Relatório confirma que negociata BRB/Master foi decisão do governo Ibaneis
Fonte: horadopovo.com.br | Data: 27/04/2026 14:05:01
Participação acionária de Vorcaro no BRB subiu 33 mil vezes entre o início de 2024 e o fim de 2025
Documento elaborado por técnicos do BRB confirma, segundo reportagem de O Globo, que a negociata com o Master era uma decisão política do governo bolsonarista de Brasília. O estudo identificou que a instituição financeira ignorou uma série de alertas sobre inconsistências em carteiras de crédito repassadas pelo Banco Master enquanto negociavam uma aquisição.
De acordo com o documento elaborado pelos técnicos, todo o controle da carteira de crédito era realizado de forma manual, via planilha Excel, o que é considerado pouco usual diante do volume das transações.
Foram apontados itens como valores divergentes em contratos de crédito consignado, não reconhecimento de contratações por clientes, além de documentos com valores e prazos idênticos, o que levantou suspeitas de um grupo interno instituído pela gestão anterior da estatal, que, por sua vez, decidiu levar as tratativas adiante.
O grupo também apontou que havia distorções relativas a créditos consignados. Uma pesquisa em contratos de pessoas físicas identificou que o valor contratado divergia do número final quando as parcelas eram somadas. “Verificou-se que os valores averbados são inferiores aos valores somados das parcelas dos contratos adquiridos pelo BRB por cada CPF”, diz o relatório.
O documento citou ainda outros comportamentos que chamaram atenção dos técnicos do BRB, como um aumento expressivo nas reclamações de clientes relacionadas ao não reconhecimento de contratos originados pelo Banco Master e posteriormente adquiridos pelo banco estatal.
Uma auditoria contratada pelo BRB identificou que o grupo vinculado a Daniel Vorcaro aumentou sua participação acionária em 33 mil vezes entre o início de 2024 e o fim de 2025, mesmo período em que a instituição estatal adquiriu carteiras de crédito podres do Master, que somavam R$ 12 bilhões.
A atual direção do BRB sustenta que esse processo de aumento de capital resultou na entrada de Vorcaro e outros investigados pela Polícia Federal como acionistas do banco estatal.
Diálogos obtidos pela PF entre Paulo Henrique Costa, preso pela PF, e outro diretor do banco “indicariam que, desde o início das operações, já se conheciam inconsistências relevantes nas carteiras ofertadas”.“Apesar disso, as aquisições teriam sido aceleradas, com sucessivas flexibilizações procedimentais e pressão para liquidação rápida, em aparente desprezo aos controles prudenciais”, avaliou o STF.
