Descarbonização portuária avança em Batumi e Roterdã
Fonte: tecnologiaportuaria.info | Data: 02/10/2026 10:08:51
Entre 20 e 24 de setembro de 2026, representantes do Batumi Sea Port, na Geórgia, visitaram Hamburgo para estudar práticas de descarbonização antes da recertificação EcoPorts/PERS prevista para outubro. Em 1º de outubro de 2026, o Rotterdam Shortsea Terminals recebeu um ReachStacker da Hyster movido a célula de combustível de hidrogênio. As duas iniciativas perseguem a redução de emissões nas operações portuárias, mas ocupam pontos diferentes da implantação: Batumi organiza conhecimento e gestão ambiental, enquanto Roterdã coloca um equipamento em um projeto de inovação. A comparação separa a preparação institucional do teste operacional sem antecipar resultados de produtividade ou emissões.
Batumi prepara o sistema antes da auditoria
A missão de Batumi ocorreu sob o projeto da OSCE “Promoting Green Ports and Connectivity in the Caspian Sea Region”. A agenda buscou aprimorar o sistema de gestão ambiental do porto, reduzir emissões e elevar a eficiência energética antes da auditoria de recertificação. O movimento coloca a governança no centro da transição, porque a adoção de uma solução depende também de procedimentos capazes de acompanhar seu desempenho. A visita técnica funcionou, portanto, como etapa de preparação para uma verificação formal do modelo ambiental do terminal.
Durante essa agenda, a delegação observou sistemas de energia em terra e tecnologia de hidrogênio no terminal Tollerort. O primeiro recurso permite analisar como a infraestrutura em terra participa da redução de emissões durante as operações portuárias, enquanto o segundo aproxima Batumi de soluções voltadas ao uso de combustíveis de menor emissão. A visita não foi apresentada como implantação imediata dessas tecnologias no porto georgiano. Ela serviu para reunir referências operacionais que poderão orientar a atualização do sistema de gestão ambiental.
Na mesma programação, os representantes conheceram a automação do terminal Altenwerder, também em Hamburgo. Esse contato amplia a avaliação para além da energia utilizada pelos equipamentos e alcança a forma como os fluxos operacionais são coordenados. O próximo marco anunciado para Batumi é a auditoria de recertificação agendada para outubro de 2026. Até lá, o porto precisa transformar o conhecimento observado na Alemanha em procedimentos compatíveis com sua própria operação e com os critérios ambientais que pretende atender.
Roterdã leva o hidrogênio ao pátio
Em Roterdã, a mudança começou pela entrega de um ativo específico. A Hyster RSJ46-33XDH/62 foi entregue ao Rotterdam Shortsea Terminals em 1º de outubro de 2026 como parte de um projeto de inovação de cinco anos apoiado pela União Europeia, pela Província de South Holland e pelo Just Transition Fund. A iniciativa não se limita à aquisição de uma máquina, pois organiza um período prolongado de testes em ambiente portuário. A descrição do projeto de Roterdã concentra-se na integração do equipamento a uma agenda mais ampla de inovação.
Na parte técnica, o ReachStacker utiliza um motor de célula de combustível Nuvera de 60 kW para alimentar uma bateria de íon-lítio de 130 kWh. O conjunto foi projetado para a movimentação intensiva de contêineres de 45 pés, uma aplicação que exige disponibilidade do equipamento e capacidade para ciclos repetidos de trabalho. A arquitetura combina geração de energia pela célula de combustível com armazenamento em bateria, mas a informação divulgada não apresenta métricas de produtividade ou de redução de emissões após a entrega. O foco, neste momento, está no desenho da solução e no ambiente de demonstração.
Além do veículo, o projeto prevê um laboratório vivo para demonstrar o reabastecimento modular de hidrogênio e a operação autônoma da rede elétrica local. A proposta transforma o terminal em espaço de aprendizagem sobre abastecimento, energia e uso do equipamento em condições reais de movimentação de contêineres. O local também deverá funcionar como centro de treinamento para profissionais do setor portuário. Dessa forma, o teste em Roterdã combina a avaliação de uma máquina com a capacitação das equipes que precisarão operar e manter a solução.
Do aprendizado ao teste operacional
Comparadas diretamente, as duas frentes mostram uma sequência diferente de descarbonização. Batumi começou pelo intercâmbio técnico e pela atualização do sistema de gestão ambiental, com uma auditoria prevista como próximo ponto de verificação. Roterdã começou pela entrega de um equipamento conectado a um projeto de inovação de cinco anos. Em um caso, a prioridade anunciada é preparar a estrutura de gestão para medir e organizar a transição; no outro, é testar uma aplicação de hidrogênio dentro do pátio. Essa distinção ajuda a evitar a leitura de que uma única tecnologia resolve todas as etapas da mudança.
Essa diferença também aparece quando os projetos são observados à luz de experiências anteriores. No Porto de Valência, o projeto H2Ports validou um ReachStacker a célula de combustível e uma estação móvel de reabastecimento. As experiências foram usadas como prova de conceito sobre viabilidade, segurança e requisitos de manutenção do hidrogênio em ambientes reais de terminais. A iniciativa de Roterdã segue a mesma lógica de aprendizagem prática, mas acrescenta a operação autônoma da rede elétrica local e a formação de profissionais como componentes do campo de testes.
Por isso, os próximos marcos são diferentes e complementares. Batumi tem a auditoria de recertificação prevista para outubro de 2026, que deverá verificar a evolução de seu sistema de gestão ambiental. Roterdã tem pela frente um projeto de inovação de cinco anos, com demonstração de reabastecimento modular e treinamento de equipes. A descarbonização portuária avança quando governança e equipamento caminham juntos: uma frente cria as condições para acompanhar a mudança, enquanto a outra produz experiência operacional sobre o uso do hidrogênio no pátio.