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ENTREVISTA: Cresce crédito para o turismo em Santa Catarina, e ministro destaca expansão do Novo Fungetur

Fonte: ndmais.com.br | Data: 09/10/2026 20:04:05

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Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, aparece de perfil diante de um painel com o nome do Ministério do Turismo, durante entrevista exclusiva ao ND Mais sobre o crescimento de 56% na contratação de crédito para o turismo em Santa CatarinaEm entrevista ao ND Mais, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, relaciona o crescimento de 56% na contratação de crédito em Santa Catarina à expansão da demanda turística e à ampliação da rede de agentes financeiros do Novo FungeturFoto: Roberto Castro/ND Mais

O turismo é um dos setores econômicos mais importantes de Santa Catarina. No último ano, chegou a ser responsável por mais de 10% do PIB, segundo o Sebrae. Entre janeiro e agosto de 2026, o acesso a crédito ligado ao setor no estado cresceu 56% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em oito meses, R$ 70,95 milhões foram contratados por micro, pequenas e grandes empresas por meio do Fundo Geral do Turismo, distribuídos em 160 contratos que alcançaram 73 municípios catarinenses.

Em todo o país, o fundo disponibiliza mais de R$ 1 bilhão em recursos para 2026. Em Santa Catarina, o crédito foi usado por empresários como Júlio Sousa, que buscou o financiamento a fim de reformar duas cabanas e preparar o camping Ilhas do Perimbó, em Petrolândia, para a temporada de verão 26/27.

Em entrevista exclusiva ao ND Mais, Gustavo Feliciano, Ministro do Turismo  detalha o funcionamento do Novo Fungetur. Também comenta o avanço da contratação de crédito para turismo em Santa Catarina e fala sobre o impacto dos recursos para os empreendimentos do setor.

O volume de financiamentos do Fungetur em Santa Catarina cresceu 56% entre janeiro e agosto de 2026. O que explica esse avanço? O crescimento está relacionado a uma maior demanda das empresas, à ampliação da oferta de crédito ou a mudanças nas condições de acesso ao Fundo?

Esse crescimento reflete o excelente momento do turismo brasileiro, marcado por recordes tanto na atração de visitantes internacionais quanto no aumento do fluxo de brasileiros viajando pelo país. O cenário favorável traz segurança para que empresários invistam na estruturação e na modernização de seus negócios, buscando crédito para atender a essa demanda em alta.

E o Ministério vem realizando atendimentos técnicos em todo o Brasil, orientando especialmente micro e pequenos empreendedores sobre como acessar o Fungetur. Há também a expansão da rede de agentes credenciados a operar os recursos. Em Santa Catarina, o Fungetur é concedido por meio do BADESC (Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina), do BRDE (Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul), da Cresol Baser e da Cresol Brasil, além da Caixa Econômica Federal, do SICOOB, do Sicredi e do Banco Moneo, que operam o crédito nacionalmente, garantindo que os recursos cheguem a quem gera empregos e renda na ponta do setor.

Dos R$ 70,95 milhões em financiamentos contratados em SC, quanto já foi efetivamente desembolsado, quanto está apenas contratado e quanto ainda está em processo de liberação?

A execução financeira desses contratos ocorre de forma dinâmica. O fluxo engloba valores já desembolsados, o montante que se encontra contratado e apto para utilização e, ainda, a fatia em processo de liberação gradual, conforme o cumprimento das etapas previstas em cada projeto. Após a avaliação e a aprovação do crédito pelo agente financeiro, o montante pleiteado é formalmente contratado e liberado ao tomador.

Qual é o prazo médio entre a contratação e a liberação dos recursos?

Quanto ao tempo para que o dinheiro chegue à ponta, cada instituição credenciada tem uma janela de liberação, que varia conforme suas políticas internas, a análise de garantias e os trâmites burocráticos. Estamos em permanente articulação com a rede parceira para agilizar esse fluxo.

