Senado: Duas cadeiras, dois recados das urnas no Paraná
Fonte: oparana.com.br | Data: 05/10/2026 09:07:20
Curitiba – O Paraná definiu neste domingo (4) os dois nomes que vão ocupar, a partir de 2027, as cadeiras do estado em disputa no Senado Federal. Filipe Barros (PL) foi o mais votado, seguido por Deltan Dallagnol (Novo), em uma eleição marcada pela força dos candidatos identificados com a direita e pela disputa judicial que envolveu o registro do ex-procurador da Lava Jato.
Com 97,86% das urnas apuradas, conforme o resultado disponível até o fechamento desta edição, Barros somava 3.092.388 votos, 27,35% dos votos válidos. Dallagnol aparecia em segundo, com 2.853.500 votos e 25,24%. Alexandre Curi (Republicanos) estava em terceiro, com 16,75%, enquanto a candidata do PT, Gleisi Hoffmann, registrava 1.503.119 votos, correspondentes a 13,29% do total.
Os dois novos senadores terão mandatos de oito anos. O resultado altera a composição da bancada paranaense na Casa, que também tem Sergio Moro (União) entre seus representantes.

Trajetória de Barros
A vitória de Filipe Barros consolida uma trajetória política construída em uma década. Nascido em Londrina, em 1991, o advogado formado em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) iniciou a carreira eleitoral em 2016, quando foi eleito vereador pelo então PRB. Em 2018, chegou à Câmara dos Deputados pelo PSL, com 75,3 mil votos. Em 2022, já filiado ao PL, foi reeleito deputado federal com 249,5 mil votos.
A base eleitoral de Barros está fortemente associada ao Norte do Paraná, especialmente Londrina, sua cidade natal. Em 2022, a cidade foi responsável por 62,9 mil de seus votos, seguida por Curitiba, com 44,3 mil. Neste domingo, Barros voltou a demonstrar força no principal reduto: em Londrina, alcançou 33,16% dos votos válidos para o Senado e ficou à frente de Dallagnol.
A trajetória de Barros também está ligada à direita paranaense e à aproximação com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na Câmara, ocupou funções de liderança partidária e participou da equipe de transição entre os governos Michel Temer e Bolsonaro. Na campanha ao Senado, defendeu mudanças na forma de indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal, além de medidas de combate ao crime organizado, investimentos em infraestrutura e alterações no sistema de pedágios.
De volta à política
A eleição de Deltan Dallagnol tem um componente adicional: a disputa judicial que acompanhou a reta final da campanha. Ex-procurador da República, Dallagnol ganhou projeção nacional como um dos principais nomes da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba.
Nascido em Pato Branco, em 1980, Dallagnol é formado em Direito e passou quase duas décadas no Ministério Público Federal. Deixou o MPF em 2021 e entrou na política no ano seguinte. Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Paraná pelo Podemos, mas perdeu o mandato em 2023 após decisão unânime do TSE, que cassou o registro de sua candidatura.
A decisão teve origem em ações que questionaram a saída de Dallagnol do MPF enquanto havia procedimentos disciplinares em andamento. O TSE entendeu que a exoneração configurou tentativa de burlar a Lei da Ficha Limpa. Desde então, a possibilidade de uma nova candidatura passou a ser alvo de disputa judicial.
Para o Senado, Dallagnol teve o registro aprovado pelo TRE-PR, em setembro, por 4 votos a 3. A decisão foi contestada no TSE. No sábado (3), véspera da votação, o ministro Floriano de Azevedo Marques indeferiu individualmente o registro, alegando que não havia fato novo capaz de afastar a inelegibilidade anteriormente reconhecida.
Na manhã deste domingo, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu a decisão e restabeleceu o registro de Dallagnol como “deferido com recurso”. Nunes Marques considerou que uma questão de tamanha relevância eleitoral não deveria ter sido decidida monocraticamente às vésperas da votação. Com isso, os votos recebidos por Dallagnol foram computados normalmente.
A situação, contudo, ainda não está encerrada. O registro permanece sub judice e terá de ser analisado pelo plenário do TSE. Assim, embora o resultado das urnas aponte Dallagnol como eleito para a segunda vaga do Paraná, a confirmação definitiva de sua posse depende da decisão da Justiça Eleitoral.
Nas urnas, Dallagnol mostrou força sobretudo em Curitiba. Na capital, terminou à frente de Barros, com 26,99% dos votos válidos, contra 25,37% do deputado. No resultado estadual, porém, Barros abriu vantagem e terminou em primeiro.
A dupla eleita representa duas trajetórias distintas dentro do mesmo campo político: Barros chega ao Senado após uma carreira construída no Legislativo e nas estruturas partidárias, enquanto Dallagnol retorna à política institucional depois de ganhar projeção nacional na Lava Jato e enfrentar uma batalha judicial para voltar às urnas.

Como fica a composição do Senado
Brasília – Os eleitores brasileiros escolheram neste domingo (4) dois senadores em cada estado e no Distrito Federal. Ao todo, 54 das 81 cadeiras do Senado Federal estiveram em disputa nas eleições de 2026, o equivalente a dois terços da Casa. Os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação foram eleitos.
Com a renovação de dois terços das cadeiras, o resultado das urnas modifica de forma significativa a composição do Senado a partir de 2027. Para conhecer o novo quadro da Casa, no entanto, é preciso considerar também os 27 senadores eleitos em 2022 que não tiveram seus mandatos submetidos à votação neste ano. Esses parlamentares têm mandato previsto até janeiro de 2031.
Os 54 novos senadores estão distribuídos em duas vagas para cada uma das 27 unidades da Federação. A votação para o Senado é majoritária: são eleitos os dois candidatos que obtêm o maior número de votos em cada estado e no Distrito Federal.
Como fica o Senado
O Senado Federal é composto por 81 parlamentares, sendo três representantes de cada estado e do Distrito Federal. Diferentemente da Câmara dos Deputados, em que o número de representantes de cada unidade da Federação varia de acordo com a população, todos os estados e o Distrito Federal têm o mesmo número de senadores. O mandato de senador dura oito anos. Por isso, a renovação do Senado ocorre de forma alternada: em uma eleição são escolhidos 27 parlamentares, correspondentes a um terço da Casa; quatro anos depois, são escolhidos 54, correspondentes a dois terços. Portanto, os 54 eleitos neste domingo se juntam aos 27 senadores que já tinham mandato até 2031.
SENADORES ELEITOS EM 2026
ACRE
- Marcio Bittar (PL)
- Mara Rocha (Republicanos)
ALAGOAS
- Renan Filho (MDB)
- Alfredo Gaspar (União)
AMAPÁ
- Rayssa Furlan (Podemos)
- Lucas Barreto (PSD)
AMAZONAS
- Eduardo Braga (MDB)
- Plínio Valério (PSDB)
BAHIA
- Rui Costa (PT)
- Jaques Wagner (PT)
CEARÁ
- Cid Gomes (PSB)
- Luizianne Lins (Rede)
DISTRITO FEDERAL
- Michelle Bolsonaro (PL)
- Bia Kicis (PL)
ESPÍRITO SANTO
- Renato Casagrande (PSB)
- Evair de Melo (Republicanos)
GOIÁS
- Gustavo Gayer (PL)
- Gracinha Caiado (União)
MARANHÃO
- Fufuca (PP)
- Lahesio Bonfim (Novo)
MATO GROSSO
- Mauro Mendes (União)
- Zé Medeiros (PL)
MATO GROSSO DO SUL
- Reinaldo Azambuja (PL)
- Capitão Contar (PL)