Silvia supera grave doença e chega ao Master Games para competir no atletismo e no beach tennis
Fonte: diariodorio.com | Data: 08/10/2026 18:09:48
– Foto: Divulgação
Aos 69 anos, Silvia chega ao Master Games Brasil com uma história que vai muito além da competição. Ela vai disputar atletismo, nas provas de arremesso de peso, lançamento de disco e lançamento de martelo, e também beach tennis. Mas, depois de tudo o que viveu no último ano, estar na arena já representa, para ela, uma vitória.
A relação de Silvia com o esporte começou muito cedo. Aos 11 anos, ela já jogava vôlei e nunca mais se afastou da atividade física. Formada em Educação Física, construiu a carreira na rede pública de ensino por escolha e dedicou parte da vida ao trabalho com crianças cegas. A experiência também a levou ao goalball, modalidade na qual hoje atua como árbitra. O esporte, para ela, sempre esteve ligado não apenas à competição, mas à educação, à inclusão e à possibilidade de transformar a vida das pessoas.
No ano passado, porém, Silvia precisou enfrentar o momento mais difícil de sua vida. Uma diverticulite grave evoluiu de forma inesperada e exigiu uma série de cirurgias. Ela precisou usar uma bolsa de colostomia durante três meses. Segundo Silvia, a gravidade do quadro foi tamanha que ela só sobreviveu porque a diverticulite acabou encapsulando.
Foram meses de recuperação, limitações e incertezas. Mas, aos poucos, ela voltou a fazer aquilo que sempre fez: movimentar-se. E retornar ao esporte ganhou um significado completamente diferente.
Hoje, estar no Master Games é, para Silvia, uma celebração da própria vida. Ela chega para disputar três provas no atletismo — arremesso de peso, lançamento de disco e lançamento de martelo — e também uma competição de beach tennis. E foi justamente no beach tennis que surgiu outra história dentro da história.
Moradora de Ribeirão Preto, Silvia chegou ao evento acompanhada da neta para retirar os kits. Só havia um detalhe: ela ainda não tinha parceira para jogar beach tennis. Em vez de desistir, decidiu procurar uma.
“Eu vou encontrar minha parceira”, pensou.
Silvia foi até as arenas e começou a observar as jogadoras. Até que encontrou uma atleta de 71 anos. As duas conversaram, perceberam que tinham estilos complementares — uma gosta de jogar do lado esquerdo e a outra, do lado direito — e resolveram experimentar. Jogaram duas partidas juntas.
Deu certo. Deu match.
A parceria nasceu ali, de maneira espontânea, entre duas mulheres que sequer se conheciam antes daquele dia. Agora, elas vão entrar juntas em quadra para disputar o Master Games.
A história de Silvia reúne esporte, longevidade, inclusão e, sobretudo, recomeço. Depois de enfrentar uma doença grave e passar por cirurgias que poderiam tê-la afastado definitivamente das competições, ela escolheu voltar. Aos 69 anos, não está apenas participando de um evento esportivo. Está mostrando que uma vida inteira em movimento também pode ser uma vida inteira de possibilidades.
Para Silvia, cada prova tem um significado. O peso, o disco, o martelo e a raquete representam mais do que modalidades diferentes. São símbolos de uma trajetória que começou aos 11 anos, passou pela educação pública, pelo trabalho com crianças cegas, pelo goalball, por uma grave batalha pela vida e que agora ganha um novo capítulo nas arenas do Master Games Brasil.
E ela não veio sozinha. Veio com a neta, com uma nova parceira de beach tennis e, principalmente, com a certeza de que ainda há muito para viver — e competir.
Felipe Lucena é jornalista, roteirista, redator, escritor, cronista. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em Curicica. Sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da cidade do Rio de Janeiro.