O Ministério afirma que há mais de R$ 1 bilhão disponível pelo Fungetur em 2026. Quanto desse montante já foi contratado e quanto ainda está disponível? Há previsão de que os recursos sejam integralmente utilizados até o fim do ano? Esse valor refere-se a orçamento, limite de crédito, recursos disponíveis para os agentes financeiros ou outra modalidade de disponibilidade?

O valor de mais de R$ 1 bilhão se refere ao total previsto na LOA (Lei Orçamentária Anual) e destinado a financiamentos em todo o país. Somente neste ano, já houve a contratação de R$ 573,1 milhões, por meio de mais 1.440 operações. O montante remanescente segue disponível na rede de agentes credenciados, e trabalhamos para que os recursos sejam integralmente contratados, impulsionados pela forte demanda turística.

Vale ressaltar que, desde maio deste ano, Microempreendedores Individuais (MEIs) inscritos no CadÚnico (sistema federal que identifica famílias em situação de vulnerabilidade) e no Cadastur (Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos) passaram a contar com crédito de até R$ 21 mil via Fungetur.

Gustavo Feliciano, avalia o papel do Novo Fungetur no financiamento de empresas do setor e na modernização de empreendimentos turísticos em Santa CatarinaFoto: Roberto Castro/ND MaisGustavo Feliciano, avalia o papel do Novo Fungetur no financiamento de empresas do setor e na modernização de empreendimentos turísticos em Santa CatarinaFoto: Roberto Castro/ND Mais

Essa medida foi desenhada para financiar a aquisição de novos equipamentos e pequenas obras, ampliando o alcance do fundo e incluindo a base geradora de emprego no ecossistema turístico.

Os MEIs contam com suporte do Sebrae para elaborar as propostas de financiamento, que também têm cobertura de R$ 100 milhões do FGO (Fundo de Garantia de Operações), dispensando a exigência de garantias do empreendedor pelos agentes.

Santa Catarina representa qual percentual do total contratado pelo Fungetur no Brasil em 2026? Quais Estados lideram em volume de financiamentos e onde SC aparece nesse ranking?

Em nível nacional, Santa Catarina se destaca e representa mais de 12% dos valores contratados. No contexto da região Sul, o estado ganha ainda mais relevância, respondendo por 26% do volume total de crédito concedido.

O ranking nacional é liderado pelo Rio Grande do Sul, com cerca de R$ 119 milhões, e o Paraná, com aproximadamente R$ 85 milhões. Santa Catarina aparece logo na sequência, com a concessão de um total superior a R$ 72 milhões.

Esses números traduzem a alta procura por crédito – em meio à crescente procura de turistas por serviços na área – e a eficácia das linhas de financiamento no mercado catarinense. Trata-se de um movimento essencial para impulsionar a competitividade do turismo não só do estado, mas de todo o Brasil.

Os dados mostram que R$ 55,9 milhões dos financiamentos catarinenses foram destinados a capital de giro, contra R$ 8,48 milhões para bens e R$ 6,35 milhões para obras. O que essa distribuição revela sobre o momento vivido pelas empresas do turismo? O predomínio do capital de giro é um sinal de necessidade de caixa ou também pode representar expansão dos negócios?

O capital de giro atua como um combustível fundamental para o setor, permitindo que pousadas, restaurantes e agências de viagens sustentem a operação diária, equilibrem o fluxo de caixa diante da sazonalidade e mantenham a gestão financeira saneada.

Outro pilar decisivo dessa escolha é a preservação do capital humano, o maior patrimônio da hospitalidade. Com a casa arrumada e a saúde financeira estabilizada, cria-se o ambiente propício para a fase seguinte do ciclo de negócios.

É justamente essa sólida organização de caixa que proporciona a segurança necessária para que os empreendedores catarinenses deem o próximo passo: planejar novos aportes em modernização, ampliação de infraestrutura e na inovação dos serviços oferecidos ao público.

O crédito chegou a 73 municípios catarinenses em 2026, contra 57 no mesmo período de 2025. O Ministério considera que o Fungetur está conseguindo descentralizar o acesso ao crédito ou os recursos continuam concentrados nos destinos turísticos já consolidados? Qual é o percentual destinado a municípios fora dos principais polos turísticos?

