Eleito governador em Minas, Cleitinho minimiza caso Master em entrevista: ‘Todos entendiam que era um banco sério’
Fonte: oglobo.globo.com | Data: 09/10/2026 03:41:05
O governador eleito em primeiro turno em Minas Gerais, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), disse em entrevista ao GLOBO que Daniel Vorcaro seduziu políticos da esquerda à direita no Congresso. Segundo ele, o dono do Master era um “encantador de serpente” e não há, até aqui, prova de má conduta de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O candidato à Presidência pelo PL, considerado um aliado para sua futura gestão, pediu dinheiro ao banqueiro para o financiamento do filme “Dark horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo Cleitinho, os parlamentares entendiam que o empresário era dono de “um banco sério’.
Flávio é investigado no STF por ter pedido dinheiro a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. Isso prejudica o discurso da direita de combate à corrupção?
Esse Vorcaro, esse encantador de serpente, foi conversar com todos os políticos, inclusive foi até à Presidência da República conversar com o Lula. Até então todos que conversaram com ele entendiam que o banco era um banco sério. A partir de agora, que saiu toda essa situação do Vorcaro, e que fique claro que Flávio pediu dinheiro de iniciativa privada, não ficou provado que teve algum benefício aqui dentro do Senado, provou nada, então segue o jogo.
A Polícia Federal investiga a possibilidade de o dinheiro ter financiado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Está concretizado isso? Então segue o jogo. Foi da iniciativa privada. Ele não conversou só com Flávio, ele conversou com vários políticos de todos os expectros ideológicos, de esquerda, de direita. Até então todos entendiam que era um banco sério. Agora é outra coisa, agora que ele está preso, se continuar tendo contato com ele, está errado.
Avalia que o Republicanos deve participar de um eventual governo Flávio? Qual nome do partido o senhor entende que pode ser ministro e de qual área?
Deus que me livre, não tenho nada com isso, quero cuidar do meu governo lá de Minas Gerais. Isso é uma coisa do partido, não vou discutir isso. Eu particularmente não me posiciono. Meu irmão foi prefeito da minha cidade (Divinópolis), o apoiei, eu nunca indiquei ninguém, secretário nenhum. É meu perfil, mas respeito quem também acha que apoia, tem que conversar, dialogar e às vezes indicar ministério ou um secretário. Isso é republicano, mas da minha parte não é meu perfil fazer isso. Inclusive não pedi nada ao Flávio, a única coisa que pedi a ele foi para renegociar a dívida de Minas Gerais.
O Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) basta para renegociar as dívidas de Minas Gerais ou mais medidas são necessárias? Quais?
Ele (Flávio) se comprometeu, ele vai renegociar as dívidas. A gente deu outra sugestão, que as parcelas que a gente vai pagar todo mês possam ser revertidas nas obras em Minas Gerais.
O senhor já fez críticas ao presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e ao líder da Igreja Universal, Edir Macedo. A divergência com eles permanece? Por qual razão?
Eu dei um abraço ontem no Marcos Pereira caloroso. Não fiz crítica, a forma que foi mal interpretada. Tenho que agradecer a Deus em primeiro lugar, mas os dois presidentes, tanto o próprio Marcos Pereira, quanto o Euclydes (presidente do Republicanos em Minas) me deram essa vaga para ser candidato. Tenho que agradecer. Tem que ver o abraço caloroso que dei nele (Marcos Pereira), foi meu pai na política.
O senhor defende que a PEC 6×1 seja votada já, antes do segundo turno?
Posso falar por mim, estou aqui (no Senado) até para isso. Pelo que eu estou escutando parece que tem a possibilidade de na semana que vem ser votada, e eu espero que seja votada.
O senhor condicionará seu apoio a Flávio ao apoio à PEC?
Eu conversei com ele, estava para a gente conversar desde quando acabou a eleição no domingo. A gente se encontrou hoje e pedi a ele para poder votar favorável e ele disse que vai votar favorável ao fim da escala 6×1. Eu não condicionei nada. Já ia dar apoio para ele. A questão é que há várias votações dentro do plenário aqui no Senado que cada parlamentar se posiciona da forma que quiser. Eu posso pautar meu mandato.
Mas ele vai votar favorável antes do segundo turno das eleições? Ele e Marinho articulam para deixar para depois.
Não depende dele, depende do Davi (Alcolumbre, presidente do Senado). Se o Davi colocar amanhã ou semana que vem acredito que ele (Flávio) vai votar favorável. Ele (Flávio) não (articula para depois da eleição), é o Marinho. O Marinho é um, o Flávio é outro. Ele (Marinho) é o coordenador da campanha, do voto do Flávio ele não é. Hoje é uma decisão que não cabe ao Flávio, nem a mim, nem a outro senador, cabe só o Davi Alcolumbre e espero que na semana que vem possa pautar ou esse ano ainda possa pautar.
Eduardo Bolsonaro já disse que “foi imprudente” apoiar o senhor para o Senado. Esses atritos podem atrapalhar o diálogo com Flávio?
Está tudo certo, depois liguei para o Eduardo e conversei com ele. Não vai afastar nada, a gente tem que estar tudo junto em prol do Brasil.
O senhor tem um discurso de austeridade, mas na campanha utilizou jatinhos de empresários para se deslocar pelo estado.
Um cara igual eu, que é senador, que é candidato a governador… Só rico pode andar de avião? Pobre não pode andar de avião? Se eu tenho oportunidade de andar de avião, você está sendo contra? Todo mundo tem direito, desde que seja honesto, legítimo. Deixa agora que acabar e fiscalizar todas as contas nossas e vê se tem alguma coisa de errado, não tem nada de errado.
Como é a sua relação com empresários que doaram para a sua campanha?
Quase nada. Ainda não. Com certeza vou virar governador do estado de Minas Gerais e eu quero trazer investimentos e tenho a obrigação de conversar com todos. Mas até então nunca tive, com mineradora eu nunca vi, esse Vorcaro que rodou aqui no Congresso, rodou o mundo, o Brasil, nunca estive com ele.
O senhor é colega de partido do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, político que já foi criticado pelo senhor e que concorreu a deputado federal por Minas Gerais. Tem alguma relação com ele?
Eu votei no meu irmão (para deputado federal). Eu fiz campanha para o meu irmão.
Pettersen foi indiciado pela Polícia Federal por suspeita de integrar o esquema de fraudes do INSS. Avalia que ele deve continuar no partido ou que deve se afastar?
Ele tem algum processo criminal ainda? Ele, como qualquer outro que está sendo investigado, tem o direito de defesa. Caso tenha alguma coisa vai ter que pagar, como eu tenho que pagar e qualquer um tem que pagar. Não tem processo criminal ainda, tem uma denúncia e cabe a ele se defender.