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Amílcar Lobo Moreira da Silva (1939–1997) era médico e psicanalista. Durante a ditadura militar brasileira, atuou como tenente-médico do Exército no DOI-CODI do Rio de Janeiro, entre 1970 e 1974, sob os governos Médici e Geisel. Enquanto presos políticos eram perseguidos, interrogados e torturados, ele empregou seus conhecimentos médicos a serviço do aparelho de repressão.

Conhecido pelo codinome “doutor Carneiro”, Lobo avaliava as condições físicas de presos submetidos à tortura, contribuindo para a continuidade dos interrogatórios violentos. A sobrevivente Inês Etienne Romeu o identificou como participante das violações cometidas na Casa da Morte, centro clandestino de prisão e tortura em Petrópolis. Ele também declarou ter atendido o ex-deputado Rubens Paiva em janeiro de 1971, quando este já apresentava graves sinais de violência, antes de morrer sob custódia militar.

A Comissão Nacional da Verdade incluiu Amílcar Lobo entre os responsáveis diretos por graves violações de direitos humanos. O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro cassou seu registro profissional em 1988, decisão confirmada pelo Conselho Federal de Medicina em 1989. Em 1996, porém, uma decisão judicial restabeleceu seu direito de exercer a medicina por questão de prescrição. Sua trajetória expôs a participação de profissionais de saúde na engrenagem de tortura, morte e desaparecimento da ditadura.

Nota: Imagens geradas por Inteligência Artificial para fins ilustrativos.

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