O avanço do Fungetur no estado evidencia a efetiva descentralização do crédito, conectando os recursos viabilizados pelo Fundo às necessidades turísticas locais. Essa abrangência geográfica reflete também a democratização do perfil dos beneficiários do crédito em toda a cadeia produtiva.

Camping localizado em Petrolândia buscou crédito junto ao Fungetur para reformar duas cabanas e preparar o empreendimento para o verão de 2027Foto: Arquivo Pessoal/Julio Sousa/ND MaisCamping localizado em Petrolândia buscou crédito junto ao Fungetur para reformar duas cabanas e preparar o empreendimento para o verão de 2027Foto: Arquivo Pessoal/Julio Sousa/ND Mais

Em Santa Catarina, os financiamentos contemplam desde Microempreendedores Individuais (MEIs) até grandes empresas, passando por micro, pequenos e médios negócios.

Esse movimento assegura que pequenos empresários e novos polos tenham as devidas condições de estruturar serviços e impulsionar a atratividade do estado.

Quais são os maiores contratos do Fungetur em Santa Catarina em 2026? Quais empresas receberam os maiores valores, em quais municípios, para quais finalidades e quais resultados são esperados desses investimentos?

A distribuição dos contratos demonstra a diversidade do perfil empresarial beneficiado no estado. De pequenos negócios, que captaram quase R$ 24 milhões, a grandes empresas, que somaram R$ 26,5 milhões, o Fungetur garantiu apoio a negócios de todos os portes.

Completando essa estrutura de fomento, micro, médias empresas e MEIs obtiveram, juntas, R$ 22,5 milhões, dinamizando a competitividade local em diferentes segmentos.

Os principais municípios onde os empreendedores buscaram o Fungetur incluem, naturalmente, a capital Florianópolis, mas também cidades como Campos Novos, Guaraciaba e Santa Terezinha. Isso reflete a aposta do empresariado no potencial turístico do estado, extrapolando os limites dos centros tradicionais.

Quanto às finalidades, o leque abrange capital de giro, obras e a aquisição de bens. O principal resultado esperado é a modernização da infraestrutura turística local e a ampliação da capacidade de atendimento a visitantes, favorecendo fortemente a competitividade do setor.

Quantos empregos estão associados aos 160 empreendimentos financiados em SC? O Ministério acompanha a criação ou manutenção de empregos depois da contratação? Se sim, quais são os resultados até agora?

De janeiro a agosto de 2026, dados do Novo CAGED, do Ministério do Trabalho e Emprego, indicam mais de 57 mil admissões no setor de turismo em Santa Catarina, reforçando a capacidade do setor de gerar oportunidades e renda.

Esses dados ajudam a compor atualmente um estoque total de mais de 2,42 milhões de trabalhadores que atuam no setor em todo o país, o maior já registrado na história.

Esse ecossistema em constante crescimento demonstra a força transformadora do crédito do Fungetur e o poder de impactar os quadros econômicos e sociais locais.

Quais são hoje os principais obstáculos para uma empresa conseguir um financiamento do Fungetur? O Ministério recebe reclamações sobre exigência de garantias, juros, burocracia ou demora na análise? Quais medidas foram adotadas para ampliar o acesso de micro e pequenas empresas?

Além da inclusão histórica dos MEIs entre os beneficiários do Fungetur, nós expandimos a rede credenciada de 24 agentes financeiros, em 2023, para 30 desde outubro de 2025, o que contribui para ampliar o acesso ao Fungetur no país.

Paralelamente, reforçamos a atuação itinerante e proativa do Ministério do Turismo, intensificando a realização de encontros de orientação técnica presencial em todas as regiões.

Nestas ocasiões, o Ministério explica o enquadramento e a regularização no Cadastur – requisito obrigatório para acessar o crédito – e orienta quanto à elaboração das propostas de crédito que são submetidas aos agentes.

