesma coisa. O rastreamento é destinado a uma população definida, enquanto uma mulher com uma alteração persistente precisa ser avaliada independentemente da idade. A escolha dos exames deve ser feita de acordo com a história e o exame físico de cada paciente”, afirma o oncologista.

Histórico familiar também deve ser considerado

Casos de câncer de mama ou de ovário na família, especialmente quando diagnosticados em pessoas jovens, assim como a ocorrência de câncer de mama em homens, são informações que devem ser comunicadas ao profissional de saúde.

Segundo o Inca, cerca de 5% a 10% dos casos de câncer de mama têm caráter hereditário. Não ter histórico familiar da doença, no entanto, não significa ausência de risco. Diante de uma alteração persistente nas mamas, a recomendação é procurar atendimento para avaliação e, quando necessário, realização de exames complementares. “A principal mensagem do Outubro Rosa é não ignorar o próprio corpo nem concluir, apenas pela idade, que uma alteração não precisa ser investigada”, finaliza Coutinho.