Adolescente é resgatado de penhasco no Canadá após se perder em trilha
Fonte: brasilemfolhas.com.br | Data: 09/10/2026 06:37:17
Um adolescente de 16 anos foi resgatado de um penhasco na Colúmbia Britânica, no Canadá, após se perder durante uma trilha nos arredores de Vancouver. O jovem havia consultado o Claude, chatbot de inteligência artificial da Anthropic, para planejar o percurso. Ele ficou preso em uma área de escalada técnica sem os equipamentos necessários, no sábado (3).
O adolescente Bryce Vincent Gowryluk saiu para uma caminhada que deveria durar cerca de oito horas entre as montanhas Grouse e Crown. Ele pegou uma gôndola até o alto da Grouse Mountain e iniciou o percurso, conhecido pelas vistas panorâmicas da região. A trilha, no entanto, exige experiência e preparo físico e não é recomendada para iniciantes.
Durante o trajeto, o jovem passou por áreas rochosas e um vale repleto de pedras até chegar à Widowmaker Arete, uma formação com trechos íngremes e paredões que exigem cordas e equipamentos próprios para escalada. Ao perceber que o terreno havia se tornado perigoso demais, ele constatou que não conseguiria descer com segurança e ficou preso na base de uma parede quase vertical.
Gowryluk telefonou para a mãe e, em seguida, acionou os serviços de emergência. A polícia comunicou o caso à North Shore Rescue, equipe voluntária especializada em buscas e salvamentos na região. Um helicóptero foi enviado ao local, mas não conseguiu se aproximar o suficiente do paredão sem correr o risco de atingir a rocha com as hélices. Dois integrantes da equipe foram então içados até o adolescente para retirá-lo da área e levá-lo a um ponto seguro para a extração.
Após a repercussão do caso, Gowryluk contestou a interpretação de que o chatbot teria sido o responsável direto por levá-lo ao local. Em entrevista à emissora canadense CBC, ele afirmou que as notícias haviam tirado o uso da ferramenta de contexto. Segundo o adolescente, o planejamento da caminhada levou três dias e envolveu consultas ao AllTrails e ao Google Maps, além do Claude. Ele disse que recorreu principalmente à inteligência artificial para organizar a lista de equipamentos e que também utilizou o sistema para conferir algumas informações sobre o terreno. O jovem reconheceu que entrou por engano em uma rota sem sinalização conhecida como Widowmaker Arete.
O episódio ocorreu meses depois de outro resgate na mesma região envolvendo orientações digitais. Em julho, três pessoas precisaram de ajuda após planejarem uma caminhada pela Howe Sound Crest Trail com o Google Maps. Segundo relatos publicados pela imprensa local, a ferramenta indicava que um percurso que pode exigir de 12 a 14 horas seria concluído em pouco mais de cinco horas. O trajeto tem trechos íngremes, pedras soltas e ganho expressivo de elevação, fatores que tornam a estimativa de tempo mais complexa.
Para Markey, o aumento da dependência de aplicativos representa um desafio para as equipes de salvamento. Em entrevista ao The Guardian, ele afirmou que algumas plataformas indicam caminhos em áreas que não deveriam ser interpretadas como trilhas convencionais. Segundo o coordenador, a existência de uma rota em um aplicativo pode levar usuários a acreditar que o percurso é seguro ou adequado ao seu nível de experiência.