Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Aceleração do IPCA na Capital expõe pressão sobre o consumo, enquanto inadimplência de 8,4% ameaça varejo

Fonte: oestadoonline.com.br | Data: 06/10/2026 12:12:19

🔗 Ler matéria original

A falta de fomento municipal aliada ao endividamento das famílias desafia comércio local

Apesar do alívio pontual proporcionado pelo recuo de 6,2% na tarifa de energia elétrica residencial em agosto, fruto do Bônus de Itaipu, a trajetória da inflação oficial em Campo Grande acendeu um sinal vermelho para o comércio. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado em 12 meses subiu para 4,7% na Capital. A aceleração contínua do custo de vida corrói o poder de compra e atua como uma trava ao consumo, pressionando a economia local em um momento de crescentes dificuldades financeiras.

O avanço inflacionário é agravado por outro indicador crítico do relatório do Termômetro do Varejo, elaborado pela FCDL-MS (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul). A taxa de inadimplência bancária das Pessoas Físicas em Mato Grosso do Sul saltou de 6,9% no primeiro semestre para 8,4% em julho. Na Capital, onde a renda familiar já se encontra comprometida com despesas de habitação e serviços, o encarecimento dos itens essenciais tem empurrado as famílias para o endividamento, enquanto a expansão do crédito desacelerou para 5,7% ao ano no Estado.

Gestão sob pressão

Nesse cenário de fragilidade financeira das famílias, a gestão municipal de Campo Grande passa a ser alvo de cobranças veladas por parte do setor produtivo. Enquanto o comércio do município busca fôlego para se manter ativo, empresários se ressentem da escassez de políticas públicas locais voltadas ao fortalecimento dos corredores comerciais de bairro, da manutenção da zeladoria urbana e de incentivos tributários municipais capazes de aliviar o caixa dos pequenos negócios. A falta de fomento da administração municipal contrasta com a perda de postos de trabalho no setor: dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) indicam que o comércio de Campo Grande acumula o fechamento de 650 vagas formais no ano, sendo o único grande segmento da Capital com saldo negativo no emprego.

Apesar dos gargalos

Apesar dos gargalos estruturais e do arrocho no orçamento familiar, o comércio sul-mato-grossense demonstra resiliência no volume de vendas, impulsionado pelo varejo automotivo. O balanço do Termômetro do Varejo mostra que o volume de vendas do varejo ampliado em MS acumulou crescimento de 6,2% de janeiro a julho de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior, acelerando em relação aos 5,4% registrados no primeiro semestre. Apenas em julho, o varejo ampliado no Estado registrou salto mensal de 3,6%, desempenho superior à média nacional de 0,4%. Já o comércio varejista restrito acumulou alta de 2,5% no ano.

Ao avaliar a relevância do segmento e as carências enfrentadas pelos lojistas, a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, reforça a necessidade de apoio efetivo às empresas locais: “Na geração de empregos, 72% da mão de obra em Mato Grosso do Sul está no varejo de comércio e serviço”, destaca a líder empresarial, cobrando melhorias no ambiente de negócios.

Frente às pressões de custos e à falta de fomento direcionado, Inês Santiago pondera sobre os desafios operacionais do segmento: “A carência do varejo ela é bem ampla em muitos setores. Segurança pública é um setor muito importante. Incentivos fiscais também é um setor que o varejo se ressente muito. Crédito acessível como o FCO, que é a linha de crédito mais barata que tem hoje no Centro-Oeste, ele não tem chegado pro varejo de comércio e serviço”, avalia a presidente. A dirigente aponta ainda que a sustentabilidade do setor exige revisar a carga que incide sobre o setor produtivo: “Não se pode exigir formalização, qualidade no atendimento e geração de vagas enquanto se asfixia o caixa das empresas e tributa abusivamente o salário do trabalhador e o consumo das famílias. Se a pejotização se tornou uma saída de sobrevivência, é o modelo econômico que precisa ser corrigido, não é o empresário, tampouco, o trabalhador”.

Por Enzo Pereira