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Minas lidera tráfico no Brasil e vira rota estratégica do crime organizado

Fonte: noticias.r7.com | Data: 25/04/2026 02:13:37

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Minas Gerais registrou 9.030 ocorrências de tráfico de drogas em três meses de 2026, liderando o Brasil.
  • A posição geográfica estratégica do estado facilita a logística do tráfico internacional de entorpecentes.
  • A Polícia Militar Rodoviária está implementando uma “blindagem” para aumentar a eficácia nas abordagens e impedir o tráfico.
  • Recentes operações em Belo Horizonte resultaram em apreensões significativas de drogas, refletindo tanto a atividade policial quanto o aumento da criminalidade.

Produzido pela Ri7a – a Inteligência Artificial do R7

Para combater o tráfico, a Polícia Militar Rodoviária (PMR) adotou uma estratégia de “blindagem” do território mineiro Divulgação/PMMG

Com 9.030 registros de tráfico de drogas nos primeiros três meses de 2026, Minas Gerais assumiu a liderança nacional em ocorrências do gênero, superando estados como São Paulo (8.038) e Rio de Janeiro (3.591). O volume alarmante, que representa uma média de 100 casos diários, é atribuído por autoridades e especialistas à posição geográfica estratégica do estado, que funciona como um “eixo logístico” essencial para o escoamento de entorpecentes vindos de países produtores em direção aos portos e aeroportos do Sudeste.

O “corredor” estratégico e as rotas de fuga

Segundo Bráulio Figueiredo, coordenador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG, a liderança mineira no ranking não é por acaso. Ele explica que o estado ocupa uma “posição extremamente estratégica” por fazer divisa com estados da região Centro-Oeste, porta de entrada para drogas da Bolívia e Paraguai.

“Minas Gerais faz parte de um corredor por onde passa essa droga para ser escoada pros outros países, África e os países da Europa e América do Norte também”, afirma Figueiredo. Ele ressalta que o estado é rota obrigatória para que o material chegue aos terminais de exportação em São Paulo e Rio de Janeiro.

Além da localização, a vasta malha rodoviária mineira oferece caminhos alternativos para o crime organizado. Figueiredo pontua que os traficantes evitam rodovias federais com postos fixos de fiscalização: “O que os criminosos vão fazer é utilizar as rodovias nas quais eles têm mais oportunidade de ser bem-sucedido. Eles vão se aproveitar justamente dessa malha, sobretudo das vias secundárias”.

Estratégia de blindagem

Para combater essa logística, a Polícia Militar Rodoviária (PMR) adotou uma estratégia de “blindagem” do território mineiro. O Major Vinícius Araújo destaca que a corporação trabalha sob um conceito duplo para maximizar a eficácia das abordagens.

“Nós atuamos sob duas vertentes, sobre um binômio: segurança viária e combate ao crime. Então, na mesma abordagem, o policial faz a fiscalização de trânsito e faz também aquela busca veicular, revista no porta-mala e nos passageiros”, explica o Major. Ele acrescenta que a suspeição surge durante a entrevista com o condutor, evoluindo para buscas minuciosas.

O Major detalha que os alvos são variados, já que as organizações criminosas buscam “o tempo todo tentando arrumar meios de ludibriar a fiscalização”. O foco recai sobre três frentes principais:

  1. Veículos de carga: caminhões-tanque e frigoríficos.
  2. Transporte interurbano: ônibus de viagem que atravessam o estado.
  3. Veículos de passeio: utilizados para transportes mais ágeis.

Sobre as áreas de maior risco, o Major afirma que “o crime é muito dinâmico, então ele busca novas rotas”, mas as atenções estão voltadas para corredores que levam a grandes centros e regiões fronteiriças, como o Triângulo Mineiro e a Zona da Mata.

Eficiência ou Aumento do Tráfico?

A dúvida sobre se os números refletem uma polícia mais ativa ou um aumento na criminalidade é respondida de forma mista por Figueiredo. “Eu vejo que são as duas coisas. A polícia é extremamente eficiente, mas também isso está demonstrando que essas apreensões estão indo direto ao ponto”, diz o especialista, indicando que Minas se tornou uma rota preferencial de escoamento.

Essa eficiência foi demonstrada em ações recentes na capital mineira. Em Belo Horizonte, a Polícia Militar desarticulou nesta semana um esquema de venda de drogas “gourmet” na região central, que oferecia desde entorpecentes sintéticos a lança-perfume.

Além disso, uma operação no bairro Juliana resultou na apreensão de mais de meia tonelada de maconha escondida em um furgão, reforçando a vigilância constante sobre os veículos que circulam pelo estado.

Diante desse cenário, o desafio das forças de segurança em Minas Gerais permanece atrelado à capacidade de se antecipar ao dinamismo do crime organizado, que busca constantemente novas rotas para burlar a fiscalização. Enquanto o estado se consolida como um corredor logístico essencial para o tráfico internacional devido à sua posição geográfica, a estratégia de “blindagem” e a atuação sob o binômio de segurança viária e combate ao crime buscam conter o fluxo de entorpecentes em suas extensas rodovias

Como aponta o especialista Bráulio Figueiredo, a liderança no ranking nacional de ocorrências é um reflexo ambivalente: evidencia tanto a utilização do território mineiro como rota de escoamento quanto a eficiência das operações policiais, que têm conseguido interceptar as cargas e agir “direto ao ponto”.

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