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Salto de Pirapora (SP): Cadela morre ao ingerir semente de planta tóxica em resort pet de luxo

Fonte: diariodoestadogo.com.br | Data: 02/10/2026 19:01:46

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SALTO DE PIRAPORA (SP) — Um caso trágico envolvendo a morte de um animal de estimação em um resort de luxo para pets gerou indagações sobre a segurança e responsabilidade dos estabelecimentos que oferecem serviços de hospedagem para cães e gatos. A cadela Sansa, da raça Golden Retriever, com apenas cinco anos de idade, faleceu após ingerir sementes de uma planta altamente tóxica conhecida como Cica (Cycas revoluta) durante sua estadia no Malabo Pet Resort, em Salto de Pirapora, interior do Estado de São Paulo.

A tragédia aconteceu no dia 1º de agosto, mas as informações foram confirmadas apenas recentemente pelo tutor de Sansa, Michel Chehaibar. A cadela permanecia no resort há um mês, e de acordo com o laudo veterinário, o contato com a planta tóxica foi fatídico. O caso, que levanta questões sobre a responsabilidade dos proprietários do local, agora está sendo tratado através de um processo judicial.

Ingestão da planta e complicações graves

Segundo relatos, Sansa ingeriu as sementes no dia 22 de julho. Após os primeiros sinais de intoxicação, a cadela foi levada a um hospital veterinário em Sorocaba, onde apresentou uma reação alérgica severa. Um dia depois, precisou ser transferida para uma unidade de cuidados intensivos em São Paulo, onde ficou internada por nove longos dias até seu falecimento. Na visita ao veterinário, a equipe médica foi clara: a planta Cica é conhecida por provocar sérios danos ao fígado, levando muitas vezes à morte.

A planta Cica não é apenas uma atração para o jardim; é uma espécie que se encontra frequentemente em muitos espaços externos, mas que apresenta risco à saúde de animais de estimação. O principal impacto clínico da ingestão da planta é a falência renal e problemas gastrointestinais, que podem evoluir rapidamente para complicações mais severas.

O impacto emocional na família

Michel Chehaibar expressou sua angústia e dor pela perda de Sansa, destacando como a situação afetou emocionalmente toda a família. “Minha filha de um ano fica chamando por ela em casa o tempo todo. Estamos sofrendo; é como se houvesse um vazio na nossa família”, declarou em entrevista. A família não esperava tal notícia enquanto estava em viagem internacional e, após ser informada sobre a intoxicação, retornou às pressas para o Brasil, na esperança de um desfecho positivo que não aconteceu.

A demorada internação da cadela em um hospital veterinário gerou altas expectativas entre os tutores, que tinham fé na recuperação da companheira. Contudo, os resultados foram desoladores e levaram a família a buscar justiça através da Justiça, exigindo reparação por danos morais e acompanhamento do caso pelas autoridades competentes.

Demandas por responsabilidade e regulamentação

Em resposta ao ocorrido, a família de Sansa protocolou um processo na Vara Cível do Foro Central da Comarca de São Paulo. O advogado Felipe Campana, que representa os tutores, relatou que a situação levantou questões sobre a segurança prometida pelo resort. O processo inclui pedidos de indenização, além de uma retratação pública por parte dos responsáveis. A falta de conhecimento por parte dos administradores do resort sobre a toxicidade da Cica foi vista como uma grave falha de responsabilidade.

Os tutores também exigem uma vistoria técnica por parte da Vigilância Sanitária nas instalações do resort e solicitaram que o Conselho Regional de Medicina Veterinária acompanhe o caso. A preocupação é que casos semelhantes possam ocorrer com outros animais de estimação que ali se hospedam.

Reação do resort e o futuro da situação

Até o presente momento, as tentativas de contato com a administração do Malabo Pet Resort para comentar sobre o caso não resultaram em retorno. Em uma troca de mensagens reveladora, um dos administradores lamentou a morte da cadela, mas admitiu a presença de pelo menos “três dessas plantas” em seu jardim. Esse detalhe intensificou as críticas e a perplexidade dos tutores, que questionam como um local, que se propõe a cuidar de animais, pode ser negligente com a segurança deles.

A desinformação sobre a toxicidade das plantas comuns em jardins é uma questão mais ampla que exige atenção e cuidado. Muitos tutores de pets são desconhecedores dos riscos que certas plantas podem trazer para a saúde dos seus companheiros, o que reforça a necessidade de educação e regulamentação em estabelecimentos que oferecem serviços para animais.

Próximos passos e situação atual

A família de Sansa continua buscando justiça e aguardando respostas após a abertura do processo. Além de exigir reparação, o caso também é tratado com seriedade por órgãos como o Procon e o Ministério Público do Estado de São Paulo. A repercussão do caso pode influenciar futuras regulamentações e práticas de segurança em locais que abrigam pets, além de promover uma conscientização maior sobre o cuidado com plantas potencialmente perigosas.

A história de Sansa, uma representativa perda para os amantes de animais, serve como um alerta sobre a importância de uma vigilância mais rigorosa em ambientes que se dizem seguros para os pets. A esperança é que, através da dor dessa família, outros possam evitar o mesmo destino e que as práticas de segurança sejam aprimoradas em todo o cenário de hospitalidade para animais no Brasil.