Esse trabalho já passou por cidades como Salvador, Fortaleza e João Pessoa, entre outras. A aproximação física elimina a distância de Brasília, capacita o empresariado local e proporciona que projetos cheguem às instituições financeiras credenciadas mais bem estruturadas.

O Fungetur oferece condições de crédito mais favoráveis que as disponíveis no mercado privado. Como o Ministério avalia se esse subsídio está efetivamente gerando expansão, modernização e empregos no turismo, e não apenas financiando despesas correntes das empresas?

A geração de empregos no setor em Santa Catarina e no Brasil é um forte indicativo. O aquecimento constante do mercado de trabalho demonstra que os recursos acessados pelos empreendedores estão sendo direcionados para o fortalecimento da atividade econômica e a ampliação das operações, afastando o uso do crédito como mero financiador de custeio temporário.

O crescimento de mais de 55% do número de empreendimentos financiados pelo Fungetur no estado também aponta essa expansão. Esse avanço comprova que o subsídio estatal atua diretamente no fortalecimento do setor.

A busca por crédito é parte de um processo amplo de desenvolvimento econômico e social e que deve ser guiado justamente pelo crescimento e a efetivação de novos negócios.

Qual é a principal meta do Ministério para o Fungetur em 2026: ampliar o número de empresas atendidas, aumentar o volume de crédito, descentralizar os recursos ou gerar investimentos e empregos? E como o governo pretende medir se essa meta foi alcançada?

A nossa meta central é expandir e democratizar cada vez mais o alcance do Fungetur, fazendo com que o acesso ao crédito capacite o trade turístico brasileiro e fomente os sucessivos recordes que o país vem alcançando no setor.

A prioridade é atuar em uma linha integrada, que une o aumento do volume de recursos, a facilidade de acesso para micro e pequenos empresários e a descentralização do crédito.

Esses são alguns dos maiores indicadores de sucesso, pois revelam na prática como a melhoria da infraestrutura turística torna o Brasil um destino cada vez mais atraente, preparado e competitivo no cenário global.

Que resultado concreto o governo já consegue apresentar em termos de faturamento, empregos, ampliação da capacidade ou abertura de novos empreendimentos?

O fortalecimento estrutural do turismo é diretamente evidenciado pelo desempenho extraordinário do mercado internacional no país, por exemplo.

De janeiro a agosto de 2026, o Brasil registrou a entrada de 6,45 milhões de turistas vindos do exterior, atingindo o patamar recorde do mesmo período de 2025. E esses turistas deixaram R$ 38,7 bilhões na economia brasileira, um valor inédito para o intervalo.

Outro exemplo claro é a circulação recorde de 68,3 milhões de passageiros domésticos registrada de janeiro a agosto no país. Em Santa Catarina, esse quantitativo apresentou variação positiva entre 2026 e 2025, com mais de 4,8 milhões de embarques e desembarques, movimentando o setor aéreo no estado.

Tudo isso injeta recursos diretamente no comércio, na hotelaria e no setor de serviços, impulsionando os ganhos das empresas e dinamizando a economia local de todas as regiões.

Qual é hoje o principal gargalo do turismo brasileiro: falta de crédito, falta de turistas, infraestrutura, mão de obra ou outro fator? Por quê?

Atuamos para que o crescimento do setor tenha suporte em uma estrutura de qualidade para acolher bem o visitante. Neste sentido, o Ministério possui hoje cerca de 85 contratos de repasse para obras turísticas em Santa Catarina, somando um investimento de quase R$ 72 milhões em projetos como a pavimentação do acesso a atrativos e a urbanização de orlas, entre vários outros.

A nossa estratégia também passa pelo fortalecimento contínuo da conectividade aérea. Destaco aqui ações como o acordo histórico de liberalização aérea com países da América do Sul, abrindo espaço para mais voos entre os nossos vizinhos, além da permanente articulação com mercados estratégicos mundo afora, como a China, para estabelecer ligações diretas ao Brasil.

A atuação coordenada nessas e outras frentes é o que vem permitindo ao Brasil destravar todo o seu potencial turístico e converter esses avanços em mais inclusão e prosperidade para todos aqueles que operam o turismo.